Educação

Escola sem partido

Quais os partidos por trás do “Escola Sem Partido” em Marília?

No último dia (04) foi publicado na mídia mariliense, que o vereador Marcos Custódio do PSC deverá colocar em pauta na Câmara Municipal projeto baseado no “Escola sem Partido” e que tal projeto já está tramitando internamente na secretaria da Câmara Municipal, é possível que seja votado entre segunda e terça-feira em plenário.

sexta-feira 8 de dezembro de 2017| Edição do dia

Quais os Partidos que querem votar o “Escola Sem Partido” Marília?

Em âmbito nacional, o PSC (Partido Social Cristão), no site oficial da câmara dos deputados, deixou bem claro seu principal objetivo nesse ano. Quando perguntado “Quais são as prioridades do partido em 2017?”, o líder do PSC, Victório Galli (MT) é categórico: “Nós vamos trabalhar sempre a pauta do governo (Temer). Nós temos prioridades muito importantes agora, que são a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência”. Ou seja, seu principal objetivo é descarregar o prejuízo da crise nas costas dos trabalhadores enquanto empresários e políticos nadam em privilégios, isenções milionárias e corrupção.

Respondendo à pergunta inicial: Os partidos por trás do “Escola Sem Partido” em Marília e no Brasil são o PSC, PSBD, PP, DEM entre outros. Partidos da direita que votaram na Reforma Trabalhista que semi-escraviza o trabalhador brasileiro e que defendem a urgência da Reforma da Previdência falando as mais diversas mentiras.

Quais são os verdadeiros interesses desses partidos em defender o “Escola Sem Partido” e qual o sentido estratégico desse projeto para aprovação das Reformas?

Para se concretizar o objetivo de atacar os trabalhadores com a Reforma da Previdência e a Trabalhista - bem como de cortar verbas da educação e da saúde - é necessário, porém, vencer a resistência, as greves e as manifestações dos trabalhadores e estudantes. As 220 escolas ocupadas contra a “reorganização escolar” que colocou Alckmin em crise e derrubou seu secretário da educação em 2015, bem como as mais de 1000 escolas e universidades ocupadas em 2016 contra a Reforma do Ensino Médio e demais ataques (com epicentro no Paraná) trouxe uma reflexão estratégica para os governos e os partidos da direita: que o potencial e vitalidade das lutas da juventude não controlada pelas burocracias das centrais sindicais poderiam ser um pedra no caminho para a aprovação das Reformas, se tornando ainda mais perigosa (para eles) quando a juventude se unia aos professores e à outros setores de trabalhadores. A partir daí fica fácil entender um dos motivos do porquê despertou uma profunda e repentina “preocupação com a educação” em tantos ideólogos, youtubers e partidos de direita.

Para esse tipo de gente que não vive a educação na pele – como nós professores, estudantes e comunidade – os problemas reais que vivemos no dia-a-dia não são motivo de indignação. Inclusive são esses políticos e governos que as produzem conscientemente os problemas. Por isso não vemos o vereador Marcos Custódio do PSC e nenhum desses partidos indignados com a terceirização nas escolas (merenda e limpeza) que gera atrasos e abusos recorrentes aos trabalhadores e conscientes por parte das empresashttp://www.esquerdadiario.com.br/Paguem-os-salarios-das-merendeiras-de-Marilia-já, não vemos dizerem ser “urgente” e motivo de “projeto de lei” ou “movimento” o fechamento de salas de aula e a superlotação das que ficam, o não reajuste do salário de professores e funcionários etc. Pelo contrário é urgente e fundamental nas palavras do vereador em entrevista ao JCMarília é garantir que o professor “Não fará propaganda política-partidária em sala de aula e nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas”. Qualquer semelhança com as leis de censuras e repressão à liberdade de manifestação e expressão da ditadura não é mera coincidência.

Veja:http://www.esquerdadiario.com.br/Generais-e-Escola-Sem-Partido-O-que-eles-tem-comum.

Ou seja, criaram a fantasia da “doutrinação” (que é um termo criado para coagir os professores propositalmente ambíguo para dar margem a qualquer coisa) como principal problema da educação tanto para: 1. Evitar as mobilizações contra as Reformas e ataques que defendem; 2. Mascarar e esconder os problemas que todos os dias degradam a saúde e as condições de vida de professores, funcionários e estudantes.

Estamos atentos, o “Escola Sem Partido” não passará em Marília! Assim como houve mobilização contra a verdadeira Censura que os vereadores queriam fazer à livros infanto-juvenis que tratavam da questão do racismo (história, cultura e religiões afro-brasileira), machismo e LGBTfobia (preconceitos que diariamente violentam física e psicologicamente estudantes nas escolas e na sociedade), fazemos um chamado à todos os professores, estudantes e comunidade a se somar conosco nesta luta. Bem como à todas as entidades estudantis, grêmios, sindicatos e a esquerda da cidade. Temos que estar atentos e preparados para organizar uma grande mobilização mesmo se a câmara utilizar a tática de votar no período de férias.

Nós do Esquerda Diário – que alcançamos a marca 1 milhão acessos em novembro – temos orgulho de dizer que estamos batalhando nesse momento contra o “Escola Sem Partido” na cidade de São Paulo junto ao Movimento Nossa Classe Educação e a juventude Faísca. Bem como batalhamos bravamente em Santo André, Campinas e em todos os lugares em que estamos. O canto dessa sereia de direita não engana ninguém: “Escola Sem Partido” não é neutralidade e nem preocupação séria com educação, mas sim uma cortina de fumaça para os partidos da direita impedirem mobilizações, perseguirem professores e impor a sua ideologia nas escolas.

Há novas informações de que o projeto deverá ir para votação na Câmara provavelmente na segunda e terça-feira (11 e 12/12), e que deve haver reunião às 16:30h na segunda-feria na APEOESP para organizar a mobilização.




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