REPRESSÃO DE DORIA NA CRACOLÂNDIA

Promotor do MP que discutia ação na Cracolândia diz que Doria fez “selvageria sem paralelo”

quarta-feira 24 de maio| Edição do dia

A ação da gestão de Doria na Cracolândia, que foi classificada como "barbárie" pelo Conselho de Psicologia e derrubou casas com moradores dentro deixando feridos, além de colocar pessoas removidas pra dormir no chão foi feita contra o acordo que vinha sendo discutido entre prefeitura e Ministério Público para intervenção na região.

Para o promotor de saúde do Ministério Público, Arthur Pinto Filho, que vinha discutindo medidas a serem adotadas na região para o tratamento de dependentes de crack, a intervenção repressiva de Doria foi uma "ação que não tem nenhuma vírgula do que foi tratado com a prefeitura." As declarações foram dadas pelo promotor do MP em entrevista à Folha de S. Paulo em que ele colocou abertamente sua revolta contra a gestão Doria: "Fico surpreso e indignado como prefeitura conversa com Ministério Público, Cremesp, Defensoria, com ONGs durante dois meses... Apresenta um projeto e 3 dias antes do projeto entrar em vigor colocam em pauta uma situação que não tem nada a ver com o projeto."

Ele também disse, sobre que ações serão tomadas pelo MP em relação ao ocorrido: "Estamos absolutamente estupefatos. O que está acontecendo agora naquela região é uma coisa absurda. Não tem paralelo você destruir casas com pessoas dentro. Temos informação que deram duas horas para pessoas saírem de casa sem saber para onde iam. Então nós vamos nos reunir agora porque o que nos parecia uma coisa que poderia até ter um encaminhamento razoável daqui para frente ficou impossível. O que aconteceu ali é uma selvageria que não tem paralelo naquela região. Vamos nos reunir e vamos ver o que vamos fazer.

O plano que estava sendo discutido, e que foi atropelado por Doria com sua ação repressiva, de acordo com o procurado do MP envolvia "Iniciar o trabalho com equipes de saúde na região, verificando a situação de cada pessoa. Equipes que trabalhariam por setores de quarteirão. Teriam que trabalhar 24 horas, dia 7 dias por semana." Mas, agora, foi inviabilizado pois "(...) as pessoas se dissolveram pela região. Os grupos de apoio não tem mais contato com as pessoas. Elas estão vagando. A ideia era, um projeto civilizatório com começo, meio e fim, que daria resultado a médio prazo."

Vale lembrar que o prefeito Doria, que coloca a polícia para bater nos moradores de rua e dependentes de crack no centro, foi financiador de campanha de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o homem da propina de Temer para Eduardo Cunha. Doria deu R$ 50 mil à sua campanha em 2014.




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