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Professor de Direito na USP chama LGBTs de “aberração” e incita "guerra" contra a esquerda

O reacionário professor Eduardo Lobo Botelho Gualazzi (Direito-USP), fervoroso apoiador de Bolsonaro, novamente ministra aula marcada por seu já notório fanatismo ultra-direitista com discurso racista, homofóbico, anti operário, e elogioso da ditadura militar e do governo Bolsonaro.

quarta-feira 27 de fevereiro| Edição do dia

O texto da aula, redigido por Gualazzi, leva pra sala de aula da faculdade do Largo São Francisco um pensamento obscurantista, preconceituoso e raivoso, fazendo eco às declarações mais grotescas do presidente e seus apoiadores. Estudantes em redes sociais respondem com rechaço ao professor reacionário.

Em 2014 Botelho já havia sido objeto de manifestações de repúdio quando o mesmo homenageou, em sala de aula, o golpe militar de 1964, que suspendeu por 21 anos o estado de direito no Brasil e resultou num regime bárbaro responsável por incontáveis atrocidades.

O texto em questão, de doze páginas, contém uma série de ataques intolerantes, anticientíficos e chamados à ação contra a esquerda, a classe trabalhadoras e grupos oprimidos, o que remete diretamente ao fascismo. O professor racista destila seu ódio com uma defesa da família tradicional, definida por Gualazzi como a união conjugal entre um homem e uma mulher da mesma etnia. Os LGBTs e a miscigenação constituem “aberrações” e “taras”, segundo Gualazzi. O texto ainda contém uma referência para tal afirmação: “pode consultar a espécie humana!”. Entre os supostos fundamentos de suas posições ultradireitistas, o autor destaca, entre outras ideologias, a “euro-brasilidade”, o “pan-americanismo”, a tradição judaico-cristã, o “burguesismo” e o “aristocratismo.”

Em seguida, o professor declara com entusiasmo seu apoio ao governo Bolsonaro e invoca uma “guerra total” contra a esquerda, que ele caracteriza como “escrófula da sociedade”, “antissocial”, “pilantras”, “minoria sórdida”, etc.

Esse fanatismo ultraconservador e intolerante encontra concretude e se manifesta enquanto um perigo real à esquerda, aos negros, aos indígenas, e aos LGBTs que vêm sofrendo inúmeras ameaças do governo. Destacamos que o Brasil apresenta as taxas de homicídio LGBTfóbico mais altas do mundo.

Suas diversas reivindicações da ditadura militar e seu discurso de ódio que evocam os elementos mais fascistizantes do governo merecem todo o rechaço. É inaceitável que uma aula, especialmente numa universidade pública, traga esse tipo de conteúdo.

O Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito da USP respondeu os ataques com uma nota de repúdio. Gualazzi deve ser, no mínimo, afastado pela Universidade de São Paulo, e deve ser punido pelos discursos de ódio.




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