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Professores de SP convocam ato do funcionalismo público contra os ataques

Professores do movimento Nossa Classe Educação convocam ato dos servidores públicos nesta sexta, 27, contra a terceirização irrestrita e a reforma trabalhista. Façamos como os professores no Rio Grande do Sul.

terça-feira 24 de outubro| Edição do dia

Que o governo Temer tem um projeto de país que está contra os trabalhadores, isso não é novidade. Com a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e a aprovação da terceirização irrestrita, Temer quer, ao lado dos governos estaduais e municipais, despejar toda a crise econômica nas nossas costas. Querem até mesmo acabar com a estabilidade dos funcionários públicos.

A educação está na mira e é afetada todos os dias

A situação da educação é alarmante: temos a aprovação da Reforma do Ensino Médio, que abre esse espaço para a contratação de terceirizados, para o EAD e tira os alunos das escolas para se formarem trabalhando em empresas e indústrias. Esta reforma coloca em prática a reorganização escolar, tão sonhada pelo governo Alckmin, prometida há alguns anos e barrada temporariamente pela brava luta dos nossos alunos ocupando as escolas, mas que hoje vem sendo implementada na prática, silenciosamente, mas com força, fechando centenas de salas de aula em todo o estado.

Nossos salários de professores, que já sofrem com a defasagem de quatro anos sem reajuste, continuam na mira do governador, que agora apresentou um projeto de lei na Câmara que congela nossos salários e vida funcional para renegociar a dívida do estado com a União. Ou seja, Alckmin quer proibir os reajustes salariais e a evolução funcional dos servidores.

Também é gritante a situação das estruturas das nossas escolas: estão literalmente caindo aos pedaços, com centenas de escolas sem mesas e cadeiras, sem quadras, laboratórios, materiais básico, chegando ao cúmulo de escolas sem caixa d’água ou fiação elétrica.

E como se não bastasse, além disso tudo, ainda existe um “movimento” como o Escola Sem Partido, que quer controlar o conteúdo discutido nas salas de aula, ameaçando professores e perseguindo alunos quando o conteúdo ali discutido for considerado crítico demais e ameaçador para os governos.

Já na prefeitura a situação também não é muito diferente, pois Doria quer de todo modo ficar conhecido como o homem que detonou a merenda nas escolas, primeiro ao racionar a merenda e depois ao tentar dar a “ração humana” para as crianças comerem. Seguindo os passos de seu companheiro de partido Alckmin, Doria passou a demitir professores e fechar salas de aula para superlotar as que seguem abertas. Além de estarmos sempre preocupados com a ameaça do SAMPAPREV, iniciado na gestão do PT, que quer acabar com a nossa aposentadoria.

Atacam dessa maneira a educação, os professores e os alunos, pois sabem o papel importante que cumpre a união entre professores e alunos na luta contra as mazelas e desmandos dos governos. A categoria de professores é enorme e está por todo país, contando com o apoio da maioria da população. Precarizar e censurar as escolas é parte de uma política consciente de instalar o caos nas escolas e impedir que os professores se organizem junto com os pais, alunos e funcionários.

Qual é a saída?

A professora Marcella Campos, diretora da Apeoesp pela oposição e também militante do Movimento Nossa Classe Educação, aponta:

“Nós, professores e professoras do Movimento Nossa Classe Educação acreditamos que é preciso tomar em nossas mãos a luta em defesa da educação pública e também em defesa dos direitos dos trabalhadores de conjunto. Precisamos fazer tal como estão fazendo os professores no Rio Grande do Sul, que cruzaram os braços em greve e estão impulsionando uma fortíssima mobilização, arrastando consigo outras categorias de trabalhadores e tendo muito apoio popular, dando aos governos apenas um sinal do que nós somos capazes de fazer quando nossos interesses são secundarizados e nossos direitos massacrados.”

As direções dos nossos sindicatos (Apeoesp, ligada ao PT, e Sinpeem, ligado diretamente ao governo Doria) devem parar com o “teatro de resistência” que encenam, pois na prática nada fazem para organizar os professores contra esses ataques.

Nessa próxima sexta-feira, 27, será o dia de paralisação do funcionalismo público de SP e, por isso, o nosso sindicato deve sair do marasmo e organizar reuniões nas escolas, com assembleias para preparar de fato essa paralisação.
Nós do Movimento Nossa Classe Educação chamamos a todas e todos a lutar contra as reformas trabalhista e da previdência e a retirada de direitos com a aprovação da terceirização irrestrita nesta sexta-feira, ao lado dos servidores públicos, a partir das 16h na Avenida Paulista, nº 2163, em frente ao escritório da Presidência da República.

Essa paralisação deve servir como aquecimento dos motores para o dia 10 de novembro, dia em que as centrais sindicais convocam em todo país como um dia de lutas. Sem isso, o discurso de “resistência” é completamente vazio. Basta de datas e atos caricatos e festivos, que não fazem cócegas ao governo. Precisamos de sindicatos que impulsionem mobilizações reais na base das categorias, recuperando a força que a classe trabalhadora demonstrou no dia 28 de abril, fazendo a maior Greve Geral das últimas décadas no Brasil.”

Não aceitamos que continuem passando por cima da educação pública!
Vamos lutar e seguir o exemplo do Rio Grande do Sul!




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