CORTES NA EDUCAÇÃO E PESQUISA

Proposta orçamentária de Bolsonaro para CNPq deve acabar com fomento à pesquisa científica

Se aprovada a proposta como está hoje, o orçamento previsto por Bolsonaro colocará fim à capacidade de pesquisa pelo CNPq.

quarta-feira 4 de setembro| Edição do dia

Para 2020, o governo Bolsonaro deve aplicar um corte de 87% no orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) destinado ao financiamento de atividades de pesquisa, segundo a proposta de orçamento elaborada pelo governo federal e enviada ao Congresso na última sexta-feira, 30 de agosto.

O valor atual orçamentário para o CNPq é de 127 milhões, que os especialistas e pesquisadores já consideram um valor abaixo das necessidades de pesquisa no país. No entanto, o governo federal agora visa reduzir esse valor para apenas R$ 16,5 milhões.

No limite, enquanto se garante algumas poucas bolsas, pois é o que restará com esse orçamento de 16 milhões, que pode-se chamar de orçamento simbólico, os laboratórios estarão se precarizando conforme as pesquisas param. Como disse o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro Moreira, em entrevista ao Jornal da USP na semana passada: “Não adianta ter bolsas se os laboratórios estão paralisados”.

A proposta orçamentária para as bolsas do CNPq em 2020 é de R$ 962 milhões, dezenas de milhões abaixo do custo total anual da folha de pagamento das, cerca R$ 1 bilhão.Até o presente momento, de R$ 785 milhões, só se pagou as bolsas até agosto, e o pagamento das próximas bolsas do ano está completamente incerto. O CNPq aguarda uma liberação emergencial de R$ 330 milhões para continuar pagando as bolsas. São mais de 84 mil pesquisadores que não sabem se terão suas bolsas garantidas para seu sustento, não sabem se poderão dar continuidade às pesquisas científicas e nem sabem qual será o futuro de seus laboratórios com esse novo orçamento previsto.




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