SÃO PAULO

"Quarentena inteligente" de Doria só é racional para os lucros dos empresários

Segundo o secretário estadual da Fazenda e do Planejamento, Henrique Meirelles, as regras do novo modelo serão apresentadas amanhã, com uma reabertura gradual começando pelo interior do estado, onde o governador sofre muita pressão dos empresários pela volta da quarentena

terça-feira 26 de maio| Edição do dia

Um dos principais demagogos em relação ao Coronavírus, João Doria, governador do estado de São Paulo, veio se colocando no campo da oposição a Bolsonaro desde o início da pandemia, aparecendo como um dos setores “sensatos” por aderir ao isolamento enquanto o presidente debocha da doença, chama de gripezinha e faz pressão pela reabertura. Ao mesmo tempo, o mesmo Doria resiste em aplicar medidas básicas de controle do vírus e tratamento dos pacientes como mais leitos de hospital, EPI’s, testes para toda a demando ou contratação de funcionários da saúde.

Agora, seguindo os passos de outro membro do clube dos “sensatos”, Eduardo Leite governador do RS, Doria pretende passar a uma reabertura gradual a partir do dia 31, começando pelo interior, onde é mais forte a pressão dos prefeitos pela normalização, que estão preocupados com o lucro dos empresários locais e assim como Doria, dispostos a rifar a vida dos trabalhadores em nome desse interesse.

Na capital a reabertura deve demorar mais, uma vez que a pressão de Bruno Covas é outra, o prefeito tentou implementar um bloqueio no trânsito das principais vias e um rodízio de metade da frota, ainda que não tenham sido efetivas. Agora o prefeito defende um lockdown, que longe de ser uma garantia maior do que a quarentena, é uma medida que deixa de fora mais uma vez medidas básicas de saúde e abre margem para um nível de repressão ainda maior do que historicamente o PSDB gosta de adotar em seus governos. Doria, entretanto, descarta a possibilidade do lockdown.

Apesar do crescente risco de colapsos em sistemas de saúde, o governo criou um Grupo Econômico para elaboração de um plano que priorize a normalização em algumas áreas de atividade econômica, esse grupo foi criado em consequência da pressão dos prefeitos do interior que estavam com poucos casos de Coronavírus nas últimas semanas. Apesar dos poucos casos, o crescimento do contágio dos interiores vem crescendo bem mais do que na capital no último período, apontando um crescimento de 300% em contraste com os 100% da capital.

Em nome do lucro, Doria e os prefeitos “sensatos” de SP passam por cima dos dados e se preparam para uma flexibilização mascarada de “quarentena inteligente”, que na verdade é um verdadeiro plano para a normalização enquanto o contágio se alastra no país que hoje é o epicentro mundial da pandemia. De fato colocam o lucro dos empresários acima da vida dos trabalhadores que morrem aos milhares.

No RS já se vê a consequência da volta gradual com aumento nas taxas de contágio desde o começo da flexibilização. Os dados mostram não só que as medidas tomadas até agora são insuficientes, mas também que é urgente a adoção de medidas radicais de combate à pandemia, não só com a garantia de testes massivos, investimento em contratações e ampliação de leitos nos hospitais, como também a reconversão de setores da produção para garantir a fabricação de EPI’s e respiradores.

Os serviços não essenciais devem seguir fechados e os trabalhadores dos grupos de risco imediatamente liberados sem consequência de corte de salário ou direitos. O sensato de fato neste momento seria a proibição de todas as demissões e implementação de auxílio de 2000 reais para todos que precisarem, principalmente os desempregados.

É um absurdo que diante de uma pandemia os trabalhadores sejam colocados para morrer, gerando lucro literalmente até seu último suspiro para a burguesia, as prioridades adotadas nesse momento pelos governos escancara a irracionalidade desse sistema e a necessidade de que os trabalhadores confiem apenas nas suas próprias forças para de fato construir uma saída para essa crise.




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