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Propostas para avançar a luta das ocupações da UFRGS

Republicamos o panfleto que alguns estudantes da UFRGS escreveram e distribuíram pelas ocupas para avançar na luta da universidade. Foi escrito anteriormente ao anúncio do pacotão de demissões e privatizações de Sartori, por isso não inclui a necessidade de se unificar as lutas contra Temer e o governo do estado do RS.

terça-feira 22 de novembro| Edição do dia

As ocupações que vêm varrendo o país nos últimos meses fazem do ano de 2016 o mais intenso para a luta estudantil em décadas. A PEC, a MP, a reforma da previdência e todos os demais ataques do governo golpista de Michel Temer e sua quadrilha de fichas-suja são parte de uma grande ofensiva do capital contra os trabalhadores e o povo pobre do país. Em meio à atual crise do capitalismo estes ataques são necessários para que a burguesia continue lucrando às nossas custas. Quem se levanta contra, é reprimido, como vimos o governo do PT em MG reprimindo violentamente atos das ocupações da UFMG.

Isto significa que este pacote de retrocessos não será derrubado facilmente: apenas a luta estudantil, baseada nas ocupações de universidades, IFs e escolas, será insuficiente para frear estes ataques. É necessário que o movimento avance no debate político, derrube os muros da universidade e chegue aos trabalhadores: somente ao lado da classe trabalhadora poderemos derrotar definitivamente o conjunto dos ataques. Os trabalhadores rodoviários, por exemplo, possuem uma força social capaz de paralisar a cidade. As centrais sindicais, como a CUT e a CTB, vem dando trégua ao governo, sem organizar assembleias nos locais de trabalho para construir a greve geral de fato. Essa trégua deve ser rompida para avançar numa luta conjunta entre estudantes e trabalhadores contra Temer. Nesse sentido, nós que somos estudantes de distintos cursos ocupados da UFRGS, propomos alguns pontos para avançar na nossa luta;

Sair às ruas e ganhar a população! A mídia vem fazendo um bloqueio à
nossa luta. Devemos sair às ruas para dar visibilidade às nossas demandas. O ato do dia 11, em Porto Alegre, foi o maior do Brasil. O trancaço realizado simultaneamente pelos estudantes em diversas vias da cidade teve forte repercussão e ajudou a impulsionar nossa luta, levando-a para fora da universidade. Mas apenas um ato como este é insuficiente. Devemos realizar novos atos de rua, sistemáticos, onde as ocupações expressem para a sociedade que a nossa luta é em defesa dos direitos de toda a juventude e dos trabalhadores. Dia 25/11 vai haver mais um ato nacional contra a PEC e os ataques de Temer, devemos ir às ruas novamente nesse dia 25 expressando a força do movimento estudantil.

Criação de um comando efetivo: o atual "comando" não vem servindo para unificar as ocupações, tirá-las de seu isolamento e compor medidas em conjunto. Um comando das ocupações, onde os representante sejam eleito em cada assembleia de curso/ocupação e possam ser revogáveis, deve servir para mobilizar o conjunto do movimento e não paralisá-lo. O
comando deve servir como expressão de cada assembleia de base, onde os estudantes decidam democraticamente as suas propostas para o movimento avançar, bem como impedir com que entidades e grupos burocráticos falem em nome do movimento, como já vimos a UNE fazendo tantas vezes;

Avançar no debate político nas assembleias: muitas ocupas, como é o caso do IFCH por exemplo, estagnaram no debate político nas assembleias, sobre como está o movimento nacional, quais os passos e discursos políticos que temos que desenvolver. As assembleias, em muitos casos, tem se tornado burocráticas, debatendo apenas a parte estrutural das ocupações, o que tem provocado um afastamento de muitos estudantes do movimento. Muitas organizações políticas, como o PCB, PCR, MAIS e Alicerce têm um peso relevante neste processo, trabalhando de modo deliberado para frear os debates que devem ser feitos. É necessário avançar politicamente e que enfrentemos este processo de burocratização, reaproximando os estudantes que se decepcionaram com a pobreza das discussões;

Realização de uma plenária com as terceirizadas, os servidores e professores: Os servidores deflagraram greve no último dia 9, os professores na última semana e as terceirizadas, em sua maioria mulheres negras, vêm sofrendo uma série de ataques sob a conivência da reitoria. A realização de uma plenária com a participação de nós estudantes ao lado destes três setores possibilitaria o início da construção de um movimento, que unifique as pautas, potencializando a luta dentro da universidade;

Não ao parcelamento dos salários dos professores! Mais uma vez os professores vêm sofrendo com o parcelamento dos salários por parte do governo Sartori, que mantém a educação de nosso estado em um elevado nível de precarização. A luta conjunta com este setor seria fundamental para levar o movimento das ocupações para além dos muros da universidade;

Pelo não pagamento da dívida pública: como resposta à PEC propomos o não pagamento de uma falsa dívida, que já foi totalmente paga diversas vezes, e que apenas serve como um meio de transferir parte do orçamento do Estado para o bolso dos banqueiros. Os gastos com saúde e educação não chegam a 10% do PIB, enquanto com a dívida pública beira os 50%. Se há algum rombo no orçamento do Estado trata-se desta bolsa- banqueiro. Pelo não pagamento da dívida pública!!




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