Sociedade

DERROTAR A EXTREMA-DIREITA NA LUTA DE CLASSES

Que a CUT e CTB convoquem assembleias e comitês com urgência para derrotar Bolsonaro

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André e militante do MRT

quarta-feira 10 de outubro| Edição do dia

O fortalecimento de Bolsonaro e sua ida para o segundo turno como um vitorioso quase certo das eleições reforçam o caráter de urgência na luta contra o ascenso dessa extrema-direita que prega os valores mais reacionários, como o machismo, o racismo e a homofobia, além de ter um plano de governo para atacar todos os direitos dos trabalhadores, os direitos sociais do povo pobre e privatizar todo o patrimônio nacional.

Diante disso, o Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) se posicionou debatendo como construir uma forte luta capaz de vencer essa difícil e imprescindível batalha.

As eleições foram manipuladas a cada passo pelo judiciário, tuteladas pelo exército, e com apoio da grande mídia, para que os candidatos que defendem a continuidade do programa golpista de Temer fossem os favoritos. Com o naufrágio da candidatura de Alckmin, todos embarcaram de cabeça em Bolsonaro. O PT, que durante anos conciliou com os capitalistas e a direita, abrindo caminho para o golpe e para a extrema-direita, vê nas urnas a única perspectiva de se contrapor a Bolsonaro, mas os ataques nas ruas e as declarações golpistas de Mourão e Bolsonaro saudosos da ditadura deixam muito claro que esse combate não será vencido nas urnas.

Acompanhamos todos os que veem hoje na candidatura de Fernando Haddad uma forma de impedir a vitória eleitoral de Bolsonaro, e, ressaltando que não depositamos nenhuma confiança no PT, que já está fechando seus acordos para nos atacar caso seja eleito. Por isso votamos criticamente na candidatura de Haddad.

Mas dizemos claramente que é apenas a força dos trabalhadores, junto a todos os setores oprimidos que Bolsonaro quer esmagar com punho de ferro, que podem barrar essa extrema-direita. Por isso, as centrais sindicais, e principalmente CUT e CTB, dirigidas pelos partidos de Manuela D’Ávila e Haddad, precisam imediatamente romper com sua paralisia e convocar assembleias e comitês de base onde os trabalhadores possam se colocar como sujeitos para organizar sua luta contra Bolsonaro.

Essas mesmas centrais traíram, em 2017, a imensa disposição de luta dos trabalhadores que ficou demonstrada na paralisação nacional de 28 de abril, que barrou a reforma da previdência e poderia ter barrado todos os ataques do Temer. Isso porque as direções burocráticas da CUT e da CTB queriam canalizar todo esse ódio para as urnas. Isso permitiu que Bolsonaro se catapultasse como líder nas pesquisas, somado às manobras autoritárias absurdas do judiciário que proscreveu a candidatura do Lula.

Os trabalhadores precisam exigir, em todos os locais de trabalho, que os sindicatos convoquem imediatamente medidas de organização, espaços democráticos onde os trabalhadores possam debater medidas que vão além do voto para conseguir fazer frente ao ascenso de Bolsonaro. Não há mais tempo para nenhum tipo de vacilação, agora é a hora para mostrarmos a imensa força dos trabalhadores e esmagarmos a extrema-direita e seus ataques.




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