Internacional

CATALUNHA

Que estão esperando o Podemos e os sindicatos para convocar mobilizações de solidariedade à Catalunha?

Mais de um mês depois da escalada repressora, contando já com dois presos políticos (Jordi Sánchez, presidente da ANC, e Jordi Cuixart, da Òmnium), os dirigentes sindicais e da esquerda reformista seguem negando-se a convocar qualquer medida de luta em apoio à Catalunha.

terça-feira 17 de outubro| Edição do dia

Tradução: André Arruda

Registros impressos, edifícios da Generalidade, sedes de partidos e entidades soberanistas, cargos públicos detidos, uso policial para sequestro de urnas, mais de 800 feridos, censuras na web e na imprensa... e agora... dois presos políticos. Dois reféns do Estado com os quais se pretende impor uma derrota total à luta democrática de um povo que há mais de cinco anos se mobiliza pelo direito de decidir e que, no último 1-O nas urnas e no 3-O numa greve geral, expressou sua vontade majoritária de conformar uma república independente.

Senhores Pablo Iglesias, Alberto Garzón, Unai Sordo e José María Álvarez, dirigentes respectivos do Podemos, Izquierda Unida, CCOO e UGT, do que mais vocês precisam para convocar uma mobilização em solidariedade com a Catalunha e contra esta escalada repressora?

Essa regressão autoritária começa na Catalunha, mas se triunfa hoje contra o movimento catalão, se aprofundará depois no resto do Estado espanhol. Porém, para além disso, a sua passividade garante que o veneno do anticatalanismo se estenda por cada vez mais setores de trabalhadores e de setores populares. A unidade da classe trabalhadora e dos setores populares de todo o Estado só pode ser solidificada em uma luta comum que parta do reconhecimento do direito à independência do povo catalão.

A juiza que mandou hoje para a prisão os dois "Jordis" é a mesma que quer condenar a mais de 300 anos de prisão os jovens de Alsasua. O Tribunal do qual faz parte, a Audiência Nacional, foi alimentado de juizes do Tribunal de Ordem Pública franquista e é o mesmo que permite que Urdangarín siga desfrutando de sua boa vida suíça, que absolveu a infanta e mandou Rato para casa. Força bruta pra arrasar direitos e liberdades democráticas e uma delicadeza de veludo para tratar com os banqueiros e com os políticos capitalistas. E todo o apoio de Felipe VI, que convocou pela ordem todos os agentes do Regime para se disciplinarem ao plano do "General Rajoy". Existe alguma dúvida de que combater este regime é uma tarefa comum de todos os setores populares das duas margens do rio Ebro?

Vocês dirão que já declararam que tais atos lhes parecem fatais. Porém declarações não são suficientes contra estes abusos. Não basta intervir no Parlamento que se converteu no antro da "grande coalizão" reacionária do PP, Ciudadanos e do PSOE, abençoada pela Zarzuela, pelo Exército e pelas Corporações de Segurança do Estado e do Judiciário por completo. Não, senhores.

Muito menos quando, por sua vez, promovem uma "reforma" do regime pelas mãos do PSOE, com o apoio da Corona que tanto se negam a questionar, o que manteria tudo "atado, bem atado". Até agora a única medida de mobilização que tomaram foi apoiar as "marchas de branco". Uma mobilização que estabelecia uma equidistância incrível entre a aplicação do 155 e da Declaração Unilateral de Independência. A primeira é uma medida de exceção, que além de suspender a autonomia catalã, já prevê uma série de medidas para acompanhá-la. A segunda, ainda que não compartilhemos que seja uma via suficiente para efetivar o resultado do 1-O, é uma medida legítima e democrática, que responde uma vontade expressa contundentemente em um referendo onde mais de 2 milhões votaram sob a violência e a ameaça dos policiais.

Vocês possuem 71 deputados nas Cortes, dezenas de deputados regionais, centenas de conselheiros, governam as principais capitais, dirigem a maior parte dos comitês de empresa de todo o Estado... e, sobretudo, possuem respaldo de milhões de trabalhadores e jovens que estão espantados e indignados com a investida de um regime que a cada dia dá um passo adiante em sua bonapartização. Por que vocês não usam este capital para tentar paralisar esta ofensiva e impulsionar uma grande mobilização contra a Coroa e o Regime de ’78?

O encarceramento dos presidentes da ANC e da Òmnium é um fato grave o suficiente para que se rompa com esta política de "oposição leal à sua Majestade". Podemos, Izquierda Unida, CCOO e UGT devem convocar agora mesmo grandes manifestações pela sua liberdade imediata e contra a repressão.

Na Catalunha, estas duas centrais sindicais, que também são majoritárias, devem convocar a Greve Geral que se negaram a apoiar no 3-O, e acabar com a sua posição mesquinha de não reconhecer os resultados do 1-O. No resto do Estado todas estas organizações devem promover uma campanha de assembleias e paralisações nos locais de trabalho e de estudo, que lutem contra a catalãfobia que o regime está tratando de difundir entre os trabalhadores e setores populares, e prepare mobilizações em apoio aos direitos dos catalães de constituir sua própria república, para desenvolver uma luta comum contra o Regime de ’78 e pela abertura de processos constituintes na Catalunha e no resto do Estado.

Iglesias, Garzón, Sordo e Álvarez deverão decidir de que lado querem estar, se no flanco esquerdo de um regime reacionário ao qual pretendem "reformar" algo, ou do lado do povo catalão e daqueles setores populares que, ombro a ombro com o todo o resto do Estado, querem acabar com o regime herdeiro da Ditadura que hoje faz jus às suas origens nefastas.




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