ROCK IN RIO

Protestos contra Bolsonaro e por justiça para Marielle e Ágatha deram tom do Rock in Rio

segunda-feira 7 de outubro| Edição do dia

Ao contrário do que pretendia a produção do festival, o Rock In Rio foi perpassado por críticas e protestos contra o governo Bolsonaro durante vários shows. O grito de "Ei Bolsonaro, vai tomar no c*" ecoou em diversos shows, seu ápice provavelmente foi durante o show do DJ Alok, que teve público estimado em 100 mil pessoas:

O curioso é que este grito de repúdio à Bolsonaro tenha sido justamente a resposta do público ao discurso feito por Alok naquele momento pregando o "amor ao próximo".

Apresentações mais politizadas com artistas nacionais também denunciavam o assassinato de Marielle Franco, exigindo justiça que o estado nega até o momento. Também foi denunciado o assassinato da jovem Ágatha, criança vítima no mês passado das operações policiais do governador Wilson Witzel.


Foto: Carlos Brito/G1

A artista Lellê passou em seu show, uma homenagem à Marielle Franco, em protesto ao seu assassinato que aponta ter envolvimento e relações profundas com agentes do estado.

Emicida também homenageou Marielle Franco e Ágatha e exigiu liberdade para Rennan da Penha, Dj funkeiro preso sem provas, e que é exemplo da perseguição racista do estado contra a cultura popular, sobretudo a dos negros.

Já no Francisco, El Hombre, até ciranda contra Bolsonaro teve, em um show cujo tema principal foi a política no Brasil, denunciando também o assassinato de Marielle, de Ágatha. Na abertura, o telão estampava o Slogan: "Mentira acima de tudo / Censura pra cima de todos."

Violações trabalhistas dos mega-eventos

Como já é de praxe nos megaeventos realizados no Rio de Janeiro, o Rock In Rio contou também com uma série de violações trabalhistas realizadas pelas empresas responsáveis pelo evento. Nos megaeventos, as empresas contratam trabalho temporário, na maioria das vezes através de terceirização, e se utilizam do fato de ser temporário para impor jornadas de trabalho que não respeitam a legislação, e condições de insalubridade. Este foi o caso da empresa Entreartes, que foi multada em 30 mil depois que funcionários foram encontrados dormindo debaixo do Palco Sunset, depois de um extenuante jornada de trabalho com muito mais horas do que o permitido pela lei.

Práticas semelhantes foram adotadas nos megaeventos, como a Copa e as Olimpíadas. Com o dinheiro dos ingressos caríssimos, as empresas lucram ao reduzir a remuneração e super-explorar a mão de obra dos trabalhadores - trabalhadores estes fundamentais, sem os quais o festival não existiria. Megaeventos como as Copas e as Olimpíadas, e festivais como o Rock In Rio teriam um potencial imenso se o grande aparato de produção fosse controlado pelos trabalhadores e não por empresas privadas e de governos que se utilizam destes eventos para seus projetos pessoais. Apesar disto, o que mostrou o público do RiR foi um grande repúdio à estes mesmos políticos.




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