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Greve de professores do RN | "Professores passaram dois anos parados", diz governadora do RN, repetindo discurso da direita

A Governadora do RN do PT, Fátima Bezerra, em uma entrevista ao jornalista Juca Kfouri, transmitida pela Rede TVT através do Youtube, ironizou a greve deflagrada pelos professores, em meio a risos, disse “Nesse momento tem uma preocupação, porque os professores nessa semana deflagram greve aqui no Rio Grande do Norte, olha só, que situação, depois de dois anos de paralisação”, se referindo aos dois anos de pandemia, nos quais, supostamente, os professores estariam parados, sem trabalhar.

Vinícius Pedro SilvaCoordenador do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)

sexta-feira 18 de fevereiro | Edição do dia

Ao contrário do que a governadora diz, a pandemia não significou férias e descanso pros professores, ao contrário. Nos comentários da entrevista no Youtube, além dos relatos durante o período pandêmico, os professores trabalharam e tiveram que utilizar os próprios equipamentos ou tiveram que gastar do próprio bolso para adquiri-los. Também muitos dos alunos não tiveram garantia de equipamentos para poderem acompanhar as aulas, ou mesmo acesso a internet.

Ou seja, os professores não ficaram parados nesses dois anos, em verdade tiveram arcar com um o dobro de trabalho para dar aula remota, atender os alunos via whatsapp, se desdobrando inclusive financeiramente para não deixar os alunos sem aula. Para as professoras, que têm que arcar ainda com os cuidados da casa muitas vezes sozinha, com os filhos em casa e as tarefas aumentadas.

Além disso, os professores passaram esses dois anos de pandemia com os salários congelados, por conta de uma lei de Bolsonaro nunca contestada pelo governo do PT, frente a situação de aumento da inflação, sobretudo do preço dos alimentos. Uma política que submete os professores a uma situação de fome.

Frente a implementação do piso estabelecido nacionalmente, a governadora fez uma proposta aos professores de parcelamento do reajuste em cerca de 10 meses. Por conta do ano eleitoral, a proposta da governadora sequer tem garantia de ser aplicada, de modo que o TSE e TCE poderiam barrar o aumento. Por essa razão, após uma assembleia com quase 400 pessoas presentes, foi aprovada a continuidade da greve, que teve início nesta terça-feira, para quando estava programado o início do ano letivo presencial.

Nessa mesma assembleia, foi repudiada a fala do apresentador Cyro Robson, o “Papinha”, apresentador de um programa policial na TV Ponta Negra, afiliada do SBT, na qual ele fala que os professores do RN ficaram “coçando o saco” durante a pandemia. O apresentador é conhecido por ter um posicionamento político à direita. Não por coincidência, a fala de Fátima se baseia nesse mesmo argumento do direitista de que os professores não estavam trabalhando por dois anos. Na prática, a governadora joga a população contra a greve da categoria, apesar de falar demagogicamente que defende o seu direito de greve e que quando foi professora lutou pelo pagamento do piso.

A posição da governadora petista só mostra como as políticas do partido de descontar a crise nas costas dos trabalhadores e da população fortalecem os setores da direita da sociedade, e colocam a população contra a luta dos professores. No caso dos professores, está deixando de garantir o direito mínimo ao piso salarial, que inclusive já está estabelecido pelo desde o início do mês. Voltam as aulas e o piso da categoria não foi garantido. Vale lembrar que durante a Greve dos funcionários do Detran, a governadora chegou a dizer que só negociaria com a categoria depois que suspendessem a greve, depois de um mês ignorando as suas reivindicações. Um ataque ao direito à greve dos trabalhadores, além de ter travado as negociações em diversos momentos, assumindo uma posição reacionária e que vai de encontro aos interesses dos trabalhadores.

A política de Fátima em relação aos professores, assim como fez com os servidores do DETRAN, é uma mostra do que significa o projeto de país do PT de dar continuidade a política do golpe institucional de garantia de ataques aos trabalhadores. Fátima que aprovou a sua própria reforma da previdência estadual, garante mundos e fundos para o capital financeiro através do Banco Mundial, perdoa dívida dos empresários, enquanto faz falsas promessas aos professores. A aliança entre Lula e Alckmin para as eleições desse ano deixa claro que seu objetivo é dar continuidade ao legado da reforma trabalhista, da PEC do teto de gastos, do novo ensino médio, de Temer e Bolsonaro.

Por isso é muito importante a luta de professores, porque mostra como apenas a força dos trabalhadores é o que pode dar uma saída para a crise que a gente vive, combatendo o arrocho dos salários, a fome, e o desemprego, causados pela política de Bolsonaro e da direita neoliberal, mas também os ataques do governo do PT. Chamamos ao conjunto da população a cercar de solidariedade a essa greve, assim como os setores que se colocam críticos a conciliação de classes do PT, para que essa luta seja exemplo de qual caminho para garantir o reajuste automático dos salários de acordo com a inflação, a revogação da PEC do Teto de Gastos e do Novo Ensino Médio, junto à reforma trabalhista e o conjunto de reformas e privatizações que querem aprofundar a exploração, a opressão e a miséria no nosso país.

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