Teoria

Quais são as principais deformações da tática da frente única operária?

André Augusto

Natal | @AcierAndy

domingo 1º de janeiro| Edição do dia

Lançamos este esclarecimento necessário como parte da série de notas sobre Trotsky e a Assembleia Constituinte (Parte I e Parte II aqui), que na terceira parte trata da tática da frente única operária. A tática da frente única passou à história como parte do acervo estratégico do marxismo revolucionário; mas isso não impede que ela seja apresentada normalmente em duas formas distorcidas.

Por um lado, costuma-se entender a frente única em termos de “unidade em geral”, seja como “unidade das forças progressistas” por fora de qualquer consideração das classes sociais, ou melhor, como unidade de forças de classes antagônicas, ao estilo da tradicional proposta dos partidos comunistas stalinistas na década de 1930. A partir de 1935, como resolução do VII – e último – Congresso da Internacional Comunista (quando a III Internacional já não passava de um cadáver vivo, um instrumento colateral do stalinismo para derrotar os processos revolucionários ao redor do mundo) os PCs colocavam um sinal de igual entre a “frente única” na ação, cuja negação criminosa no período anterior foi responsável pelo triunfo de Hitler na Alemanha, e a política de “frente popular”, misturando bandeiras não apenas com os reformistas mas também com partidos burgueses “progressistas” (segundo denominação de Moscou).

Ao invés de desenvolver a auto-atividade dos trabalhadores através da unificação de suas fileiras na luta comum contra a burguesia e fortalecer com isso os revolucionários, este tipo de frente política leva à paralisação das forças da classe trabalhadora.

Por outro lado, estão aqueles que consideram a tática da frente única operária como a “unidade dos revolucionários”, algo como uma “frente única desde baixo” que ignora as direções reformistas e burocráticas tradicionais do movimento de massas, anula qualquer chamado a que estas direções se posicionem sobre os problemas da luta de classes aos olhos de todos e, com isso, facilitam a política reacionária destas mesmas direções. Esta política catastrófica foi proposta pelo stalinismo na Alemanha e facilitou a negativa dos dirigentes sindicais e políticos traidores da socialdemocracia a qualquer resistência comum contra o ascenso de Hitler.

Em ambos os casos, nega-se os aspectos táticos e estratégicos da frente única operária, opondo-se à tática revolucionária tal como foi desenhada pela III Internacional quando ainda era dirigida por Lênin e Trotsky (1919-1923).




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