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Protestos massivos na França contra aumento de combustível

No fim de semana houve bloqueios e mobilizações em mais de 2000 pontos em todo o país em resposta à decisão do governo de aumentar o combustível. Uma nova mobilização já foi convocada em Paris para o próximo sábado.

terça-feira 20 de novembro| Edição do dia

Este fim de semana ocorreram na França protestos dos chamados "coletes amarelos" (em referência à roupa fluorescente usada pelos manifestantes, obrigatório nas rotas) contra o aumento dos impostos sobre o combustível, em várias cidades os protestos se repetiram hoje, quando cortes de ruas e paralisações nas refinarias foram registradas.

As ações foram massivas, principalmente em regiões do interior do país. Nos mais de 2 mil pontos participaram 300 mil pessoas e deixaram um saldo de 400 pessoas feridas, uma mulher que morreu atropelada e quase 300 prisões.

O governo de Emmanuel Macron decretou um aumento nos impostos sobre os combustíveis de 7,6 centavos de euro por litro para o diesel e 3,9 centavos de euro para a nafta para evitar o uso de veículos poluentes e promover a energia limpa. Além disso, a partir de janeiro, serão aplicadas taxas suplementares de 6 e 3 centavos, respectivamente.

O ministro da Transição Ecológica, François de Rugy, declarou que "devemos manter o ritmo de nossas medidas que servirão para nos libertar da dependência do petróleo e impedir (um aumento no preço do barril) que nossa economia seja afetada", e defendeu "deixar a armadilha do carro".

O protesto, que começou com o aumento do imposto sobre o combustível para financiar a transição energética, se espalhou rapidamente devido à falta de poder aquisitivo em geral, ao aumento do desemprego e empregos precários, especialmente entre os jovens.

Macron, que está em seu menor nível de popularidade desde que assumiu o cargo (apenas 25%), fez-se de surdo às reivindicações, já que, usando um discurso baseado no cuidado com o meio ambiente, tenta descarregar o custo dessa transformação dos transporte nos usuários, garantindo que os lucros dos proprietários das refinarias permaneçam intactos.

Os manifestantes já convocaram outro grande ato em Paris para o próximo sábado. No Facebook, 143.000 usuários já estão "interessados" pelo evento que chama os "jaquetas amarelas" à Praça de la Concorde em Paris de 8 às 11 horas, para marchar para o Eliseu.

O porta-voz do Executivo, Benjamin Griveaux reiterou esta manhã, em entrevista à "RMC", que não vai recuar na tributação dos combustíveis e retomou as palavras do primeiro-ministro Édouard Philippe, que disse ontem "ouvir" o descontentamento popular.

"Eles pedem para viver decentemente de seu trabalho, que seus filhos possam viver melhor do que ele, e é por isso que nós preferimos imposto sobre o combustível e não sobre o trabalho e criamos dispositivos para acompanhá-los porque a transição ecológica é difícil", disse Griveaux , e assegurou que tem de retirar a França do modelo atual de petróleo porque "se dentro de 18 meses países produtores" decidirem aumentar o preço do barril isso vai afetar diretamente o "bolso dos franceses."

Para o governo de Macron, o custo deve ser pago pelos usuários e não pelas empresas que, continuarão ganhando milhões, apesar da conversão de carros a uma "transição ecológica", que em última análise é apenas um disfarce para um golpe contra os trabalhadores.




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