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8 ANOS DEPOIS

Protestos na Tunísia revivem o fantasma da Primavera Árabe

Protestos em diferentes cidades da Tunísia aconteceram nesta terça-feira depois de que um jornalista se imolou. Ele protestava contra a precarização. 8 anos depois da Primavera Árabe as condições que deram início a este processo seguem intactas.

quinta-feira 27 de dezembro de 2018| Edição do dia

8 anos depois do ínicio da Primavera Árabe, que se estendeu pelo norte da África e pelo Oriente Médio, a Tunísia volta a viver jornadas de protestos contra as miseráveis condições de vida de sua população.

As faíscas que acenderam o descontentamento parecem ter um paralelo com aquelas de dezembro de 2010. Naquele momento um vendedor ambulante da capital tunisiano se imolou depois que a polícia apreendeu suas mercadorias. Sua imolação desatou a fúria pela situação de miséria econômica, pela repressão estatal e exigindo uma maior abertura democrática. Esse processo levou à queda da ditadura de Ben Ali.

Oito anos depois a situação social não mudou quase nada e os protestos começaram novamente depois de novo depois de uma imolação, desta vez de um jornalista que tirou sua própria vida depois de postar nas redes sociais um chamado a fazer uma “revolução”.

Até o momento mais de vinte pessoas foram detidas, em duas jornadas de enfrentamentos com as forças de repressão desde a imolação ocorrida na segunda-feira.

Treze pessoas foram pressas na cidade Kasserine, próxima a fronteira com a Argélia, e outras cinco no protesto noturno desta terça-feira em Tebourba, 30km ao norte da capital.

Na segunda-feira, dia 24, que não é um dia religioso neste país de maioria muçulmana, o câmera Abderrazak Rezgui, de 32 anos, trabalhadora de rede privada de televisões, morreu com o agravamento de suas feridas após se imolar na praça pública de Kasserine. Sua intenção era denunciar as condições de vida, especialmente dos jovens desempregados.

Antes de seu suicídio de protesto, Rezgui compartilhou um vídeo ao vivo nas redes sociais onde explicava as intenções de sua ação como sendo de iniciar uma revolução, como a ocorrida 8 anos antes depois do suicídio do jovem Mohamad Bouazizi na cidade vizinha de Sidi bou Sid.

Em sua mensagem o jornalista denunciou a marginalização e a precária situação social que sofre sua região, uma das mais pobres no interior da Tunísia.

“Decidi hoje colocar em andamento uma revolução. Quem queira me apoiar será bem-vindo. Vou protestar sozinho. Vou me imolar, e ao menos uma pessoa conseguir um emprego graças a minha ação, estarei satisfeito.”
Além disso ele chamou os jovens de Kasserine a sair as ruas para exigir seus direitos depois de oito anos de “promessas não cumpridas” do que foi exigido na chamada “revolução do Jasmin”.

“Exijam seus direitos, protestos, queimem pneus...O Estado não quer movimentos pacíficos”, essas foram as últimas palavras em seu vídeo.

Por sua vez o Sindicato Nacional de Jornalistas da Tunísia (SNTJ) ameaçou na terça-feira com uma chamado à greve e acusou o Estado de “contribuir a transformar o setor midiático em um foco de dinheiro sujo à serviço de interesses particulares, sem controle, sem respeito às leis e normas do trabalho.”
A União Geral dos Estudantes Tunisianos (UGET) convocou manifestações para esta quinta-feira durante o período da tarde.

8 anos depois do início da Primavera Árabe, a Tunísia segue sofrendo uma grave crise econômica e social. O desemprego chega a 35% entre os jovens, além disso, condicionado pelo FMI o governo vem aplicando passo a passo um plano de ajustes e austeridade para pagar 2.5bilhões de euros emprestados desta instituições. Essas medidas agravam a pobreza e a extensa precarização da vida da população tunisiana.




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