Política

PSOL EM PORTO ALEGRE

Quem é o PPL (Partido Pátria Livre) que Luciana Genro se coligou?

Desconhecido da maioria das pessoas, o PPL, que é uma ruptura do PMDB, fechou nesta quarta-feira o acordo para apoiar o PSOL de Luciana Genro em Porto Alegre. O que não se sabe é que o PPL tem alianças com o DEM em Salvador, envolvimento em escândalos de corrupção no DF e na lava jato.

quarta-feira 20 de julho| Edição do dia

Tem causado uma grande polêmica na esquerda em Porto Alegre as negociações de Luciana Genro para conformar a aliança com a Rede de Marina Silva. Muito menos destaque tem a aliança com o PPL, confirmada hoje pela pré-candidata.

Conhecido na vanguarda política de Porto Alegre por controlar a Umespa (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Porto Alegre) com os mesmos métodos que o PCdoB controla a UBES, esse partido vem se aproximando do PSOL gaúcho. O PPL é um dos maiores entusiastas da convocação de novas eleições e fez coro com a ala golpista representada por Marina Silva e a Folha de São Paulo. Uma convergência que vem pelo menos desde a eleição de 2014, quando o PPL estava coligado com o PSB e apoiou a candidatura de Marina Silva. Sobre a base desta política foram convocados atos em comum do Juntos (juventude ligada à corrente de Luciana Genro) e do PPL via Umespa.

Mas, como dissemos, o PPL é pouco conhecido e não tem destaque, o que não quer dizer que ele não exista e não atue. O partido conta com 12 prefeitos, outro tanto de vice-prefeitos, mais de uma centena de vereadores e já ocupou uma vaga no Senado (na suplência de um senador do Tocantins pelo PR).

Nenhuma dessas 12 prefeituras pode ser considerada um exemplo. Ou ao contrario, são exemplos bem nítidos do que é política burguesa brasileira e da sua decadência. Segundo a Wikipedia, “Através de coligações amplas com partidos de diversas ideologias e origens, as 12 prefeituras tem como vice-prefeitos políticos do PSDB, do DEM, do PP, do PTB, do PV, do PT, do PSB, do PMDB, do PR (em 2) e do próprio PPL (em 2). O partido também apresentou 71 candidatos aptos ao cargo de vice-prefeito, cujas chapas eram encabeçadas (cargo de prefeito) pelo próprio partido (em 28), pelo PT (em 12), pelo PSDB, PP, PMDB e PSB (em 4 cada um), pelo PTB e PDT (em 3 cada um), pelo PR e PPS (em 2 cada um), pelo PSC, PRP, PRTB, PTdoB e PCdoB (em 1 cada um).”

Apenas enumerar essa sopa de letrinhas é o bastante para ver que o PPL não passa de uma entre tantas siglas que setores das elites locais usam para se perpetuar no poder, trocando de sigla quando necessário. Mas dois exemplos específicos são também bastante reveladores.

Em Salvador o PPL hoje ocupa o cargo de vice na prefeitura de ACM Neto. Célia Sacramento, era do PV nas eleições de 2012, quando se elegeu ao lado de candidato do DEM. Depois de entrar no PPL permaneceu no cargo e na gestão da prefeitura. Para as eleições em 2016, Celia Sacramento e a direção regional do PPL ainda aguardam a definição do DEM e estão de brações abertos a repetir a dobradinha.

No Distrito Federal o caso é ainda mais sinistro, se é que é possível. Dois integrantes do PPL, a deputada distrital Telma Rufino e o então presidente do PPL foram acusados de envolvimento em uma rede de estelionato, que falsificava documentos e abria empresas frias para, com a ajuda de gerentes, conseguir empréstimos bancários que não eram pagos. Supostamente, parte do dinheiro iria para campanhas do PPL. Telma Rufino terminou expulsa, mas Marco Antônio Campanella, ex presidente do DFTrans e também citado nas investigações não. Campanella inclusive está envolvido em outro escândalo, ainda mais grave, no tempo em que foi presidente do DFTrans. A CPI concluída em abril terminou pedindo o indiciamento de 17 envolvidos, entre eles Campanella. E segue até sendo suplente de deputado federal e vice-presidente do PPL no DF.

Como cereja do bolo, segundo o Congresso em Foco, o PPL recebeu R$55 mil de empreiteiras investigadas na Lava Jato. Parte clara do fisiologismo com os recursos públicos como qualquer partido burguês.

Diante desses fatos, nos perguntamos se a definição do PSOL gaúcho contra a coligação com partidos citados na Lava Jato é pra valer ou é só pra fazer a defesa da operação conduzida Sergio Moro? O veto se estenderá também ao PPL ou só vale pra quem recebeu mais dinheiro? Ainda que não houvesse esse escândalo do DF, e a grana da lava jato, não seria suficiente ver os aliados preferenciais deste partido para se convencer do seu caráter burguês e incompatível com uma frente de esquerda?
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