Educação

VITÓRIA DOS PROFESSORES

Professores da rede privada derrotam a patronal e a Reforma Trabalhista

Professores das escolas particulares de São Paulo realizaram hoje uma paralisação, com assembleia e um forte ato, onde votaram o acordo que derrota as patronais, fazendo engolir suas tentativas de implementação da Reforma Trabalhista. Foram 103 escolas paralisadas, uma assembleia enorme e um ato de proporções que há muito tempo não se via na rede privada de ensino, exigindo a manutenção dos direitos de acordo coletivo dos professores.

quarta-feira 30 de maio| Edição do dia

Foto: Gabriela Bueno Ziebert.

Professores das escolas particulares de São Paulo realizaram hoje uma paralisação, com assembleia e um forte ato, onde votaram o acordo que derrota as patronais, fazendo engolir suas tentativas de implementação da Reforma Trabalhista. Foram 103 escolas paralisadas, uma assembleia enorme e um ato de proporções que há muito tempo não se via na rede privada de ensino, exigindo a manutenção dos direitos de acordo coletivo dos professores.

Houve duas paralisações, muitas reuniões e inclusive apoio de muitos estudantes de várias escolas, que também realizaram assembleias próprias, paralisações próprias e se incorporaram aos atos junto aos pais.

Com esta importante luta, os professores conseguiram barrar por um ano a alteração da convenção coletiva, após um longo período de negociação com o sindicato patronal, conseguindo a manutenção integral de todas as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho, aprovada em novembro do ano passado, até 28 de fevereiro de 2019. Também conseguiram um reajuste salarial de 3% e 15% de Participação de Lucros.

Leia também: Professores das particulares em SP paralisam 103 escolas contra a reforma trabalhista

Além disso, foi deliberado um indicativo de greve se os patrões não assinarem a Convenção até dia 5 de junho. Assim, caso a patronal tente continuar atacando para implementar a Reforma Trabalhista, os professores entrarão em greve imediatamente. O mesmo ocorrerá caso os donos de escola não assinem a Convenção até a próxima terça-feira, dia 05 de junho.

Esse é um grande exemplo da força da mobilização dos trabalhadores frente aos ataques dos patrões e do governo golpista de Temer, que sob o falso argumento de "modernização", quer precarizar no mais profundo as condições de trabalho para aumentar o lucro dos empresários. Este ano, utilizando do método histórico da classe trabalhadora que são as assembleias, greves e paralisações, os professores da rede municipal também derrotaram a tentativa de implementar uma Reforma da Previdência ainda mais cruel que a de Temer sobre os servidores municipais de São Paulo.

É ainda mais forte o resultado dessa vitória quando se dá em meio a uma conjuntura de ataques e derrotas para os trabalhadores. Tivemos a aprovação da reforma trabalhista e vivemos sob a constante ameaça da aprovação de uma reforma da previdência que nos faria trabalhar até morrer. Frente a tudo isso, vimos os sindicatos dirigidos pelo PT e pela CUT traindo greves e mantendo uma situação de passividade, o que deixou um enorme vazio de direção das insatisfações populares, que vimos ser ocupado pela direita na mobilização de caminhoneiros, com imagens de caminhoneiros pedindo intervenção militar e clamando Bolsonaro.

A única ação do PT foi a recorrente relação eleitoralista com os sindicatos, evitando que os trabalhadores se posicionassem publicando e preparando assim, enormes derrotas. A conquista dos professores da rede municipal e da rede privada mostram um novo caminho. Um caminho de colocar a frente os nossos métodos de luta, com independência de classe e nenhuma confiança nos patrões, diferente do que vimos acontecer entre os caminhoneiros na última semana. É a prova de que se as centrais sindicais rompem o imobilismo, há muito mais disposição para arrancar outras vitórias.

Mas é preciso manter a mobilização ativa e, mais do que isso, estabelecer uma forte aliança entre os professores da rede privada e pública. Isso porque frente a validade de um ano do acordo, as direções iniciarão seus métodos antigos de assédio e demissão para rifar a vanguarda que participou dessa luta. A vanguarda precisa se ampliar, se ligar aos professores da rede pública e superior e conformar uma forte aliança capaz de acabar com os monopólios da educação e conquistar a estatização de todo o sistema privado de educação, expulsando essa chefia assediadora, que lucra com a educação que deveria ser direito.




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