Educação

15M

Professores: no 15M, com a juventude, numa só luta contra os cortes e a Reforma do Bolsonaro

Nesse 15M, os professores, ao lado da juventude que vem mostrando uma disposição inspiradora de lutar contra os cortes da educação anunciados pelo MEC, podem abrir caminho para uma luta superior da classe trabalhadora contra os cortes de Bolsonaro, em defesa da educação pública e contra a Reforma da Previdência, construindo uma saída independente da nossa classe frente a miséria do futuro que querem nos impor. Nosso futuro não está em negociação: é uma só luta!

segunda-feira 13 de maio| Edição do dia

Há três dias da Greve Nacional da Educação, convocado pela CNTE e pelas Centrais Sindicais, nós do Movimento Nossa Classe Educação e do MRT - Movimento Revolucionário de Trabalhadores, abrimos através desse texto um debate com o conjunto dos professores e trabalhadores da educação em torno de qual dia 15 é necessário organizar para realmente enfrentar os cortes do governo Bolsonaro e a Reforma da Previdência, que desde antes de eleito Presidente já havia declarado guerra à Educação e a nossa categoria.

Em primeiro lugar, levantamos a necessidade da unificação da luta dos professores ombro a ombro com a juventude, que na última semana mostrou uma força inspiradora para levar à frente a necessária batalha em defesa da Educação pública, realizando assembleias e atos massivos em diversos estados contra os cortes anunciados pelo MEC na última semana e que será no dia 15 uma importante força nas ruas de todo o país. Essa potente aliança entre a categoria de professores com a juventude, pode inflamar o conjunto dos trabalhadores desse país numa só luta, mas para isso precisa levantar de forma combinada, as bandeiras da luta contra os cortes de Bolsonaro, que se expressaram no corte orçamentário de mais de 30% da verba das Universidades Federais e Instituições de ensino de todo o território - que atinge inclusive a educação de nível básico e médio, assim como o ensino técnico - e a defesa da aposentadoria dos trabalhadores contra a Reforma da Previdência de Bolsonaro e Guedes que querem nos condenar a morrer trabalhando.

Bolsonaro e o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, nos chantageiam enquanto tentam fazer do direito a aposentadoria moeda de troca para rever os absurdos cortes na educação, afirmando que depois de setembro as coisas podem voltar ao normal. Não aceitamos sermos chantageados, temos direito à educação e a aposentadoria e eles são podem ser negociados! Não podemos ter dúvidas de que esse ataque material/econômico é uma continuidade dos ataques ideológicos, como o Escola sem Partido e a polêmica que criaram em torno da ideia de “marxismo cultural” e que expressam o medo que eles têm dos professores e estudantes, exatamente pelo potencial explosivo das lutas da educação em todo o último período, não podemos esquecer que Junho de 2013 tinha o rosto da juventude e que inflamou todo o país, tão pouco esquecer a força das ocupações de escolas de 2015 e 2016 e todas as greves de professores que se deram nos últimos em diversos estados e municípios.

Nós professores que somos também uma categoria majoritariamente feminina e que por isso sentimos primeiro os ataques que tornam ainda mais pesado o fardo das duplas e triplas jornadas impostas às mulheres trabalhadores, ainda assim protagonizamos uma série de processos de lutas ao lado da juventude e dos setores oprimidos e ao fazê-lo, desafiamos os governos ajustadores que tentam à todo custo despejar sob nossas costas e nas áreas cruciais como a Educação, as contas da crise que sabemos que não fomos nós quem criamos.

Agora o que se coloca na ordem do dia é a necessidade de defendermos de forma mais profunda o papel social do conhecimento e da educação - historicamente negados aos filhos da classe trabalhadora, junto a defesa do papel dos professores, que nunca fomos tão atacados como temos sido hoje, negando toda importância social de uma categoria que ensina gerações e gerações à ler e a escrever. Querem rifar a Educação Pública, o pensamento crítico e arrancar o futuro dos filhos da classe trabalhadora - grande parcela de jovens e crianças negros e negras, assim como historicamente fizeram com seus pais, em troca do lucros dos patrões. Exatamente por isso, não podemos perder de vista o desafio colocado em nosso caminho: incendiar os trabalhadores de todo o país, ao lado da juventude, abrindo caminho para enfrentar os cortes de Bolsonaro e a Reforma da Previdência, para que os Capitalistas paguem pela crise. A consciência desse desafio, se torna ainda mais decisiva num momento político como esse, onde se acirra a ofensiva da burguesia e do Governo contra a juventude e os trabalhadores, frente à crise econômica internacional que perdura mais de 10 anos e que aqui no Brasil viemos sentindo de forma mais profunda desde 2013, mas que ganha novos contornos com o Golpe Institucional de 2016, a prisão de Lula no ano passado e pouco tempos depois com a chegada da extrema-direita ao poder através da nefasta figura de Jair Bolsonaro, não podemos perder de vista que são eles ou nós!

Nós, por estarmos em contato com trabalhadores de diversas categorias pelas relações estabelecidas pela Escola enquanto instituição e por ensinarmos diariamente os filhos da nossa classe, nesse dia 15, temos que dizer com todas as letras que não aceitamos o oportunismo dos partidos como o golpista MDB de Temer e o PR - com a conivência das direções sindicais, que usam a hipótese de tirar os professores da Reforma da Previdência para em seguida aprová-la contra a classe trabalhadora, separando-nos dos trabalhadores ao qual estamos intrinsecamente ligados, afinal também somos trabalhadores e fazem isso porque sabem o estrago que podemos fazer aos planos de Bolsonaro, toda casta política e da burguesia, se nos levantarmos não só em defesa de nossos próprios direitos, mas contra os cortes e pela aposentadoria de todos os trabalhadores.

E por essa via, denunciando também a política das direções sindicais que atuaram para separar a luta dos professores da luta do restante da classe, nos isolando das demais categorias neste dia 15 e chamando uma Greve Geral de todas as categorias para só daqui um mês, o que na prática significa impedir que conformemos uma verdadeira aliança operária desde já frente à Reforma, como fizeram os metroviários de São Paulo, que através dos coletes vermelhos abriram um debate com toda a população usuária do transporte público ao se posicionarem em todas as estações contra a Reforma da Previdência. O absurdo papel que cumprem essas direções, ao se ligarem formalmente ao chamado do 15 por fora das demais categorias e pior, sem nem mesmo construí-lo de forma efetiva dentro da categoria de professores é a velha estratégia de separação da vanguarda da massa, tendo em vista que somos uma parcela imensa classe da espalhada por todo o país, que se entra de fato em cena pode mudar as relações de forças e isso essas direções não querem, exatamente porque não há um posicionamento contrário à esse ataque nem dentro de seus próprios Partidos - Claudio Fonseca, do PPS/Cidadania, que é presidente do SINPEEM no município de São Paulo, por exemplo, representa uma bancada que defende a necessidade de uma Reforma da Previdência, como se fosse possível uma Reforma que promovesse justiça social.

Não deixemos que Bebel, presidenta da APEOESP; Claudio Fonseca, presidente do SINPEEM, e todas as direções burocráticas da categoria encasteladas nos Sindicatos da Educação de todo o país, nos façam de massa de manobra isolando nossa luta, para em seguida fazer coro com os Partidos que, ao nos separar do restante da classe, nos tirando da Reforma, negociarão o futuro da juventude e da classe trabalhadora e da juventude em troca de privilégios. Confiemos em nossas próprias forças, que se aliada à juventude e as demais categorias, pode barrar o conjunto dos ataques e impor que não sejamos nós, mas sim os que Capitalistas, que paguem pela crise, arrancando das Centrais um verdadeiro plano de lutas que nos dê condições de nos organizar à partir de cada escola, unificando professores, estudantes, funcionários e a população numa só força contra os ataques de Bolsonaro.

Veja também: 15M: uma só luta contra os cortes de Bolsonaro e a Reforma da Previdência

Esse conteúdo, se levantado pela nossa categoria, pode abrir debates superiores sobre a perspectiva com a qual lutaremos contra a crise que estão sedentos por nos fazer pagar em nome do lucro dos banqueiros e do Imperialismo, para isso é necessário combinar nossas reivindicações a um programa anticapitalista que levante a bandeira do não pagamento da dívida pública que saqueia a vida da nossa classe através de precárias condições de trabalho e salários miseráveis, enquanto enxugam e sucateiam a educação, a saúde e todos serviços mais caros à população.

Façamos chegar em cada escola e à cada professor, professora e trabalhador da educação a urgência de impormos através da luta contra os cortes e a Reforma da Previdência uma força, que através de um programa anticapitalista, mostre à Bolsonaro e sua corja, nossos inimigos, que nossas vidas valem mais que o lucro deles e que não permitiremos que negociem o futuro da nossa classe e da juventude em nosso nome.




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