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AMÉRICA CENTRAL

Protestos em Honduras exigem a renúncia do presidente por conexões com o narcotráfico

O questionamento ao governo de Juan Orlando Hernández, por sua ligação com grupos de narcotráfico, desencadeia o descontentamento social e a população sai às ruas para exigir sua renúncia.

terça-feira 22 de outubro| Edição do dia

Milhares de hondurenhos saíram às ruas da capital, na quarta-feira passada, exigindo a renúncia do presidente Juan Orlando Hernández, por denúncias que o vinculam ao narcotráfico em um julgamento contra seu irmão mais novo em Nova York. As jornadas de protestos incluíram bloqueios de estradas, tomadas de avenidas com uma alta participação de jovens e setores estudantis.

No 2 de outubro passado, foi realizado um julgamento em Nova York, no qual Juan Antonio "Tony" Hernández, irmão do atual presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, é acusado de tráfico de drogas, tráfico de armas e perjúrio. Este julgamento também aponta para Juan Orlando Hernández, atual presidente de Honduras, Porfirio Lobo (presidente de Honduras no período 2010-2014), Roberto Ordoñez, atual ministro de Energia e vários policiais das cargos elevados. Note-se que 11 dos 59 deputados do Partido Nacional no governo foram mencionados por manter vínculos com o narcotráfico.

Tony Hernández é acusado pelo Departamento de Justiça dos crimes de posse de armas, falso testemunho e conspiração por colaborar com a entrada de drogas de “grande escala” nos Estados Unidos, e poderá obter uma sentença de prisão perpétua. No entanto, a sentença só será lançada em 17 de janeiro de 2020.

“Os protestos se marcam em uma onda de descontentamento e questionamentos a diferentes governos latino-americanos que vêm aplicando os planos de ajuste ditados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial.”

É o caso do Equador, Colômbia, Haiti e a recente massiva saída às ruas da população chilena que, apesar do estado de emergência e da repressão desencadeada por Sebastián Piñera, conseguiu recuar a medida do aumento do transporte que se destinava a atingir os setores mais vulneráveis.

Na América Central, países como a Costa Rica também expressam descontentamento e organização em defesa da educação, pelo direito legítimo dos trabalhadores de defender seus direitos através de greves e paralisações e contra os planos de ajuste e o aumento do custo de vida que ditam os organismos internacionais.

Em Honduras, houveram vários processos de questionamento ao governo de Juan Orlando Hernández, o mais importante foi em 2015, quando as marchas das tochas percorreram o país frente os saques e desmantelamentos do setor de saúde.

“Desde que chegou ao poder em 2014, Hernández tem sido fortemente apoiado por instituições importantes para permanecer no poder, como as Forças Armadas, a Polícia Nacional ou a Corte Suprema de Justiça.”

A essa situação, acrescenta-se o apoio que Donald Trump demonstrou a Hernández, considerando-o um aliado fiel contra a migração ilegal para os Estados Unidos, após a assinatura do tratado para tornar Honduras um país terceiro seguro para o qual os Estados Unidos podem deportar requerentes de asilo.

Enquanto o governo hondurenho continuar a promover leis que criminalizam setores que apoiam os migrantes, Trump continuará apoiando Juan Orlando Hernández. Em 16 de outubro, o Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou uma declaração na qual tornou pública a restauração da cooperação militar com Honduras, suspensa meses atrás devido aos resultados fracos do país na luta contra a migração ilegal

Até hoje, Hernández se apega ao poder e nega todas as acusações, atribuindo tudo a uma conspiração da oposição e de delinquentes pelo "trabalho exemplar na luta contra o narcotráfico" em seu governo. Apesar da evidência esmagadora de seu envolvimento com o crime organizado, o presidente age com o apoio de seu partido, da mídia e dos principais líderes da igreja e das demais instituições.

“A situação atual é um reflexo da extensão pode permear a coalizão do crime com o governo encabeçado por Hernández.”

Quem também não hesitou em responder a sangue e fogo contra os setores que exigem sua renúncia há anos. A memória da sangrenta repressão dos protestos eleitorais de dezembro de 2017 é recente na imaginação coletiva, sem que isso possa fazer vacilarem os jovens hondurenhos que demonstram sua determinação em não sair das ruas. Assim, desde sexta-feira passada, a população mantém diferentes mobilizações em nível nacional que podem ser contagiadas pelo cenário latino-americano e emergir fortalecidas com os setores que no passado protagonizaram a denúncia contra Juan Orlando.

Embora os protestos ainda não tenham uma reivindicação econômica, é questão de tempo que setores como saúde ou educação possam entrar em cena com suas demandas e questionar novamente os elementos estruturais que colocam o país em um estado de crise política, econômica e social permanente.

No final desta edição, somente em Tegucigalpa, cerca de 5.000 manifestantes se concentram desde sexta-feira, 18 de outubro, gritando “Fora JOH” e os bloqueios nas estradas continuam nas principais cidades.




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