Educação

GREVE DOS PROFESSORES DO RJ

Professores do Rio de Janeiro votam continuidade da greve: Ato dos professores na ALERJ impede votação de Projeto que facilitaria demissão de servidores.

Assembleia de professores do estado do rio de Janeiro vota por manter a greve.

Ronaldo Filho

Professor da rede estadual do RJ

quinta-feira 21 de julho de 2016| Edição do dia

Em mais um momento de luta, os profissionais de educação do Rio de Janeiro realizaram uma assembleia que contou com a presença de mais de 2 mil pessoas, na qual a ampla maioria votou pela continuidade da greve. Decidiram também continuar realizando atos que dialoguem com a população e denunciem a política do governo PMDB/PP que além de garantir as Olimpíadas privilegiando os empresários em detrimento da população, atacam não só os profissionais da educação, mas todo o serviço público ameaçando demitir servidores e reduzir o atendimento a população.

A próxima assembleia ficou para o dia 26/07, haverá um ato cultural na Cinelândia 22/07 para angariar mais recursos para o fundo de greve e outro em Copacabana 24/07. Também foram apresentados recursos em relação à audiência de conciliação e a suspensão de calendário, mas prevaleceu a decisão de assembleias anteriores de não chamar para o dissídio. Também foi constatado que o índice de grevistas reduziu após o pagamento descontado e as diversas pressões que a categoria vem sofrendo como o medo de novos cortes e de uma reposição punitiva, que já esta sendo tocada por direções autoritárias. Porém, mesmo este índice menor ainda é maior do que em greves anteriores.

Como se não bastasse às ameaças do Governo e as incertezas econômicas que categoria vem sofrendo, a porção majoritária da direção do SEPE aumentou este tencionamento ao divulgar textos e áudios em redes sociais, indicado que a greve não tem mais o que conquistar e que uma vanguarda inconsequente quer levar a categoria ao martírio, e tudo isso para defender a saída da greve que esta se aproximando das Olimpíadas e acontece em um ano eleitoral, fazem isso naturalizando o corte de salários, depois de dirigirem uma greve rotineira que caminhava para um beco sem saída. Agora pensam num recuo que não prepara a categoria para as batalhas contra a política do Dorneles e do PMDB, de ser pioneiros nos ataques serão implementados pelo governo golpista do Temer nacionalmente. Com isso negligenciam a necessidade de forçar novas rodadas de negociações para garantir pontos em aberto da pauta, além da suspensão do calendário, que precisa ser imposta ao governo em negociação pós greve.

A porção da direção do SEPE que defendeu o fim da greve com base em um discurso recuado, criminalizando companheiros de luta, não efetivando o uso do fundo de greve para dar mais segurança à categoria, além de absurdamente usar o jurídico para desarmar a categoria dizendo que o PL 1975/16 não iria afetar em nada a estabilidade dos servidores públicos, mascarando a política do governo que abre brechas para isso, para acabar com a greve.

O após a assembleia a categoria realizou um ato na frente da ALERJ com mais setores do funcionalismo público como as categorias da UERJ que estão em greve há 4 meses e FAETEC. O ato era para barrar a votação do PL 1975/2016 que mudará a Lei de diretrizes orçamentárias (LDO), que na prática, acreditasse, facilitará a demissão de servidores públicos, já prevista na constituição federal e na lei de responsabilidade fiscal, mas precisa que algumas condições orçamentárias existem para que se efetive. Do lado de dentro da ALERJ, um grupo de professores junto a servidores da FAETEC e da UERJ, ocuparam a plenária para pressionar contra a votação da PL. Após mais de quatro horas, foram expulsos pela Tropa de Choque da Polícia Militar a mando do presidente da casa, Jorge Picciani, na tentativa de garantir a votação à força, contra a vontade dos trabalhadores.

Do lado de fora, a categoria tentou entrar na ALERJ e foi barrada e atingida com spray de pimenta. Escancarando mais uma vez que ali não é a casa do povo, mas sim o balcão de negócios da burguesia. Durante o período do ato, foram realizadas atividades como o corte da Av. 1º de Março, colagem de contracheques e adesivos na faixada da ALERJ e nos carros dos deputados e velas na escadaria simbolizando a vigília pela estabilidade dos empregos. Ao final do ato, devido à pressão externa e a emendas feitas ao projeto pela bancada do PSOL, retiraram a PL da ordem do dia, mas ela voltará em outro momento.

Esta última ação da categoria mostrou a clara necessidade de se manter mobilizados frente à continuidade dos ataques ao funcionalismo e a população. Devemos ligar nossa luta ao não pagamento da dívida pública do Rio de Janeiro e a crise provocada pelos capitalistas que estão jogando a conta nas costas dos trabalhadores. Por isso defendemos que políticos como Picciani ganhem o mesmo que uma professora! É preciso construir com peso os atos votados pelas categorias e unificar pela base todos os servidores públicos para lutar contra os ajustes no Estado do Rio de Janeiro.




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