Gênero e sexualidade

HETERONORMATIVIDADE

Promotoria de Justiça de Formosa-GO "recomenda" que vídeo com criança mandando "um beijo pras travestis" seja retirado do ar

Para Promotoria de Justiça de Formosa de Goiás uma criança mandando um beijo para as travestis é erotização precoce. Veja o escandaloso pedido e o vídeo motivou a preconceituosa sentença.

Flávia Telles

Coordenadora do CACH - Unicamp

quarta-feira 7 de setembro| Edição do dia

O “Empodera Coletiva” grupo que discute questões de gênero e sexualidade na cidade de Formosa em Goiás, recebeu no último mês uma recomendação da Promotoria de Justiça de Formosa, para que o vídeo produzido pelo grupo sobre o dia de visibilidade trans, em que se toca a música “Um beijo pras travestis” e há várias pessoas mandando beijos, dentre elas uma criança, fosse retirado do ar, por “expor a criança a uma situação de erotização, violando a sua integridade”.

No vídeo, a criança diz “Um beijo pras travestis”, o que segundo a promotoria a coloca numa situação de “vulnerabilidade psicológica” e pode prejudicar sua “personalidade moral”, ou seja, para a promotoria nada que fuja da hetero-cis-normatividade pode fazer parte da vida das crianças, que vão sofrer psicologicamente por ver que as travestis existem e que é preciso respeitá-las, já que esse é o conteúdo que o vídeo expressa.

O mais contraditório é que a mesma justiça que diz que quer zelar pela integridade da criança, não se preocupa com as crianças que não tem o direito de viver sua infância de forma livre de preconceitos, que não têm uma livre construção de seu gênero e sexualidade, e uma educação que debata gênero e sexualidade na escola, muito pelo contrário, quer uma escola fechada ao debate, que não discuta as questões do cotidiano e da dura realidade daqueles que desafiam os padrões, como mostra o projeto “escola sem partido”, em que se esvazia os debates de conteúdos políticos da escola.

O vídeo do “Empodera Coletiva” tenta denunciar a marginalização e exclusão social e cobrar políticas públicas para esses setores oprimidos, é preciso seguir dando visibilidade à luta de travestis e transexuais, em todos os espaços, nos locais de trabalho e estudo, e também nas redes sociais e construir uma forte campanha contra a violência e opressão que trans e travestis sofrem. Repudiamos a ação da promotoria da justiça de Formosa e gritamos: UM BEIJO PRAS TRAVESTIS!

Veja também o escandaloso pedido da promotoria:




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