Proposta de 80 milhões pro Museu Nacional é mais uma mentira do clã de Roberto Marinho

Em uma campanha fervorosa tentando se aproveitar da tragédia do Museu Nacional, a Globo inventa mentiras deslavadas

quarta-feira 5 de setembro| Edição do dia

Poucos dias após a tragédia do Museu Nacional e os abutres já estão em sua volta. O Globo, em uma matéria afirma que o Banco Nacional teria tido proposta de 80 milhões. Isso se trata de uma mentira estapafúrdia, conforme a UFRJ reproduz em sua nota:

Banco Mundial nega oferta de U$ 80 milhões ao Museu Nacional

‘O Banco Mundial (Bird) negou ter oferecido um cheque de US$ 80 milhões para custear a reforma do Museu Nacional na década de 1990.
A notícia, que vem sendo difundida pela grande imprensa, é falsa e também já foi desmentida por pesquisadores da UFRJ.

Em nota enviada à Coordenadoria de Comunicação (Coordcom) da UFRJ, a instituição financeira diz que “foram conduzidas conversas sobre um possível financiamento para auxiliar o Museu Nacional entre os anos 1998 e 2000. Entretanto, o financiamento não foi concretizado (...) não chegaram a ser estabelecidos valores ou condicionantes para o possível financiamento”.

Ainda segundo o Banco, “as decisões sobre financiamentos junto ao Banco Mundial são tomadas dentro de um contexto mais amplo de prioridades para o país. ”

De acordo com a falsa versão, o empresário Israel Klabin e ex-prefeito do Rio de Janeiro conseguiu obter os recursos junto ao Banco para modernizar o Museu Nacional, desde que a instituição se transformasse em uma Organização Social (OS). A proposta teria sido recusada pela Direção da instituição à época.

Em postagem nas redes sociais, o professor de Etnologia do Museu, Antonio Carlos de Souza Lima, foi enfático: “Nunca houve tal interdição [recusa de investimentos], assim como nunca houve a intenção de transformar o Museu Nacional numa OS ou fundação independente”.

Souza Lima era chefe de departamento na ocasião e acompanhou as negociações com o Banco Mundial. Segundo ele, após meses de trabalho conjunto de uma comissão do Museu com técnicos do Bird, a instituição financeira simplesmente descontinuou as negociações.

O empresário Israel Klabin, de fato, intermediou as conversas entre o Museu e a vice-presidência para assuntos culturais do banco, de acordo com o professor Luiz Fernando Dias Duarte, atual diretor-adjunto e ex-diretor do Museu entre 1998 e 2001. No entanto, segundo ele, o Banco Mundial fechou o setor cultural antes da conclusão das negociações e da liberação de qualquer recurso.

Nota da Reitoria sobre parcerias com a iniciativa privada

A Reitoria da UFRJ destaca que não existem obstáculos jurídicos para qualquer tipo de colaboração de eventuais parceiros da iniciativa privada com a Universidade. Transformar uma unidade em Organização Social está fora da pauta das universidades federais brasileiras. Toda forma de colaboração da iniciativa privada com as instituições federais de ensino superior está concebida no Marco Legal da Ciência e Tecnologia, que mantém as características de cada instiuição universitária.

Leia a nota completa do Banco Mundial:

“O Banco Mundial confirma que foram conduzidas conversas sobre um possível financiamento para auxiliar o Museu Nacional entre os anos 1998 e 2000. Entretanto, o financiamento não foi concretizado. As decisões sobre financiamentos junto ao Banco Mundial são tomadas dentro de um contexto mais amplo de prioridades para o país. No caso específico do Museu Nacional, não chegaram a ser estabelecidos valores ou condicionantes para o possível financiamento. Tentativas posteriores de suporte ao Museu, por meio de doação, foram realizadas, mas tampouco tiveram sucesso, infelizmente. Desde 2000, nenhum outro suporte do Banco Mundial para o Museu Nacional foi solicitado ou considerado.”’

Veja também: A UFRJ precisa ser o centro da organização contra os cortes na educação, ciência e cultura




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