Mundo Operário

BLOQUEIO NAS ESTRADAS

Quem são os barões do transporte que querem que a população pague por seus subsídios?

Quem são os dirigentes dessas associações que estão sugando a disposição de luta contra o aumento dos combustíveis para defender interesses exclusivamente patronais?

Ítalo Gimenes

Campinas

sexta-feira 25 de maio| Edição do dia

De branco, José da Fonseca Lopes, presidente da Abcam - (Divulgação)

O acordo proposto pelo governo Temer aos caminhoneiros foi negociado diretamente com dirigentes de associações, federações e sindicatos da categoria. Dentre elas, os maiores nomes são CNT (Confederação Nacional dos Transportes), Abcam e CNTA. Todas elas sentaram à mesa com um mesmo propósito: reduzir os custos do diesel aumentando impostos pagos indiretamente pela população. Não falaram da gasolina ou do gás de cozinha, da jornada exaustiva e do salário precário da categoria.

José da Fonseca Lopes, presidente de Abcam, em mesa de negociação na Casa Civil, disse que a greve só será encerrada quando ver zerado o PIS-Cofins sobre o diesel e publicado em Diário Oficial, e não assinou o acordo. Nenhuma palavra sobre a melhoria das condições de vida e de trabalho dos próprios caminhoneiros; apenas sobre mais e mais subsídios a seus lucros.

A Abcam é uma entidade afiliada da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), apoiadora do golpe institucional, defensora da privatização da Petrobrás, e que é presidida pelo ex-senador investigado no mensalão tucano, Clésio Andrade (MDB), assinante do acordo. O dirigente da Abcam, José da Fonseca Lopes, presidente da fundação desde o seu surgimento, defende a redução da tributação do diesel há anos.

Ou seja, tanto a Abcam como a CNT são comandadas por uma casta corrupta encastelada há anos dedicada a uma mesma briga, a não tributação de óleo diesel. Nunca levaram a frente demandas trabalhistas, sindicais, apenas insistem em ter o diesel cada vez mais barato, custe o que custar, utilizando de métodos asquerosos que pressionam a categoria bloquearem as estradas por um acordo que não beneficiará nem mesmo os autônomos e pequenos proprietários.

Conseguiram o que queriam. A custo de R$ 5 bilhões, o governo irá subsidiar o Diesel através principalmente da redução do PIS/Cofins, alguns outros descontos e promessa de novas negociações. Os R$5 bilhões serão pago com aumento no custo de vida da população pela tributação de diversos outros setores da economia.

A política de preços dos combustíveis manteve-se intacta, permitindo que estes oscilem diariamente conforme a variação do mercado internacional, de modo que seguirão exorbitantes para atrair os olhos imperialistas da Shell, Exxon, para as refinarias e recursos naturais que Temer está pondo a venda. O acordo prevê ainda que o governo pagará a Petrobras toda vez que necessitar aumentar o Diesel, garantindo uma via de onerar o governo que arcará com os custos e tornar ainda mais vantajosa uma negociação de privatização da empresa.

Ganha o imperialismo, ganha os donos das transportadoras, o agronegócio. Quem não ganha nada são os caminhoneiros e os trabalhadores.

Nenhuma palavra sobre as condições de trabalho exaustivas, a baixa remuneração, o preço da gasolina ou do gás de cozinha. A patronal dos transportes, assim, busca expropriar o interesse mais geral da população em acabar com o aumento nos preços do conjunto dos combustíveis (especialmente o que afeta o gás de cozinha e a gasolina), usando o movimento para negociar lucros com Temer.

Bolsonaro, MBL e outros setores mais podres da direita apoiam esses métodos reacionários da patronal que só servem para a briga de quem lucra mais com a crise dos combustíveis e o encarecimento da vida da população.

Ao mesmo tempo que a greve empolga aqueles que, como na greve geral do dia 28 de Abril de 2017, acham que “tem que parar tudo mesmo” contra o aumento dos combustíveis, essas patronais expropriam esse anseio, pouco se lixando com os caminhoneiros e com as necessidades da população. Roubam a independência política dos caminhoneiros e impedem que eles assumam os rumos da sua própria luta.

Não podemos aceitar que isso aconteça assim. Se o conjunto da classe trabalhadora, que protagoniza lutas mesmo nesse cenário nacional, entra em cena coletivamente, é possível derrotar o governo Temer. Será possível batalhar por coisas que José Fonseca ou Clésio jamais irão negociar com Temer, como o aumento do preço dos fretes conforme a inflação e estatização de toda frota das grandes empresas para construir uma grande empresa estatal sob controle dos caminhoneiros que garanta transporte mais barato e melhores condições de trabalho e salário para todos caminhoneiros.

Por isso as centrais sindicais CUT e CTB devem abandonar seu imobilismo frente aos ataques de Temer e o avanço do imperialismo no país e encabeçar a mobilização colocando a classe trabalhadora em cena, independentemente das entidades patronais. A começar pelos petroleiros, que já aprovaram greve em todas as unidades da Petrobras país afora, mas que a FUP-CUT (Federação Única dos Petroleiros) se recusa a organizar. O início dessas greves pode ser parte de um plano de luta que coloque os trabalhadores e não os patrões a frente de uma resposta para a crise dos combustíveis.

Uma resposta que deve se enfrentar com a política de preços de Temer e sua sanha privatista ligada ao capital internacional para a Petrobras. A única forma de abaixar os preços dos combustíveis todos é com uma Petrobras 100% estatal, mas gerida pelos próprios petroleiros e controladas pela população, não por agentes corruptos da burocracia do Estado.




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