Política

JAIR BOLSONARO

Quem são as empresas corruptas que financiaram a campanha de Jair Bolsonaro? (Parte 2)

Ontem dei início a uma investigação para saber quais empresas que financiaram a campanha do Deputado Federal Jair Bolsonaro. A intenção deste texto era saber quem banca financeiramente os discursos reacionários contra mulheres, negros, LGBT, pró - ditadura militar e contra os trabalhadores que Bolsonaro faz na Câmera dos Deputados.

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

sexta-feira 7 de outubro| Edição do dia

Leia também: Quem são as empresas corruptas que financiaram a campanha de Jair Bolsonaro? (parte 1)

De acordo com o site ’’Meu Congresso Nacional’’, foram inúmeras empresas que estão sendo investigadas na Lava Jato que financiaram a campanha de Jair Bolsonaro. Várias destas empresas, como a JBS, aparecem em sites como a EBC, mas também no site do Tribunal de Contas Eleitoral. Como a lista de financiadores da campanha é grande, resolvi aqui dar continuidade a investigação de ontem.

Uma das empresas que financiaram a campanha de Jair Bolsanaro e que foi condenada na Operação Lava Jato é a Andrade Gutierrez. De acordo com a delação premiada prestada por esta empresa em novembro do ano passado, Gutierrez mencionou propinas pagas em obras na Copa do Mundo, na Usina de Belo Monte e também na ferrovia Norte-Sul. Nesta delação, os empresários da Gutierrez citaram o Senador Edson Lobão e ex-governador Sergio Cabral.

O banco Bradesco também financiou a campanha de Bolsonaro. O Ministério Público em março indiciou o presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, por corrupção ’’passiva’’ na Operação Zelotes. Esta operação investiga a venda de sentença no CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Em julho deste ano, Trabuco e mais nove pessoas tornaram-se réus da investigação.

Outra empresa que financiou o deputado federal e está sendo investigada pela Operação Zelotes é a Gerdau. Em maio deste ano a Polícia Federal indiciou o grande empresário André Gerdau e mais 18 investigados, entre conselheiros e ex-conselheiros da empresa. De acordo com o site do Estadão, a empresa de siderurgia está sendo investigada por sonegar 1,5 bilhões de reais.

O Banco Safra, que também está sendo investigado na Operação Zelotes, financiou a campanha de 2014 do deputado federal. De acordo com a Carta Capital, o segundo homem mais rico do Brasil é acusado de oferecer 15 milhões de propina para não pagar 1,5 bilhões em impostos. De acordo as investigações, os servidores do CARF recebiam propinas de grandes empresas para fazer com que as dívidas desaparecessem.

A UTC, uma das principais construtoras que está sendo investigada na Operação Lava Jato também financiou a campanha de Jair Bolsonaro. O dono desta empreiteira, Ricardo Pessoa, foi condenado em junho a 8 anos e 2 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e participação em organização criminosa por pagar propinas em obras da Petrobrás. O valor desta propina é de 38 milhões.

Empresas menores que financiaram a sua campanha também estão envolvidas em escândalos. A empresa Arousco está sendo investigada pelo Ministério Público do Amazonas por descartar lixo ilegal da empresa em áreas verdes da Zona Leste de Manus. O Ministério Público instaurou inquéritos civis contra 19 empresas que adotaram esta prática, uma destas empresas é a Arousco que financiou a campanha do Bolsonaro.

A empresa Arcos Dourado de Comércio de Alimentos é responsável pela franquia do McDonalds aqui no Brasil. Ela também está na lista de empresas que financiaram a campanha do deputado Jair Bolsonaro. De acordo com o site Rede Brasil, o McDonalds durante cincos anos sofreu 2235 ações trabalhistas. A Confederação Nacional dos Trabalhadores e o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo montaram um dossiê de 126 páginas contra as infrações cometidas pelo rede de fast food.

Algumas pequenas observações sobre o financiamento da campanha de Bolsonaro

No site ’’Meu Congresso Nacional’’, podemos ver que o total arrecadado para a candidatura de Jair Bolsonaro foi R$131.781.981,79. Boa parte destas doações foram feitas pela JBS, Andrade Guiterrez, OAS e Queiroz Galvão, mas também as empresas e os bancos que são investigados pela Operação Zelotes também deixaram a sua marca. Não se trata de um ou outro investimento pontual destas empresas, mas sim de financiamentos constantes destas empresas a sua candidatura.

Se Jair Bolsonaro foi um dos mais votados para deputado federal nas eleições de 2014, foi por conta desta máquina formada por empresários e banqueiros envolvidos em diversos esquemas de corrupção. Isto só afirma que o deputado Bolsonaro faz parte deste sistema corrupto, onde meia duzia de empresários financiam os políticos para atender os seus interesses.

Se formos puxar os seus bens, veremos que o Bolsonaro possui uma casa de R$500.000, uma caderneta de poupança onde ele guarda R$482.582,35, outra casa de R$400.000, um apartamento de R$240.930,00 e outra casa de R$98.500. Além disso, Bolsonaro tem dois veículos cujos valores somados dão R$160.720 e uma conta no país de R$46.724,39. O deputado federal também possui um veículo aquático de R$46.000 e uma outra caderneta de poupança que ele guarda R$43.857,90. Além disso ele tem mais uma casa cujo valor é de R$40.000, outra caderneta de poupança no valor de R$11.271,46. Ele possui investimentos no BB, REF DI PLUS EST cujo valor é R$2.823,50 e ações da OI que somados dão o valor de R$1282,8.

Afinal porque ele é não é investigado?

O Deputado Federal Jair Bolsonaro não está sendo investigado por corrupção na Lava Jato e nem na Operação Zelotes, porque ele é um dos outsiders da política. Num momento onde existe uma crise no regime do país, a burguesia precisa de figuras que buscam passar uma imagem de que estão de fora deste regime podre. Num momento político do país que existe a possibilidade de termos grandes lutas por parte dos trabalhadores, uma das possibilidades que os grandes empresários tem para frear este descontentamento é colocar no governo alguém que tenha mão de ferro. Bolsonaro tem este perfil.




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