Mundo Operário

ELEIÇÕES SINTUSP

Programa da Chapa 1 - Sempre na Luta para o Sintusp

Publicamos abaixo o programa da chapa 1 - Sempre na Luta - Piqueteiros e Lutadores para as eleições do SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP).

quarta-feira 16 de novembro| Edição do dia

QUEM SOMOS NÓS

A Chapa 1 Sempre na Luta – Piqueteiros e Lutadores é formada por companheiros que historicamente estiveram na direção das lutas e das conquistas da nossa categoria, e por novos ativistas que se incorporaram nas últimas greves e estão construindo juntos nosso projeto para fortalecer o SINTUSP e a luta dos trabalhadores.

Nossa categoria e nosso sindicato são citados como exemplo de combatividade e conquistas para os trabalhadores e sindicatos de todo país. Como fruto das lutas que travamos ao longo dos últimos anos em defesa de nossas condições de vida e de uma universidade pública, gratuita e de qualidade, conquistamos um salário, na média, três vezes maior que o restante das categorias dos funcionários públicos do estado.

No entanto, hoje a reitoria e os governos avançam contra as condições de vida, trabalho e estudo duramente conquistadas em décadas de muita luta. Estamos vendo como a reitoria está fazendo com que tudo isso seja corroído pela inflação, ao mesmo tempo em que ataca nossa organização, a sede, os diretores e ativistas do sindicato, e nosso direito de greve cortando os salários de centenas de trabalhadores.

SEMPRE NA LUTA por que não podemos viver apenas das conquistas do passado e, para mantê-las e garantirmos um futuro melhor, precisamos continuar lutando.

POR UM SINDICATO COMBATIVO, CLASSISTA E DEMOCRÁTICO

Defendemos um sindicato democrático e aberto para os trabalhadores, que seja um instrumento de luta e unidade de toda a categoria. Construído pela base a partir da organização no local de trabalho, das reuniões de unidade e com um forte Conselho Diretor de Base (CDB) unindo os representantes das unidades com a diretoria colegiada. A diretoria deve sempre fomentar a discussão e encaminhar o que a categoria democraticamente delibera nos seus diversos fóruns, Congressos, assembleias gerais, CDB e reuniões de diretoria.

Defendemos que nossa luta é de toda a classe trabalhadora e o SINTUSP deve ajudar a unificar os trabalhadores de todo o país com independência política e financeira dos governos e dos patrões, cujos interesses são opostos e inconciliáveis com os nossos!

CONTRA OS ATAQUES DE ZAGO, ALCKMIN E TEMER

Os patrões, os governos e a burocracia universitária querem jogar o peso da crise nas costas dos trabalhadores e da juventude para manterem seus privilégios. Inflação em alta, mais de 12 milhões de desempregados e cortes de direitos são impostos por uma minoria de parasitas contra as necessidades da maioria da população.

Com o desmonte da universidade nós trabalhadores da USP estamos empobrecendo cada vez mais rápido, com o arrocho dos salários e benefícios (congelados há mais de três anos), tendo nossos empregos precarizados e ameaçados e muitos direitos retirados. Os hospitais e equipamentos de saúde, as creches, a prefeitura, os restaurantes universitários (bandejões), as unidades de ensino e toda a universidade seguem sendo destruídos em nome da superexploração, da terceirização e do lucro.

No mesmo sentido, o governo Temer ataca nossas condições de vida e nossos direitos. Começou a ser aprovada na câmara a PEC 241 que congela o orçamento público por 20 anos, o que representa um profundo ataque aos serviços públicos, principalmente à Educação e à Saúde. Está sendo gestada uma nova reforma da Previdência que vai aumentar a idade mínima para aposentadoria. Foi aprovada por decreto a reforma do ensino médio. Também está na pauta do governo retirar direitos trabalhistas tais como férias, 13° salário, FGTS e afins. O STF restringiu o direito de greve do funcionalismo ao decidir pela legalidade do corte de ponto dos grevistas. Enquanto nos atacam, os banqueiros continuam lucrando com a dívida pública, e os grandes empresários seguem sonegando impostos e roubando os recursos públicos.

Para enfrentar esses ataques, consideramos que é preciso fortalecer nossa central, a CSP-Conlutas. Defendemos a necessidade de construir uma Greve Geral por tempo indeterminado, o que só será possível se houver unidade de ação entre todas as centrais sindicais, construída pela base das categorias para superar os obstáculos criados pelas grandes centrais e assim derrotar os planos de ajustes dos patrões e dos governos. A CUT, a CTB e demais centrais, precisam parar de discurso e mobilizar as suas bases contra os ataques de Temer e da burguesia.

Contra o desmonte da USP:
• Em defesa do emprego e de melhores condições de trabalho!
• Contratações de funcionários USP já! Reverter o sucateamento dos hospitais, creches, escola de aplicação, restaurantes e prefeituras!
Contra o arrocho salarial:
• Reajuste mensal dos salários e dos benefícios de acordo com a inflação!
Abaixo o governo Temer:
• Derrotar as reformas da previdência e trabalhista e a PEC 241!
• Pela mobilização independente dos trabalhadores, rumo à greve geral!

QUE OS PATRÕES PAGUEM PELA CRISE MUNDIAL

A crise capitalista é internacional, da Europa à África os trabalhadores vêm resistindo aos ataques com sucessivas greves gerais e os governos intensificam a repressão. É necessário unir a classe trabalhadora em todo o mundo para enfrentar os patrões e a opressão imperialista.

Nós trabalhadores não somos responsáveis pela crise econômica, é com nosso trabalho que funcionam todos os serviços públicos e são produzidas todas as riquezas. Mas os patrões que sempre nos exploram, quando entram em crise nos demitem e arrocham nossos salários. Os governos os ajudam atacando os direitos trabalhistas e sociais que conquistamos em décadas de luta.

Prometeram que a crise não chegaria ao Brasil, mas ela chegou e forte e deve repetir o que vimos ocorrer em outros países como a Grécia. PT, PSDB, PMDB e todos os demais partidos da burguesia disputam para governar de acordo com o interesse dos empresários e aproveitam para roubar os cofres do Estado. Lutamos contra todos esses ataques e também contra a corrupção, exigindo que sejam expropriados os bens de todos os corruptos e corruptores.

Mas os trabalhadores e a juventude vêm resistindo bravamente a todos esses ataques. O ano de 2013 foi o com mais greves pelo menos nas últimas três décadas. Em junho do mesmo ano manifestações gigantescas para barrar o aumento das tarifas tomaram o país e questionaram todos os governos. Mais greves estouraram, várias contra as próprias direções sindicais, como a dos garis do Rio. Os secundaristas de São Paulo foram à luta a partir do ano passado e neste momento temos mais de 1200 escolas ocupadas em todo o Brasil contra a PEC 241 e a reforma do ensino médio.

O SINTUSP deve apoiar como pode todas essas lutas e construir a Rede de Solidariedade Internacional da CONLUTAS. Na luta contra esses ataques, se unindo a toda a classe, nós ajudamos a construir as bases para uma sociedade sem exploração e opressão, onde quem trabalha é quem governa. Lutamos para construir o socialismo e superar a sociedade dividida em classes.

CONTRA A REPRESSÃO, O ARROCHO E O DESMONTE NA USP! EM DEFESA DA UNIVERSIDADE!

Aumenta a repressão a nossa luta com processos administrativos, criminais e trabalhistas, com a tentativa de retirar nossa sede e tentando naturalizar o corte de ponto dos grevistas e a presença cada vez maior da PM no campus. Precisamos urgentemente unir forças em defesa do Sintusp e dos lutadores da categoria, querem acabar com toda resistência aos seus ataques contra nós. Lutamos pela reintegração de Brandão e o fim de todos os processos de perseguição política!

Para a burocracia vale tudo para manter seus privilégios, defender os interesses dos governos e patrões e criar uma “USP do Futuro” nos moldes de universidades como a de Bolonha ou as americanas, onde as Fundações e as empresas mandam nas pesquisas e mesmo nos poucos funcionários efetivos que restam.

Enquanto a reitoria seguir desmontando a USP e a reestruturando como quiser vamos trabalhar cada vez mais e receber cada vez menos. Lutamos contra as desvinculações de unidades da USP a reestruturação do PCF que leva ao aumento dos desvios de função e o avanço da terceirização. Para lutar contra a terceirização é necessário nos aproximarmos ainda mais dos terceirizados que já trabalham na universidade e defender que eles sejam efetivados pela USP sem a necessidade de concursos públicos.

A reitoria quer cortar ao máximo o gasto com a folha de pagamento e rebaixar o nível salarial da USP, como parte do desmonte. Desde que Zago chegou à reitoria se somarmos todas as perdas com a inflação mensal, já perdemos R$ 4.599,03 de VA e R$ 4.454,63 de VR (media de 22 dias de trabalho por mês), por causa do congelamento dos benefícios. Dos salários a soma das perdas já atinge R$ 5.920,21 para quem ganha o piso do Básico, R$ 10.754,63 do Técnico, e R$ 20.222,58 do Superior. Tudo isso é o que nos foi roubado pelo Zago com o arrocho nesses últimos 3 anos. Defendemos que o mínimo é que nossos salários e benefícios não sejam corroídos pela inflação, que a cada mês os deixa menores. Nosso contrato de trabalho deve ter uma clausula que garanta o reajuste automático dos salários e benefícios de acordo com a inflação mensal.

Ao mesmo tempo, devemos questionar os privilégios da burocracia e denunciar todos seus desmandos e esquemas de corrupção, lutamos por mais transparência, pela abertura de todas as contas da universidade e das fundações e empresas terceirizadas que nem deveriam estar aqui. Lutamos também por mais verbas para as universidades e para educação. Com a nossa organização podemos virar essa universidade do avesso e nós mesmos decidirmos seus rumos. Lutamos por uma Estatuinte livre e soberana para acabar com o C.O. e rever de cima a baixo a estrutura da universidade. A USP deve ser aberta e servir aos interesses da classe trabalhadora e isso começa pela implementação imediata de cotas raciais e sociais, e pelo aumento da assistência estudantil, rumo ao fim do vestibular.

ABAIXO O ASSÉDIO MORAL, MAIS SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO!

O desmonte em curso precariza ainda mais as condições de trabalho e a reitoria não se importam de nos adoecer e mesmo levar ao suicídio. Ela se nega até a assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e se comprometer a combater o assédio moral, mesmo com a exigência do Ministério Público do Trabalho. Vamos fortalecer a Secretaria de Combate ao Assédio Moral e Sexual e cobrar toda a assistência necessária às vitimas e o afastamento e punição dos assediadores.

As doenças causadas pelo trabalho, como a LER/DORT, não param de aumentar e a reitoria quer gastar cada vez menos para evitá-las. Lutamos para que o SESMT tenha autonomia e melhores condições de trabalho e que o combate às condições de trabalho que causam acidentes e doenças seja priorizado no orçamento da USP.

COMBATE ÀS OPRESSÕES

As mulheres são a maioria das trabalhadoras terceirizadas, e temporárias e sofrem com a opressão cotidiana. Precisamos lutar contra todas as formas de opressão e exploração às mulheres e levar adiante campanhas contra a violência e a cultura de estupro, contra a precarização da vida e do trabalho, por mais creches e manutenção das que existem preenchendo todas as vagas ociosas para crianças desde 2014 conforme deliberado no último C.O. Pela flexibilidade da jornada de trabalho para as mães e pais com filhos com deficiência. Pela licença maternidade de 1 ano para todas as trabalhadoras da universidade. Pelo direito das mães e pais com filhos doentes de se ausentarem do trabalho para cuidar dos mesmos. Lutamos também para que as mulheres não tenham que morrer por abortos clandestinos, exigindo o direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito.

“Não há capitalismo sem racismo”. O racismo divide a nossa classe e permite aos patrões pagar os piores salários com menores direitos aos trabalhadores negros com a terceirização e o trabalho precário e assim aprofundar a exploração do conjunto da classe trabalhadora. Os negros são os principais alvos da violência policial e sofrem com o racismo em cada aspecto de suas vidas. Lutamos em defesa dos terceirizados, pelas cotas raciais, pelo fim do vestibular, pelo fim do genocídio da população negra, em defesa de iguais direitos e salários para trabalhadores negros e brancos e em defesa de nossos irmãos haitianos e de todos os imigrantes. Fora tropas do Haiti. Reivindicamos as resoluções do Encontro de Trabalhadores Negros. Viva a luta negra no Brasil, Estados Unidos, África e Haiti. Consideramos que nosso sindicato deve combater o racismo para unir a nossa classe. Abaixo o racismo e o capitalismo!

A LGBTfobia mata milhares de homens e mulheres todos os anos. Esse preconceito causa agressões físicas e verbais, precarização do trabalho, o assédio moral e sexual. É preciso lutar pela criminalização da LGBTfobia, contra o assédio, pelo respeito ao nome social das pessoas trans na universidade e pelo atendimento de saúde específico garantido pelo SUS.

O sindicato deve organizar e dar lugar aos setores mais oprimidos de nossa categoria na luta. Fortalecer as Secretarias de Mulheres, LGBT e de Negras e Negros e Combate ao Racismo.

DEPARTAMENTOS E SECRETARIAS

O SINTUSP é construído pela base e por isso o CDB tem um papel importante e deve ser fortalecido. Ele é a melhor ligação entre a diretoria e os representantes das unidades que, unidos, são a direção política da categoria.

Por isso nosso último Congresso decidiu separar os órgãos do sindicato em departamentos, compostos como antes apenas por membros da diretoria colegiada eleita e em secretarias, que passaram a ter responsáveis eleitos entre os CDBistas. Vamos buscar melhorar o funcionamento dos departamentos e secretarias e aproximá-los mais ainda do cotidiano da categoria.

A imprensa do SINTUSP deve se tornar mais eficaz, se equipando, modernizando e diversificando suas formas de comunicação. Pelo controle dos meios de comunicação da universidade pelas três categorias a serviço da classe trabalhadora.




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