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GREVE EDUCAÇÃO MG

Professores da UFMG aprovam paralisação e entram em estado de greve em defesa da educação

Professores da UFMG decidiram em assembleia realizada ontem (10) paralisar as atividades na próxima quarta-feira, 18 de março, e se juntam aos técnicos-administrativos entrando em estado de greve contra os ataques do governo Bolsonaro à ciência e às universidades públicas e contra as ameaças autoritárias do governo federal. Estudantes se reúnem nos próximos dias. Técnicos administrativos defenderão em fóruns nacionais da categoria o indicativo de greve por tempo indeterminado a partir do dia 18 de março

quinta-feira 12 de março| Edição do dia

Os professores da universidade decidiram aderir à Greve Nacional da Educação no dia 18 de março. Como diz a nota da Apubh, “os docentes entenderam que os constantes cortes de orçamento nas universidades, bem como nas agências públicas de fomento à pesquisa trazem sérios prejuízos para todo país”. Os professores também votaram a entrada no chamado “estado de greve”, em que advertem o governo da possibilidade de paralisação integral das atividades. E pelo qual passam a organizar desde a base atividades de mobilização junto aos estudantes e aos técnicos administrativos, contra os ataques de Bolsonaro às universidades públicas.

Os professores e todos os servidores são fortemente afetados pelos ataques que o governo Bolsonaro e o ministro Abraham Weintraub vêm fazendo contra a educação: contra a Reforma da Previdência aprovada em 2019 e o aumento das alíquotas de contribuição retiradas do salário; contra o congelamento e redução de salários de servidores públicos, como previsto na PEC 186 (PEC emergencial); contra a suspensão das contratações e intensificação da exploração dos docentes, também previstas na PEC 186; contra os cortes de verbas nos orçamentos das universidades e nos orçamentos de fomento à pesquisa.

O movimento também luta contra o fim do percentual mínimo de investimento em educação pelo governo federal, como proposto na PEC do Pacto Federativo; contra o Future-se, projeto de avanço da privatização nas universidades públicas apresentado por Weintraub em 2019; contra a reforma administrativa que quer criminalizar servidores e acabar com a estabilidade de concursados; contra o ataque à autonomia das universidades, mudando a forma de eleição dos reitores e abrindo espaço para a intervenção direta do MEC nas IFES (Instituições de Ensino Superior); em denúncia aos “erros” e problemas no ENEM criados pelo governo federal.

Com a busca de Bolsonaro avançar autoritariamente contra direitos democráticos e impor a ferro e fogo mais reformas e destruição de direitos, é ainda mais importante buscar a confluência de todas as lutas democráticas e dos trabalhadores, unindo a luta das mulheres que foram às ruas no 8 de Março e dos que irão às ruas no dia 14 por justiça para Marielle Franco ao dia 18, em uma grande paralisação nacional em que a classe trabalhadora, as mulheres e a juventude mostrem sua força frente ao ato reacionário do 15 de março, convocado por Bolsonaro e pela extrema direita.

Estudantes também se reunirão nos próximos dias em seus cursos e faculdades para organizar a participação discente. Visto que a atual destruição da educação pública impacta fortemente os estudantes com a piora na assistência estudantil, ausência de bolsas e a precarização das condições de estudo e pesquisa. A assembleia geral convocada pelo DCE ocorrerá no dia 16, às 17h no prédio da Reitoria. Os centros acadêmicos também estão organizando assembleias de base para unir no dia 18 os estudantes aos docentes, técnicos-administrativos e aos trabalhadores da educação da rede estadual de Minas Gerais e da rede municipal de BH em greve.

Os técnicos-administrativos da universidade estão em estado de greve desde o dia 30 de janeiro e levarão proposta de greve por tempo indeterminado para a plenária nacional da Fasubra, federação nacional que reúne as entidades sindicais dos técnicos administrativos das universidades.

A unidade entre estudantes e trabalhadores é a que pode ser capaz de fazer frente aos ataques de Bolsonaro e dos governos reacionários como Zema. E pela mobilização nas escolas e universidades e tomando as ruas, parar a destruição da educação.

Entre as propostas votadas na assembleia dos professores estão as seguintes atividades: próxima assembleia dia 18 de março; criação de uma comissão de mobilização para construir nas faculdades uma forte paralisação no dia 18 de março; coletiva de imprensa para informar à sociedade sobre a mobilização e as pautas docentes; apoio ao ato em homenagem a Marielle Franco no dia 14 de março; montagem de tendas temáticas para aproximar da população o conhecimento produzido na UFMG.

Leia mais: Com a força internacional das mulheres, por justiça para Marielle e uma forte paralisação no 18M




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