Sociedade

OPINIÃO

Qual o legado das Olimpíadas? CORTES para o Esporte!

Depois de R$ 40 bilhões gastos com os jogos olímpicos e paraolímpicos (dados ainda não oficiais, o gasto total divulgado pelo governo será anunciado no pós-jogos), a população brasileiro e especialmente a carioca se pergunta, qual será o legado destes caros jogos?

quarta-feira 24 de agosto| Edição do dia

Para o esporte, serão apenas mais cortes nos investimentos, mostrando como o governo interino Temer percebe como o esporte é um importante agente de transformação social e de promoção de desenvolvimento para a nossa sociedade.

No penúltimo ciclo olímpico, entre 2008 e 2012, o governo federal destinou R$ 6 bilhões para o alto rendimento, através de várias fontes: orçamento, Lei de Incentivo, Bolsa Atleta, patrocínio estatal etc. O resultado foi simplesmente nossa melhor participação da história nos jogos, com 19 medalhas, sendo 7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze. E nas para-olimpíadas a expectativa é de muito mais medalhas lembrando que nos jogos para-panamericanos de Toronto em 2015, o Brasil conquistou o primeiro lugar com 257 medalhas. Infelizmente todos esses recursos irão por água abaixo.

Para começarmos voltemos a 2015 (ainda governo Dilma) com a suspensão do programa "Atleta na escola", dois anos após seu lançamento frustrando três milhões de jovens, em 85% dos municípios brasileiros. os R$ 70 milhões previstos no orçamento 2015 entraram no corte de gastos do governo federal, para ajudar a superar o rombo nas contas públicas.

Ja entrando no governo golpista de Michel Temer, dia 07 de Junho foi anunciado pelo Ministério do Esporte a suspensão da negociação de projetos para apoio a atletas no período posterior à Rio-2016. Em seu primeiro mês à frente do órgão, o ministro Leonardo Picciani (PMDB) suspendeu um edital de R$ 150 milhões que visa justamente a garantir que os investimentos governamentais em modalidades olímpicas tenham continuidade depois do fim dos Jogos deste ano, que começam no dia 5 de agosto.

Agora a noticia mais recente, de 21 de Agosto foi o fim do "bolsa-pódio". Com o fim da Rio-2016, 220 esportistas de alto rendimento devem deixar de receber a Bolsa, a mais alta categoria da Bolsa Atleta, cujo valor varia entre R$ 5 mil e R$ 15 mil por mês. No último ciclo olímpico, entre 2012 e 2016, o Governo Federal injetou cerca de R$ 413 milhões em todos os níveis do Bolsa Atleta — um investimento 126% superior ao feito para Londres-2012, quando o aporte foi de R$ 183 milhões. Os resultados são visíveis. Entre os 465 brasileiros classificados para os Jogos, 77% são beneficiados pelo programa. Das 18 medalhas do país no Rio, apenas no ouro da seleção masculina de futebol e vôlei e no bronze de Maicon Siqueira, do taekwondo, não há dinheiro do Bolsa Pódio.

Agora saímos dos fatos e vamos a análise. Me impressiona como o governo (tanto o interino Temer quando o governo Dilma) suspende estes programas com a justificativa de cortes de gastos para conter a crise econômica, sendo que apenas 0,02% de todos os recurso da união vão para Desporto e Lazer, enquanto isso 43,98% de todas as fontes vão para Juros e Amortizações da Divida Publica. E além de cortar dos atletas os primeiros cortes são nos programas de esporte para milhões de jovens. Em um país olímpico onde a maioria das escolas não tem sequer quadras esportivas. Todo um retrato do que é a prioridade.

É impressionante como os governantes em tempos de crise nunca mexem nos seus benefícios e seus luxos e cortam migalhas para a população, ao invés de expandir estes programas, utilizar os clubes de futebol que atraem público para investirem em outras modalidades, o Estado prefere cortar os programas de baixo custo como estes mencionados, importantíssimos para o desenvolvimento do esporte nacional, só me resta lamentar pois não expectativas para uma melhoria nos quadros de medalhas nas futuras olimpíadas, em um país que tinha potencial para ser potência olímpica, só nos resta esperar para vermos Cazaquistão, Quênia, Hungria, entre outros países menores na nossa frente no quadro de medalhas nos jogos olímpicos de Tóquio em 2020.




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