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PALESTINA

Quatro palestinos são assassinados em Gaza pelo Exército de Israel este sábado

sábado 9 de dezembro de 2017| Edição do dia

Corpos de mais dois palestinos foram encontrados na manhã deste sábado, 9, na Faixa de Gaza, em meio confrontos com soldados israelenses no “dia de fúria” dos muçulmanos contra a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. Neste sábado, ataques aéreos do sionista Benjamin Netanyahu mataram mais duas pessoas, e o total de mortos subiu para pelo menos quatro - todos palestinos

Os confrontos mais violentos ocorreram em cidades da Cisjordânia, após os líderes do Hamas convocarem a população para uma nova intifada – “levante”, em árabe. Pelo menos 300 pessoas ficaram feridas e até agora 4 pessoas morreram. Nas cidades de Hebron, Belém, Jericó e Nablus, os manifestantes arremessaram pedras contra as forças israelenses, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Neste sábado, os israelenses seguiram a defensiva e fizeram ataques aéreos.

Na sexta, o Hamas lançou três foguetes contra o sul de Israel. Dois foram interceptados pelo sistema antimísseis conhecido como “Domo de Ferro”. O terceiro atingiu a cidade de Sderot, acertando carros sem deixar feridos. “As Forças de Defesa responsabilizam apenas e tão somente o Hamas por todos os atos hostis que emanam da Faixa de Gaza contra Israel”, escreveu o Exército.

A reação contra a declaração de Trump se espalhou. Após as tradicionais orações de sexta-feira, centenas de pessoas marcharam na capital iraniana, Teerã, onde os clérigos pediram aos palestinos que preparem uma revolta. Manifestantes jordanianos tomaram as ruas em Amã e milhares de turcos se reuniram em Istambul e outras cidades do país. No Cairo, os manifestantes se reuniram na Mesquita de Al-Azhar, onde cantaram: “Com sangue e alma, nos sacrificaremos por você, Al-Quds!” – nome árabe de Jerusalém.

Em Amã, na Jordânia, um dos dois únicos países, ao lado do Egito, que assinaram um tratado de paz com Israel, o protesto reuniu mais de 20 mil pessoas. Muitos portavam cartazes e gritavam que “Jerusalém é capital da Palestina”. Irã e Arábia Saudita, inimigos ferrenhos que lutam pela hegemonia no Oriente Médio, emitiram opiniões similares sobre a decisão americana.

O príncipe Turki bin Faisal, ex-chefe dos serviços de inteligência da Arábia Saudita, afirmou que a decisão americana foi um “passo irresponsável”. O presidente do Irã, Hassan Rohani, afirmou que o país “não vai tolerar” o que considera uma violação internacional dos americanos. Hassan Nasrallah, líder da organização libanesa xiita Hezbollah, apoiada pelo Irã e com milhares de mísseis apontados para Israel na fronteira do Líbano, exortou os palestinos a se levantarem contra os israelenses.

A decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel não só significa um respaldo aberto ao governo direitista e colonialista de Netanyahu, mas também uma provocação aberta ao povo palestino que considera Jerusalém como a capital do futuro estado próprio. As repercussões vieram de imediato não só no rechaço da maioria dos países, mas também nos protestos que começaram em todo o Oriente Médio, uma região que por si já é convulsiva e que com a decisão de Trump, ameaça acender fogo.




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