Educação

Quais as perspectivas para barrar o corte de bolsas em São Caetano?

quinta-feira 31 de agosto| Edição do dia

O Brasil atravessa uma enorme crise política, econômica e social. E como resposta a esta crise, os capitalistas avançam sobre os direitos dos trabalhadores e da juventude para garantir sua sede de lucros. O golpe institucional veio para para acelerar os ataques que já vinham sido levados a frente pelo PT. Na educação isso trouxe efeitos catastróficos. Nas escolas falta papel higiênico, giz e professores, além disso na capital de São Paulo, João Dória do PSDB decidiu racionar a merenda das crianças.

O sistema universitário está em colapso. Os cortes na educação já somam R$ 13,4 bilhões. E sofreram um ataque ainda maior quando o presidente golpista Michel Temer aprovou o congelamento de 4,3 bilhões em gastos no setor. Com isso o orçamento do Ministério da Educação para 2017, que era de R$ 35,7 bilhões, sofreu uma nova redução de 12% do total. Enquanto isso os estudantes de universidades privadas têm suas bolsas cortadas, financiamentos recusados levando ao endividamento, e muitos ainda são obrigados a deixar os estudos. Mas essa é uma crise internacional, que no Brasil começou a dar sinais mais claros, após as Jornadas de Junho de 2013, é o que chamamos de fim de ciclo lulista.

Em São Caetano do Sul, o corte de bolsas atingiu centenas de estudantes de toda a região do ABC, onde o mesmo foi aprovado pela Câmara no dia 21 de Março.
A prefeitura de José Auricchio Júnior (PSDB), e a Câmara com 19 vereadores do PMDB, PPS, DEM, PSDB, PP, PSB, PR, PRB, PEN comprovam como este espaço é um balcão de negócios dos interesses dos empresários. Todos estes partidos foram entusiastas e linha de frente do golpe institucional, onde votaram favoráveis à PEC do Teto de gastos e à reforma trabalhista. Desta forma, não deixam dúvidas que nossa luta para defender a educação precisa ser de enfrentamento com o estado capitalista que está ao lado dos patrões.

Retomar o caminho da auto-organização dos estudantes para massificar o movimento em defesa da educação

Após o 27 de junho, quando aconteceu uma plenária na câmara dos vereadores onde os estudantes da FAPSS – Faculdade Paulista de Serviço Social,- junto ao Centro Acadêmico Palmares Quebrando as correntes e militantes do MRT, protestaram contra o corte de bolsas de estudo para as universidades do município, juntamente com estudantes que recebiam o AEC (Auxílio Educacional Complementar) que também foram afetados assim como mais de mil estudantes. (A bolsa AEC, é um auxilio para os munícipes de São Caetano do Sul que estudam fora da cidade, pois o curso escolhido pelo aluno não é ofertado nas universidades do município.)

Ao final desta plenária, os estudantes da FAPSS e AEC, conversaram entre si, e decidiram se unir e montar um comitê pra discutir profundamente os ataques sofridos, visto que a luta é conjunta por uma educação de qualidade. Além destas faculdades, também a USCS e FASCS foram atingidas pelo corte de bolsas. A ideia do comitê era massificar a luta dos estudantes, permitindo que o conjunto do movimento estudantil se organizasse desde as bases, para decidir os rumos do movimento e o seu programa.

Após a primeira reunião, aprovamos em conjunto fazer um ato na Avenida Goiás, com todos os bolsistas e outros munícipes da cidade, reivindicando a volta das bolsas de estudo, a anistia das dívidas retroativas por conta de cortes como parte da luta por uma educação verdadeiramente de qualidade. Na reunião para a preparação do ato, decidiu-se dar um nome ao Comitê de “Coletivo Unidos Somos Mais Fortes”, o que acabou por transformar o projeto de construir um comitê como organização democrática e representativa do conjunto do movimento que nascia em um Coletivo que reunia nós do MRT, ativistas independentes e Juventude Por Mais Direitos.



O 1° grande ato contra o corte de bolsas que reuniu mais de 100 estudantes e trabalhadores, expressou uma potência para canalizar o descontentamento com os ataques a educação, porém o Coletivo não conseguiu aglutinar todos estes setores e pensar de forma ofensiva como ampliar ainda mais essa luta se apoiando na expressiva mobilização que aconteceu. Nas reuniões que se sucederam, houve diferenças de posicionamento político sobre como pensar as perspectivas para o movimento. Nós do MRT sempre defendemos que era necessário se posicionar politicamente em torno da conjuntura em âmbito nacional, para que assim fosse realizado uma leitura frente aos ataques regionais. Deixamos claro em todas reuniões a necessidade de ter um programa anticapitalista para enfrentar os cortes de bolsas, ampliar os comitês em cada universidade incentivando a auto-organização dos estudantes e batalhando por entidades militantes assim como atuamos junto ao Centro Acadêmico Palmares – Quebrando Correntes da FAPSS, e por último manter total independência política e financeira dos partidos da ordem e dos empresários.

Nos manifestamos completamente contrários a qualquer possibilidade de financiamento pelo vereador Jander Lira do PP, partido do Maluf, que não apenas foi um dos entusiastas do golpe institucional mas hoje o é das reformas que querem roubar nossa aposentadoria e nos deixar trabalhando até morrer com salários de fome.

Não precisa de anos de militância, para qualquer estudantes comum se questionar se é possível lutar em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo pobre em relação à educação ao lado de partidos burgueses e golpistas que aprovaram a PEC do Teto de gastos? Se alguém não achar obvia a resposta, é preciso alertar que essa é uma das consequências mais danosas possíveis de enxergar a luta contra o corte de bolsas por fora da situação nacional, dos interesses de classe que estão em jogo com as reformas. Nós nos colocamos claramente contra o financiamento do movimento estudantil por parte de partidos burgueses. Por um lado porque são parte responsáveis pelos ataques que estamos sofrendo e, por outro, porque nós lutamos ao lado dos trabalhadores e do povo pobre e não podemos permitir que os partidos burgueses usem nossa luta para enganar os trabalhadores afirmando que defendem nossos interesses.

Por esses motivos que nós nos recusamos a ir na audiência pública hoje chamada pelo vereador Jander para debater a educação, e chamamos todos os lutares e estudantes a boicotar esta ação, e se apoiar na nossa organização confiança nas nossas próprias forças, para arrancar nossos direitos.

Unidade para lutar sem perder as diferenças políticas

Pelas distintas diferenças políticas que apresentamos nessa nota e pela confiança que temos na força dos estudantes, se colocados em mobilização sob um programa que questione os tubarões de ensino e o acesso a educação, com uma ampla democracia de comitês em cada universidade que permita nos organizarmos com representantes eleitos em cada sala para definir os rumos da nossa luta, nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores decidimos sair do coletivo e seguir lutando dentro do movimento estudantil em defesa da educação e das bolsas por uma perspectiva realista de confiar unicamente nas nossas próprias forças.

Chamamos os estudantes, professores e trabalhadores a se organizarem em suas universidades, com reuniões de turmas, assembleias e plenárias unificadas para fortalecer o movimento e massificar a luta para derrotar a câmara e garantir a volta das bolsas com anistia da dívida provocada pela suspensão das mesmas.




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