Sociedade

Quarentena (nada) inteligente de Doria faz shopping abrir pela metade na divisa de municípios

O fato aconteceu no Shopping Iguatemi Esplanada, que começou o dia segmentado em duas partes: uma com todas as lojas abertas e outra com a maioria dos estabelecimentos fechados. A razão disso reside na política de quarentena “inteligente” de João Doria, que colocou as duas cidades em classificações diferentes quanto à possibilidade de retomada do comércio, gerando assim, a situação absurda, como se alas de um mesmo edifício não tivessem os mesmos riscos para transmissão do coronavírus.

quarta-feira 24 de junho| Edição do dia

No início desta semana, um fenômeno que desafia os limites da inteligência de qualquer trabalhador ou estudante comum ocorreu na divisa entre os municípios de Sorocaba e Votorantim, localizados no interior do Estado de São Paulo. O fato aconteceu no Shopping Iguatemi Esplanada, que começou o dia segmentado em duas partes: uma com todas as lojas abertas e outra com a maioria dos estabelecimentos fechados. A razão disso reside na política de quarentena “inteligente” de João Doria, que colocou as duas cidades em classificações diferentes quanto à possibilidade de retomada do comércio, gerando assim, a situação absurda em que alas de um mesmo edifício não teriam os mesmos riscos para transmissão do coronavírus.

Diante disso, fica claro que a suposta sabedoria dessa flexibilização não encontra fundamento em qualquer preocupação mínima com a vida do povo pobre, como Doria vem fingindo demonstrar na sua demagogia de oposição “sensata” ao presidente Jair Bolsonaro. Afinal, tanto a burrice escrachada do governo federal quanto a quarentena inteligente do governador paulista tem fundamento na mesma lógica irracional que é base do sistema capitalista: garantir o lucro dos empresários a qualquer custo.

Dessa forma, não importa para Doria se a transmissão do COVID-19 não respeita linhas artificiais, linhas que só existem nos mapas porque a burguesia dividiu o interior do estado em municípios, de acordo com seus empreendimentos e fazendas de café no passado. Também não importa para o governador o fato de que a classe trabalhadora de Sorocaba contava, na manhã de hoje (24), apenas com mais seis leitos de UTI disponíveis na rede pública da cidade. Pelo contrário, todas as mortes já faziam parte do seu cálculo macabro e, conforme denunciamos aqui, seria “aceitável e razoável” o atual recorde de mortes na pandemia.

A única coisa que realmente importa para o governador é atender os interesses dos patrões do interior de São Paulo, região que já ultrapassou o número de casos da capital em razão dessa inteligência de Doria, cujo tamanho compete com a do Presidente e obviamente fica abaixo de todos os operários do país que sabem que isso é um equívoco. Para os trabalhadores, a linha demarcatória entre municípios não faz diferença na forma como a burguesia joga a crise em suas costas, pois o único traço que interessa é aquele que separa a fome do desemprego e a sobrevivência. Mas é possível transformar essa situação desesperadora para imensa maioria do povo pobre em uma rua sem saída para os que seguem lucrando com a morte.

Se os trabalhadores controlassem eles próprios os locais em que estão empregados, a promoção de testes massivos e a fabricação de leitos e equipamentos poderiam se tornar uma realidade para enfrentar a pandemia. Além disso, utilizando todo o lucro acumulado pelos patrões até agora, aqueles que trabalham em serviços não essenciais, como os funcionários desse shopping em Sorocaba, seriam liberados e as demissões proibidas, contando com a implementação de auxílio de 2.000 reais para todos que precisarem, principalmente os desempregados.

Tudo isso deve ser conduzido em articulação com a exigência de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para que a população possa decidir as saídas para essa crise, sem confiança em setores da direita, como STF, Maia ou mesmo nos governadores que, ainda que se oponham ao negacionismo de Bolsonaro, também têm adotado uma política genocida para beneficiar os grandes empresários.




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