Mundo Operário

AJUSTE FISCAL

Queda na produção industrial aumenta a pressão dos patrões por maiores ajustes

Flávia Silva

Campinas @FFerreiraFlavia

sábado 2 de abril de 2016| Edição do dia

Nesta sexta-feira, 1, o IBGE divulgou nova pesquisa mensal da indústria com novos dados que revelam o tamanho e a gravidade da crise econômica que atinge o setor produtivo do país que já se reverte em milhares de demissões como viemos denunciado aqui no Esquerda Diário. Foi registrada uma retração de 2,5% na atividade industrial do país entre janeiro e fevereiro deste ano, uma queda decorrente de resultados negativos em 13 das 24 atividades pesquisadas. A principal influência negativa foi registrada pelo ramo de veículos automotores, reboques e carrocerias, que apresentou uma queda de 9,7% na produção em fevereiro ante janeiro.

Na comparação entre fevereiro deste ano e o mesmo período de 2015, a queda na produção industrial é ainda mais expressiva e generalizada, o setor industrial teve retração de 9,8%. O principal impacto negativo novamente foi do setor de veículos automotores, cuja produção despencou 29,1%.

Outros setores

A queda na produção industrial (na comparação entre fevereiro e janeiro deste ano), atingiu importantes setores e que empregam grande número de trabalhadores como os de máquinas e equipamentos (-6,7%), produtos alimentícios (-1,7%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,5%), metalurgia (-1,5%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-2,6%), produtos de borracha e de material plástico (-1,6%) e outros equipamentos de transporte (-3,3%).

Em relação ao mesmo período de 2015, a indústria registrou perdas em 21 dos 26 ramos investigados em fevereiro, informou o IBGE. Outras contribuições negativas para o total nacional vieram das indústrias extrativas (-12,1%), máquinas e equipamentos (-27,9%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-33,1%), metalurgia (-12,1%), produtos de borracha e de material plástico (-15,6%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-21,1%), produtos de metal (-12,7%), outros equipamentos de transporte (-24,0%), produtos de minerais não-metálicos (-9,6%), produtos têxteis (-11,8%) e bebidas (-5,1%).

Queda no consumo de eletrodomésticos e veículos: consequência da crise

Ainda nesta comparação, a fabricação de bens de consumo duráveis (como os eletrodomésticos) recuou 5,3% em fevereiro ante janeiro. Segundo o IBGE, esta queda é resultado de alguns fatores conjunturais que vêm afetando a produção tais como: uma maior restrição de crédito, juros mais altos, redução na renda do trabalhador e maior comprometimento da renda das famílias, entre outros, fruto do ajuste fiscal neoliberal de Dilma e dos efeitos da crise econômica mundial no país.

A crise na indústria e o ajuste patronal

Com a continuidade da tendência de queda na produção na indústria em todos país e em grande parte dos setores produtivos e que mais empregam mão-de-obra, as pressões dos empresários e capitalistas das multinacionais por maiores ajustes contra os trabalhadores (incluindo os chamados “ajustes estruturais” como a flexibilização das leis trabalhistas e aumento da terceirização) devem seguir crescendo o que favorece, hoje, maiores pressões pelo impeachment ou, no mínimo, por ajustes mais duros, num eventual governo Dilma-Lula ministro.

Para “segurar” os capitalistas da queda no consumo da produção industrial, como de veículos por exemplo, o governo Dilma já veio utilizando o PPE, porém este mecanismo até agora só significou redução de salário e mais demissões para os trabalhadores do que recuperou a produção. Diante da profundidade da crise no país, as políticas de salvamento do PT aos capitalistas está sendo insuficiente, o que faz estes mesmos empresários a exigirem ataques ainda mais profundos aos trabalhadores para que sejam estes os que paguem pela crise.

Setores burgueses apostam no aumento das exportações para estacarem os efeitos da crise, porém estas exportações estão ancoradas no empobrecimento da população, em salários arrochados, demissões e terceirizações, via desvalorização do dólar e redução do consumo interno.

Por um plano de luta para que os trabalhadores não paguem pela crise

A única forma de enfrentar a crise econômica é por meio da organização da classe trabalhadora, independente dos governos e com um plano de lutas contra o impeachment e os ajustes do governo do PT. Por isto, também é fundamental a criação de um movimento nacional contra os ajustes e as demissões, e que a esquerda exija que a CUT e a CTB rompam como o governo Dilma e mobilizem sua base para as lutas e para construir uma alternativa dos trabalhadores para a crise política e econômica no país. Uma resposta de fundo para que os trabalhadores não paguem pela crise causada pela sede de lucros dos empresários, que inclusive possa responder a demanda por emprego para todos e pela estatização sob controle dos trabalhadores das empresas em falência, passa pela construção de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.




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