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Quem culpar por Betsy DeVos?

Na terça, Betsy DeVos foi confirmada como Secretária da Educação. Ela é totalmente desqualificada e busca desmantelar a educação pública como conhecemos. Quem é o culpado por sua indicação?

sexta-feira 10 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Betsy DeVos sem dúvida, a menos qualificada, a personalidade mais anti-escola pública para ser nomeada como Secretária da Educação. Nunca trabalhou, frequentou ou estudou em escola pública, sua única experiência na área educacional foi no lobby para desmantelar a educação pública. O New York Times relatou que DeVos é uma lobista que usou seu dinheiro para comprar influência na educação – um sistema educacional que ela de forma alguma e em nenhum momento de sua vida como uma estudante, uma acadêmica, uma professora ou mãe esteve engajada. DeVos lidera a pró-charters e pró voucher, “sem fins lucrativos”, Federação Americana das Crianças, que defende como solução para a educação: todos os pais possam escolher; todos os pais sabem o que eles querem na educação de seus filhos. O modelo de DeVos expande o repasse público para escola privadas. Seu novo posicionamento como Secretária da Educação irá permitirá expandir essa política em escala federal.

Durante as audiências no Senado, ela foi incapaz de responder questões básicas no que diz respeito à gestão da educação pública. Ela defendeu armas na escola, argumentando que elas são necessárias para defender os estudantes de ursos pardos. Suas declarações por escrito ao Senado incluíam seções plagiadas da Procuradora-Geral Adjunta Vanita Gupta, chefe da Divisão de Direitos Civis no Departamento de Justiça do governo Obama. DeVos não apenas é um falcão da privatização – ela é um falcão da privatização que não sabe nada sobre educação pública.

Quem culpar por sua nomeação?

Claramente, nós devemos começar por culpando Trump e o partido republicano, que apesar da inaptidão de DeVos no que diz respeito a educação pública, impulsionaram a nomeação dela. Apesar de DeVos claramente saber pouco sobre a educação pública, ela irá forçar uma agenda de privatização. Isto é bom o suficiente para a maioria dos republicanos. Entretanto, a confirmação de DeVos não foi impulsionada sem fissuras dentro do partido, com dois republicanos quebrando com a linha do partido para se oporem à DeVos.

Ainda que, nós devemos culpar também o Partido Democrático que promoveu a agenda pró-charter na educação pública. Corrida para Topo, um programa começou pela administração Obama em 2009, fez estados competirem por fundos federais de educação baseados em sua implementação de duas iniciativas primárias: espalhar escolas Charters e, introduzir pagamento por mérito aos professores. Ao invocar a "Agenda Neoliberal de Obama" (2009), o teórico da educação Jean Anyon coloca o problema em termos inequívocos, dizendo: "A privatização construída no NCLB e Corrida para o Topo acelera a tendência do século XX para moldar a educação pública nos interesses das preocupações corporativas ". O programa da Betsy DeVos é uma continuação desta tendência, não uma ruptura com as políticas de educação dos democratas.

Além disso, os Democratas não implantaram um movimento efetivo para combater DeVos. Os Democratas gastaram dias adiando a confirmação de DeVos, tentando negociar acordos com os republicanos. Nas últimas 24 horas, os democratas gastaram um dia e noite segurando o plenário do Senado em um altamente simbólico, ato de resistência à confirmação de DeVos. Este é o mesmo partido Democrático que concorda com muitas das posições de DeVos, ao passo que elas avançam as charters e a privatização por anos.

Os Democratas encorajaram as pessoas à se oporem a DeVos chamando seus Senadores, uma estratégia que milhares abraçaram. Tantas pessoas chamaram seus Senadores que era impossível passar. As linhas telefônicas estavam congestionadas por dias, enquanto as pessoas expressavam sua repugnância à escolha de Trump para o gabinete. Isso demonstra uma imensa vontade de lutar na esteira dos milhões que tomaram as ruas na Marcha das Mulheres em Washington e nos protestos do aeroporto.

As linhas de telefone congestionadas são um contraste austero à ação simbólica, mas ineficaz que os democratas tomaram, sentando-se sozinhos no Senado a noite toda. Uma maneira mais eficaz de resistir a DeVos? Pergunte aos milhares de pessoas que chamaram para se opor DeVos para tomar as ruas em todo o país. Organize um "Dia contra o DeVos" ou um "Rally para a Educação Pública" no fim de semana antes da confirmação - mobilize as pessoas para mostrar que elas não só interferirão com as linhas telefônicas, mas também com as ruas para combater DeVos e seu projeto de privatização.

Outro ator central que recusou mobilizar pessoas e é, portanto, parcialmente responsável pela nomeação de DeVos, são os sindicatos dos professores. Os sindicatos unilateralmente saíram em oposição à DeVos, no entanto, se recusaram a mobilizar os professores em uma ação unida contra DeVos. Randi Weingarten, o presidente da Federação Americana de Professores, chamou a senhora DeVos “a mais ideológica nomeação anti educação pública” na história dos Estados Unidos. Se esse é o caso, eles deveriam ter usado todas as suas armas em seu arsenal para lutar contra a nomeação de DeVos. Os líderes dos sindicatos dos professores devem parar de confiar no Partido Democrático se eles realmente quiserem combater DeVos e os ataques que irão vir. Eles devem, ao contrário, confiar na força dos professores e na unidade com toda a classe trabalhadora que será atacada pela nova administração. Eles devem chamar os professores para tomarem as ruas; eles devem impulsionar os professores a saírem ao lado dos estudantes, expressando o desgosto com DeVos.

A velha estratégia de chamar seu Senador é impotente, como demonstrou a nomeação de DeVos apesar do protesto público. Esses são tempos extraordinários de ataques profundos da direita e requerem medidas extraordinárias. Salvar a educação pública norte-americana exige mobilizações de massas nas ruas e a organização dos professores.




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