ROSA LUXEMBURGO/MARXISMO/DEMOCRACIA

Quando a bandeira da democracia muda de mãos: Rosa Luxemburgo crítica de Bernstein

Gilson Dantas

Brasília

terça-feira 8 de agosto| Edição do dia

No clássico debate Rosa Luxemburgo / Bernstein, dentre os vários tópicos da perspectiva evolucionista do socialismo daquele dirigente do partido de Rosa, um deles era o de que a democracia burguesa era um valor absoluto, que não deveria ser afrontado pela classe trabalhadora, pelos ativistas do socialismo.

Isto é, acima de qualquer consideração estratégica, na luta por uma sociedade sem classes, era fundamental preservar o chamado “Estado de direito”.

Mais especificamente, ele propunha que as lutas operárias não avançassem demasiado, ao ponto de ameaçar a democracia [burguesa]. E que, pouco a pouco, o espaço democrático seria conquistado pelos socialistas, mas sempre procurando não avançar ao ponto de “provocar” o extremismo burguês; ele propunha que proletariado e burguesia deveriam adotar um acordo tácito e explícito de preservação dos limites da democracia realmente existente, a todo custo. Senão isso assustaria os setores mais extremistas do capital e perderíamos tudo.

Esse era mais ou menos o seu argumento, só que de forma mais sofisticada. Seu pressuposto era o de que os liberais defenderiam a democracia até o fim, se o proletariado não passasse dos “limites”.

Obviamente que Rosa discordava totalmente, amparada por Marx, daquela perspectiva bernsteiniana, reformista, que supõe que o socialismo pode ser alcançado nos marcos do parlamento e do voto.

Nos debates do Clube do Livro na UnB, Serviço Social, em julho passado, com base no livro Reforma ou revolução? um dos tópicos focados foi justamente esse: a incapacidade histórica para os liberais de serem liberais. De serem consequentes na defesa mesmo da mais degradada democracia.

As décadas seguintes dariam razão histórica a Rosa. E o seu argumento, de que a bandeira da democracia já mudou, historicamente, de mãos e que somente o proletariado pode garantir e transcender os estreitos limites da democracia burguesa, dos ricos, é atual.

É o comentário do áudio abaixo, na abertura dos debates sobre o tema, no encontro passado sobre o proletariado como único suporte histórico para a efetiva luta pela democracia e pelas transformações sociais rumo ao socialismo. Como o reformismo segue ativo, aquele debate segue atual.




Tópicos relacionados

Rosa Luxemburgo   /    Marxismo

Comentários

Comentar