Mundo Operário

Quem a USP pune (ou não) e por que?

Pablito Santos

Executiva Estadual da CSP-Conlutas

quarta-feira 1º de julho de 2015| Edição do dia

O processo disciplinar da USP contra o diretor da EACH (USP-Leste), José Boueri, investigado pela contaminação daquele campus – que levou ao seu fechamento por meses, com cancelamento de atividades didáticas, e à exposição da saúde de milhares de estudantes e funcionários, com casos de adoecimento comprovados – continua tramitando, mas já é sabido que a recomendação da comissão processante é de 30 dias de suspensão.

Ao mesmo tempo, a reitoria abriu procedimento pedindo a demissão porjusta causa de Marcello ’Pablito’ por participar de manifestação em defesa da universidade e da adoção de cotas raciais, junto aos trabalhadores, estudantes e ao movimento negro, o que tem sido respondido com umaforte campanha.

Em outra comparação, diretores do SINTUSP foram intimados em processos criminais sobre a greve de 2014, e ao depor chamados a justificar o fechamento de restaurantes durante a paralisação, e o não oferecimento de 13 mil refeições. O argumento foi parecido quando a reitoria tentou – e não conseguiu – que a greve fosse declarada abusiva em função da redução do atendimento do HU.
Mas então caberia perguntar quem na administração da universidade será punido, ou sequer investigado, pelas decisões defechamento de leitos e serviços no HU, vagas nas creches e de um dos restaurantes.

Fica claro que a reitoria é seletiva ao processar e punir. A repressão está a serviço de fazer passar suas medidas e odesmonte da universidade. Por isso é fundamental ligar a luta por essas pautas à defesa dos lutadores. Ambas as questões estão em negociação com a reitoria, que se mostra cada vez mais intransigente. Só a organização dos trabalhadores e estudantes, combinada a uma forte campanha democrática buscando como aliados todos os que defendem o direito de manifestação e a universidade pública, pode barrar esses processos.




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