Sociedade

PRESOS NA USP

Professor Carlos Botazzo repudia a repressão que resultou na prisão dos 11 da USP no 14J

Veja a declaração do Profº. Carlos Botazzo, professor aposentado da Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP), sobre a repressão no 14J durante ato contra a reforma da previdência, que resultou na prisão de estudantes e trabalhadores da universidade.

terça-feira 18 de junho| Edição do dia

Após a violenta repressão ao ato de estudantes e trabalhadores da USP que manifestavam no 14J, dia da Greve Geral contra a Reforma da Previdência, 11 estudantes e trabalhadores foram detidos, acusados de incêndio criminoso, formação de quadrilha e depredação do patrimônio público. Os presos políticos permaneceram foram levados ao DEIC, onde permaneceram detidos até o sábado por mais de 24h, quando foram libertados após audiência.

Veja a declaração do Profº. Carlos Botazzo sobre a repressão e prisão dos estudantes e trabalhadore:

"Estamos assistindo a uma acelerada desagregação das instituições e das normas de convivência democrática. Decorridos mais de 3 anos do golpe jurídico-midiático que retirou do poder a presidente legitimamente eleita, a situação chega perto do inacreditável. Juízes confraternizam com promotores, militares de alta patente determinam, em alto e bom som, qual deverá ser o comportamento de cortes judiciárias, enquanto outros favorecem a destruição do patrimônio nacional e a entrega das riquezas a empresas estrangeiras, ministros de Estado inventam, mentem, falseiam informações a bel prazer, sem esperar nenhuma repreensão.

E neste dia 14 de junho, dia de Greve Geral e de grandes manifestações por todo o Brasil, dia em que movimentos sociais, a juventude, funcionários, trabalhadores, homens e mulheres, estudantes, professores, enfim, expressiva parcela dos que estão sendo atingidos pela destruição das políticas públicas, destruição do emprego, das universidades, do SUS e do sistema nacional de ciência e tecnologia, e a destruição da soberania nacional, neste dia o governo mostrou sua verdadeira face: a face da intolerância, a face da intransigência, a face anti-povo e anti-nação, a face repressora dos que odeiam a democracia e a liberdade.

Como era esperado, a repressão se abateu sobre grupos de manifestantes em diferentes localidades. Pela manhã, em Belém do Pará e no Rio de Janeiro. E logo depois em São Paulo, onde a polícia atacou de forma covarde o protesto pacífico que nada mais era senão a manifestação contra a destruição da previdência social, a destruição da universidade pública, a destruição do nosso patrimônio.

Numa atitude própria das ditaduras militares, alunos, funcionários e professores da USP, desarmados, foram cercados e agredidos covardemente. Não bastasse isso, foram presos ilegalmente.

Nossa solidariedade aos manifestantes, todas e todos que saíram às ruas neste 14 de junho em defesa das liberdades e da democracia, solidariedade aos que lutam contra o desmonte da previdência e contra a destruição da universidade pública e de qualidade, aos que lutam pelo direito de expressão.

Por uma sociedade justa, livre, democrática e fraterna!

Solidariedade aos presos políticos e às vítimas da camarilha corrupta e criminosa que hoje domina o Brasil."

Profº. Carlos Botazzo, professor aposentado da Faculdade de Saúde Pública - USP.




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