Internacional

Protestos de trabalhadores agrários se espalham no Peru e trabalhador é morto na repressão

Um jovem trabalhador morreu em decorrência de uma violenta repressão aos bloqueios realizados pelo país por trabalhadores rurais.

sexta-feira 4 de dezembro de 2020| Edição do dia

Jorge Muñoz Vílchez, de 19 anos, trabalhador agrário da empresa Campo Sol, morreu na brutal repressão policial quando protestava com seus colegas contra os abusos impostos pelas agroexportadoras.

O protesto de trabalhadores agrícolas se espalhou nesta quinta-feira de sul ao norte do país, deixando caminhões de carga parados em bloqueios de estradas.

Segundo o pai do jovem, Jorge teria recebido tiros na cabeça que o levaram à morte; o mesmo foi certificado no centro de saúde Valle Ciudad de Dios, em La Libertad.

Nesta quinta-feira, trabalhadores rurais da região norte do Peru aderiram por tempo indeterminado à greve realizada por seus companheiros de trabalho da região de Ica, região no centro-sul do país. Os trabalhadores exigem a revogação da chamada "Lei de Promoção Agrária", que promove a super exploração da mão-de-obra e o empobrecimento de milhares de trabalhadores agrícolas.

O governo de Sagasti e o Congresso peruano até hoje não respondem às justas demandas dos trabalhadores, fazendo com que a medida da força se estenda a outras regiões do país e se radicalize a cada dia que passa.

O país está abalado com os protestos que levaram à demissão de Manuel Merino, antecessor de Sagasti, em novembro. Durante essas manifestações, dois jovens foram assassinados pela repressão policial, o que levou à renúncia de Merino, que havia chegado ao poder poucos dias antes, diante do afastamento do ex-presidente Martín Vizcarra, em uma das piores crises políticas do país.

Nesse contexto, os trabalhadores rurais protestam pelo aumento de salários, e pela revogação de uma antiga lei que concede benefícios fiscais às empresas exportadoras e permite a redução dos direitos trabalhistas e o funcionamento de empresas terceirizadas.

Os bloqueios afetaram o tráfego de veículos nas regiões norte e sul da principal rodovia do litoral peruano, justamente nas áreas que abrigam as mais importantes empresas agroexportadoras do país.

O agronegócio para exportação tornou-se o segundo maior gerador de divisas nos últimos anos, depois da mineração, segundo a Associação de Grêmios Produtores Agrícolas do Peru (AGAP).

O país tornou-se o maior exportador mundial de mirtilos e também exporta outros produtos como uvas frescas, abacates e aspargos. Durante a pandemia, os empresários continuaram se beneficiando e, entre janeiro e setembro, as exportações agrícolas somaram cerca de 5,086 milhões de dólares, 0,51% a mais que no mesmo período do ano anterior, segundo dados oficiais.




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