Sociedade

Projeto Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante

Episódio II: Mileke entre Pedras e Piercings é a segunda fase do projeto Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante Desenvolvido pelo núcleo artístico Elemento PER, e que investiga as potências criativas atuais dos vissungos, antigos cantos afro-brasileiros de raiz Bantu.

segunda-feira 26 de fevereiro| Edição do dia

A criação desta obra se desenvolve em torno das memórias de Ivo
Silvério da Rocha - considerado o último vissungueiro - no período em que,
vindo da vila de Milho Verde, interior de Minas Gerais, viveu na cidade de São
Bernardo do Campo, entre 1972 e 1979. Este período é relatado no livro
autobiográfico “Memórias de um Catopê”.

No encontro entre cantos de tradição seculares e os corpos cantantes de
jovens da era tecnológica, emergem, às vezes suavemente, às vezes em atrito,
diálogos entre as experiências de um mestre da cultura popular de matriz
africana - que testemunhou as tensões de uma cidade industrial em plena
época de ditadura militar e movimentos sindicais dos metalúrgicos – e as
experiências de seus “irmãos mais novos”, que em meio ao brilho fascinante de
automóveis e telas, buscam encontrar o sentido e o valor dos velhos diamantes
invisíveis, profundamente enterrados. Na cidade, no outro, em si mesmos?

Este espetáculo tem o apoio do Proac nº 03/2017 – Primeiras Obras de
Teatro.

SINOPSE:
Cinco jovens realizam uma expedição. Uma expedição mais pra dentro do que pra fora. Aparentemente quase não saem do lugar. Talvez porque a esta altura já tenham saído bastante de muitos lugares fora deles. Eles refazem os passos de um homem que há mais de 40 anos saiu do interior de si e veio pra periferia dos outros. Ele carregava um diamante escondido, e na cidade pra onde foi tratou de escondê-lo num lugar de acesso mais difícil, muito profundo e escuro. Esses jovens nasceram na mesma cidade pra onde foi o homem. Agora seguem as pegadas dele onde começaram - algum interior em algum lugar lugar do país - pra saber por onde andou; tentando encontrar os vestígios de tesouro brilhante que carregava, até descobrirem em que algum lugar ele enterrou o tal diamante. Quem sabe não está sob o chão da casa de algum deles? Embaixo de uma árvore da praça que sempre passam? No fundo do córrego que margeia a rua em que algum deles mora? Quem sabe... Nessa caminhada pisam em si mesmos. Não por maldade ou raiva. Apenas porque a estrada é feita de seus próprios corpos, suando, chorando, sorrindo, cantando. Aliás, cantos antigos são as únicas pistas que possuem nesta jornada.

Ficha técnica:
Elenco: Adriellen Neves, Debora Vaz, Jean Rocha, Jéssica Pina e Marisa
Mariano
Direção, concepção cênico-musical e operação de luz: Luciano Mendes
de Jesus
Máscaras e objetos de cena: Murilo de Paula
Iluminação: André Mutton
Preparação corporal: Kanzelumuka
Orientação artística: Alejandro Tomás Rodriguez, Robin Gentien e Pierre Lauth (Engine)

Produção: Pâmela Santos
Fotos: Be Acosta
Filmagem: Donizete Bomfim (Cine Favela)
Arte gráfica: Stela Ramos
Classificação indicativa: Livre
Ingresso no chapéu




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