Educação

GREVE DAS ESTADUAIS PAULISTAS

Professores da USP aprovam greve a partir do dia 31

Fernando Pardal

@fepardal

terça-feira 24 de maio de 2016| Edição do dia

foto: DCE Livre da USP

A partir do indicativo aprovado na semana passada, nessa segunda os professores da USP deliberaram por iniciar sua greve a partir da próxima terça-feira, dia 31 de maio. A professora Ana Costa, representante da Adusp (Associação dos Docentes da USP) na Faculdade de Educação, relatou ao Esquerda Diário o que foi discutido na assembleia:

“Hoje, os docentes da USP, reunidos em assembleia geral, decretaram greve a partir do dia 31 de maio. Um número expressivo de docentes, aproximadamente 200, disseram não à política de desmonte da Universidade de São Paulo que vem sendo implementada pela reitoria.

Os eixos definidos eixos para o movimento foram: 1- Contra o desmonte da Universidade Pública; 2- Pela retirada de pauta das propostas da Reitoria de reforma centralizadora na avaliação e na carreira docente encarnada na criação da nova Comissão Permanente de Avaliação (CPA); 3- Contra o arrocho salarial representado pela irrisória proposta do CRUESP de reajuste de 3%, mesmo esta, indicada como inviável pela Comissão de Orçamento e Patrimônio (COP) da USP; 4- Pelo repasse integral da quota parte do ICMS e pela ampliação das verbas para as Universidades Estaduais Paulistas; 5- Pela abertura e transparência nas contas da USP.

A assembleia também aprovou o repúdio às pressões para cortes de ponto de funcionários em greve que a administração central tem enviado às unidades de ensino.

Num contexto nacional de ataque aos direitos sociais, os docentes da USP, ao se unificarem com os estudantes e funcionários técnico-administrativos da Universidade e demais setores da educação pública em luta, assumem uma responsabilidade histórica na defesa do ensino superior público de qualidade.”

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Bruno Gilga, funcionário da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), comentou a decisão da assembleia dos professores:

“A entrada dos docentes na greve é um passo muito importante na nossa mobilização. Temos na USP um histórico muito grande de lutas e nosso sindicato já foi atacado pela mídia por ter feito mais de 360 dias de greve em dez anos, mas nós sabemos que se hoje a universidade não está em uma situação ainda maior de precariedade e privatização, é justamente porque as greves resistiram contra os projetos dos governos e reitorias. Não à toa, temos uma grande perseguição contra nosso sindicato, com diversos diretores perseguidos por lutar e agora a ameaça da reitoria de tomar o nosso espaço, o que não vamos permitir.

Mas sabemos que é impossível vencer essa luta sem a unificação das categorias. Os estudantes estão se mobilizando cada dia mais, com mais de 13 cursos em greve, diversos outros paralisados com indicativo de greve e várias ocupações de prédios. Os professores dão um passo fundamental ao entrar na greve, pois tem um grande peso político e sua mobilização é de grande valia para barrar os novos ataques e cortes que temos visto. Também hoje declararam seu apoio à luta dos trabalhadores pela manutenção do Sintusp.

Temos agora que dar passos firmes rumo à unificação das estaduais paulistas, estreitand cada vez mais laços com a greve da Unicamp, que é a mais forte da última década, e que vem tomando medidas importantes de unificação, como foi o encontro estadual de estudantes que ocorreu no último fim de semana na ocupação da reitoria, que teve delegações de todas as estaduais, além de UFABC e universidades privadas de Campinas. Esse é o caminho para podermos vencer: a unificação das lutas em curso e a partir dessas articular um chamado para uma greve geral da educação para barrar os ataques e colocar de pé uma grande luta contra o governo golpista de Temer, uma luta que seja o estopim inicial para realizarmos uma Assembleia Constituinte com a força da nossa luta, que possa varrer os governos que atacam a educação em nome dos lucros dos empresários.”

Jéssica Antunes, diretora do Centro Acadêmico da Letras (CAELL) e militante da Juventude Anticapitalista e Revolucionária Faísca, concordou com a necessidade de unificar as lutas:

“Nós aprendemos muito com as lutas dos secundaristas, que aqui em São Paulo impuseram um recuo na reorganização escolar de Alckmin e agora protagonizam uma luta dura contra a máfia da merenda. Em outros estados as ocupações se espalham a cada minuto: Rio, Ceará e agora mais de 150 escolas ocupadas no Rio Grande do Sul. Aqui na USP, a aprovação da greve na assembleia da Adusp sem dúvida dá mais fôlego à nossa luta. Na Ocupação da Letras temos tido iniciativa para nos unificar aos professores que querem se colocar ativamente em luta em defesa da educação: temos organizado aulas públicas, debates, um calendário muito vivo e intenso com participação de diversos setores, dando um pequeno exemplo do que é a universidade que queremos: democrática, com conhecimento acessível a estudantes, trabalhadores, secundaristas; sem vestibular e sem empresas privadas.

Com os professores aprovando a greve, esperamos que essas iniciativas se aprofundem. No encontro de estudantes na Unicamp aprovamos um ato unificado no dia 3, e esperamos que os professores também se unifiquem nesse dia, pois poderemos dar uma grande demonstração de força da nossa greve. Também aprovamos um Comando Estadual de greve, que consideramos fundamental para podermos avançar mais profundamente na estratégia para unificar e vencer a luta. Aqui na USP, nós da Faísca temos travado o debate sobre a necessidade de romper com o corporativismo e pautar essa luta nossa como parte de uma luta nacional contra os ataques e em defesa da educação, de procurar nos aliar cada dia mais aos secundaristas, que tem mostrado estar na linha de frente desse combate. Esse é o caminho para podermos vencer.”




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