Política

CASO QUEIROZ

Queiroz depositou R$ 72 mil para Michelle, desmentindo versão de Bolsonaro

Quebra de sigilo bancário de Queiroz revelou mais de 21 cheques depositados por Fabrício Queiroz na conta da primeira dama Michelle Bolsonaro, totalizando um valor de R$ 72 mil, acima do valor que Bolsonaro afirmou ter emprestado ao miliciano.

sexta-feira 7 de agosto| Edição do dia

Extratos bancários do ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz anexados à investigação sobre suposto esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Boslonaro enquanto deputado estadual no Rio revelam que o ex-PM depositou 21 cheques em nome da primeira-dama Michelle Bolsonaro. As movimentações datam de outubro de 2011 a dezembro de 2016, em valores de R$ 3 mil e R$ 4 mil que somados chegam a R$ 72 mil.

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O detalhamento dos depósitos de Queiroz em nome de Michelle foi revelado pela Revista Crusoé nesta sexta, 7, e confirmado pelo Estadão.

Em 2018, quando o caso Queiroz veio à tona, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) anexado aos autos da Operação Furna da Onça já havia citado um cheque de R$ 24 mil depositado pelo PM em favor da mulher do presidente Jair Bolsonaro.

Logo em seguida, o presidente apresentou sua versão dizendo que o valor seria referente a parcela do pagamento de um débito antigo de Queiroz com ele. Além disso, apontou que o montante depositado em favor de Michelle seria ainda maior: R$ 40 mil.

Os extratos bancários de Queiroz são um novo capítulo da história e apontam que os depósitos do ex-assessor para Michelle chegam a R$ 72 mil e foram realizados da seguinte maneira:

- 2011 - três cheques de R$ 3 mil compensados em outubro, novembro e dezembro

- 2012 - três cheques de R$ 3 mil compensados em janeiro, fevereiro e julho

- 2013 - dois cheques de R$ 3 mil compensados em fevereiro e abril

- 2016 - sete cheques de R$ 4 mil compensados em abril, maio (2), junho, julho, novembro e dezembro

Segundo a reportagem da Crusoé, nos extratos bancários de Queiroz não há depósitos feitos por Bolsonaro na conta do ex-PM. A publicação diz ainda que entre 2007 e 2018 foram registrados créditos de R$ 6,2 milhões na conta do ex-assessor - R$ 1,6 milhão identificado como salários, R$ 2 milhões atrelados a depósitos do gabinete de Flávio na Alerj e R$ 900 mil em espécie sem identificação.

Após ter sido preso na casa do advogado da família Bolsonaro, Queiroz encontra-se atualmente em prisão domiciliar, gentilmente concedida pelo presidente do STJ, João Octávio Noronha, que pleiteia uma vaga no STF e já foi elogiado por Bolsonaro.

A medida que se aperta o cerco em torno do caso Queiroz as mentiras da família Bolsonaro vão despontando. Entretanto, todo o caso corre ao sabor da crise política, depois de um período de ofensiva, vemos como em meio a trégua o judiciário seleciona os fatos para seguir sangrando o clã reacionário sem contudo escalar novamente a crise. Por isso, não podemos confiar nessa seletividade do judiciário para investigar e condenar a corrupção e as ligações com as milícias da família Bolsonaro.

Com informações Agência Estado




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