Política

BARRAR OS ATAQUES E DERROTAR TEMER

Querem cortar os salários e nossos direitos: como fazer para vencer Temer e as patronais

A pauta de ataques aos direitos sociais e trabalhistas que são prometidos pelo governo golpista de Temer é bastante longa. São nossas aposentadorias, a imposição de um teto aos gastos na saúde e educação, demissões e piores condições de trabalho na indústria, arrocho salarial, além da agenda de privatização e entrega dos recursos nacionais, começando pelo pré-sal. Mas essa agenda do governo Temer, que continua e aprofunda os ataques que Dilma e o PT iniciaram, pode unificar a classe trabalhadora.

Iaci Maria

Belo Horizonte

quinta-feira 22 de setembro| Edição do dia

Hoje é dia de paralisação nacional dos trabalhadores da educação e do funcionalismo, uma ação de importantes setores da classe trabalhadora contra o conjunto de ataques planejados pelo governo Temer.

Além dos já conhecidos ataques aos nossos direitos que vem sendo planejados, vem se mostrando que o arrocho salarial também será marca desse governo. Um levantamento do projeto Salariômetro da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) com base em dados do Ministério do Trabalho mostrou que mais da metade das negociações coletivas com vigência em agosto levaram a ajustes salariais abaixo da inflação. O estudo apontou que 51,8% das negociações resultaram em ajustes salariais abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), frente a 36,2% em julho. Enquanto a inflação medida pelo índice acumulou 9,6% em 12 meses até agosto, os trabalhadores obtiveram nos acordos coletivos um aumento de 9% em média, conforme o Salariômetro.

Os trabalhadores mais afetados pelo arrocho salarial foram os petroleiros, que tiveram a perda real de salário mais significativa no país, de 3,9%. Isso ao mesmo tempo em que a Petrobras anuncia aos ventos que está batendo recordes de produção, aos petroleiros é proposto um aumento muito inferior a inflação (menos de 5%), redução de jornada com redução de salário e drástica redução de direitos.

Impor uma derrota ao governo Temer e às patronais!

As jornadas de lutas que acontecem hoje e no próximo dia 29, com a paralisação dos metalúrgicos e possivelmente dos petroleiros, são importantes passos na organização da classe trabalhadora para barrar esses ataques e impor a derrubada do governo golpista. Há disposição de luta em diversas categorias e isso deve se fortalecer ainda mais. É urgente a organização da classe trabalhadora para construir uma forte e real greve geral, que paralise o país e mostre às patronais e ao governo golpista que os trabalhadores, assim como a juventude ao seu lado, não aceitarão os ajustes, retirada de direitos, demissões e arrocho salarial de braços cruzados.

Para impor essa derrota ao governo e às patronais, é preciso que a classe trabalhadora se enfrente e supere as direções burocráticas da CUT e CTB que, antes como base do governo PT e hoje como oposição ao governo golpista, semeiam a imobilidade e paralisia da classe trabalhadora, fortalecendo o discurso do Lula de que não se deve “incendiar o país”.

As centrais sindicais convocam essas importantes ações de paralisação nacional, porém não atuam para a unificação da classe trabalhadora e por uma paralisação de fato, como se pode ver na atual greve dos bancários, em que a própria greve, que é a primeira a se enfrentar diretamente com o governo golpista, mostra disposição da categoria de lutar, porém não houve nenhuma assembleia que organizasse os bancários a estarem lado a lado aos professores nas manifestações desse dia 22.

CUT e CTB repetem a importante palavra de ordem de “greve geral”, crescentemente clamada pelos setores contra o golpe e os ataques, mas a esvaziam, já que não buscam unificar as categorias nos dias de paralisação, como não fez com professores e bancários. Essas mesmas centrais foram as que estiveram a frente das negociações de ajuste salarial no último período de 12 meses, que em agosto resultaram no maior arrocho salarial do período.

O mesmo levantamento feito pelo Salariômetro mostrou que dos 527 acordos coletivos com redução salarial negociados entre janeiro de 2015 e agosto deste ano, 131 utilizaram o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que denunciamos incansavelmente aqui neste Esquerda Diário ser um programa que protegia os empresários enquanto atacava os trabalhadores e que foi fortemente defendido pela CUT, uma generalização do ACE proposto pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, bastião da CUT e do PT e que foi implementado não pelos golpistas mas por Dilma Roussef.

Que a CUT e CTB rompam urgentemente com a paralisia, pois é preciso lutar pela construção de uma verdadeira greve geral, organizada a partir dos métodos da classe trabalhadora, como as assembleias nos locais de trabalho, e coordenando as lutas em curso, partindo de unificar os dias de “paralisação nacional” para que eles realmente comecem a apontar uma saída contra os ataques em curso e planejados por Temer.

A luta por uma verdadeira greve geral deve ser parte de buscar uma saída estratégica à crise econômica e política do país, que questione todo esse regime de corrupção e ataques a nossos direitos. Que a partir dessa mobilização, se imponha a construção de uma nova Constituinte feita pelas mãos dos trabalhadores e da juventude, que permita discutir os grandes temas nacionais, como impor uma lei contra as demissões, o não pagamento da dívida externa e interna aos banqueiros para ter recursos para saúde e educação, e acabar com os privilégios dos políticos.




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