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GOVERNO TEMER

Quem é Geddel Vieira Lima, provável ex-ministro de Temer?

Saiba mais sobre a trajetória política do influente líder do PMDB da Bahia que foi do carlismo ao lulismo ao golpismo e teve uma importante evolução patrimonial nos últimos anos.

domingo 20 de novembro| Edição do dia

Geddel Vieira Lima galgou alguns degraus com o golpe institucional. De eterno concorrente, derrotado, ao governo do Estado da Bahia conseguiu subir de posições do já importante cargo de Ministro da Integração Nacional no segundo mandato de Lula para o cargo de Secretário de Governo de Temer. Em meio a sua ascensão política também subiu alguns andares na lista dos políticos nacionais com seus vastos privilégios pecuniários. O 23o andar do luxuoso La Vue Ladeira da Barra deve lhe custar o cargo além dos pelo menos R$ 2,6 milhões do apartamento.

Segundo denúncias feitas pelo ex-ministro da cultura Calero, Geddel, um dos mais influentes ministros do governo Temer teria lhe pressionado a reverter um parecer do IPHAN que inviabilizava a continuidade do luxuoso espigão. Calero teria relatado essa pressão a Temer que nada fez, o ministro demissionário resolveu sair jogando uma nova bomba no governo golpista.

Até o momento Temer tem negado que irá demitir Geddel, porém a abertura de um novo flanco de denúncias, agora de favorecimento pessoal, sob seu governo acontece ao mesmo tempo que o PMDB do Rio tem suas principais lideranças encarceradas o que só aumenta a instabilidade no governo golpista.

Saiba mais sobre o líder do PMDB da Bahia

Recorrente pivô de escândalos de corrupção, o líder bahiano do PMDB é um político herdeiro do carlismo, a corrente político de ACM que dominou a política bahiana desde a ditadura. No auge do lulismo aderiu ao mesmo para rapidamente exigir sua parte do vatapá do dinheiro público.

Foi cinco vezes deputado federal, começando a exercer seu mandato em 1991 como parte do carlismo e da base de apoio de Collor. Em 1993 foi um dos nomes citados no escândalo dos "anões do orçamento", que consistia no desvio de verbas do orçamento para deputados do "baixo" e "alto clero", o nome da na época ao agora famoso (novamente) centrão. Segundo as denúncias, Geddel era o operador do esquema para seu padrinho político o carlista bahiano João Alves que naquele ano de 1993 teve a "sorte" de ganhar 53 vezes na loteria federal.

Tendo se safado de punição neste esquema que puniu seu "sortudo" padrinho político bem como Ibsen Pinheiro, cacique nacional do PMDB, Geddel continuou exercendo seu mandato e foi influente membro da base de apoio de FHC e parte dos mandatos carlistas em seu estado natal.

Em meio à crise econômica e social no segundo mandato de FHC Geddel "trocou de camisas" e passou a ser um crítico de FHC e do carlismo. Neste momento disputou prévias no PMDB. Itamar Franco o definiu como "um percevejo de gabinete" sempre buscando um orçamento e alinhamento político que confira vantagens.

No mesmo tom o nada isento em assuntos de corrupção ACM atacou seu ex-braço direito em 2001 divulgando um vídeo que chamou de "Geddel vai às compras". Este assunto repercutiu na mídia na época, neste episódio ACM acusava parte do núcleo duro do atual governo golpista, Geddel, Jader Barbalho e Eliseu Padilha de formarem uma quadrilha que tinha vastas propriedades a partir de esquemas de corrupção.

Com a ascensão de Lula, Geddel opera mais uma transformação em sua política de percevejo na expressão de Itamar. Passa a apoia-lo e mover-se para contribuir que todo PMDB do nordeste faça o mesmo. Por isso é apaniguado com o importante cargo de ministro da integração nacional. Gastou boa parte de todos os vastos recursos (legais) do orçamento do ministério em seu estado natal procurando se promover a governador. Segundo denúncias da grande mídia cerca de 90% dos gastos do ministério tiveram esse fim.

Sua tentativa infrutiféra de ganhar o governo do estado da Bahia contra o PT leva-o a ruptura com o PT e o lulismo. Mas mesmo derrotado, em gesto típico da conciliação promovida pelo PT e de seu caráter de chupim de orçamentos e cargos foi nomeado vice-presidente da Caixa Econômica Federal.

Com Temer e o golpe ascendeu ao importante cargo de secretário de governo, podendo figurar ao lado de Padilha e outros PMDBistas parceiros em esquemas políticas, e acusados de parceria em esquemas de corrupção.

Geddel é citado na Lava Jato como beneficiário de vastos recursos entregues pela empreiteira OAS e ainda tem sob si importantes denúncias de aumento de patrimônio. Quando concorria a eleição de governador em 2010 já era alvo de suspeitas por um importante crescimento de patrimônio quando foi ministro: aumentando sua fortuna declarada de R$ 2,1 milhão para R$ 3,7 milhão. Nas eleições ao senado em 2014 seu patrimônio (declarado) já era de R$ 5,9 milhões. Suspeita-se quem tenha crescido mais em mais uma importante aproximação sua ao poder.

Geddel é uma típica expressão não só dos políticos golpistas de Brasília mas da fina flor do que eram os aliados do PT no poder.




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