Processo de privatização da Petrobras rouba do bolso do trabalhador para dar aos EUA

A mudança que houve no governo golpista de Temer da revisão dos preços dos combustíveis é uma política explícita de entreguismo ao imperialismo que não se dissocia dos rumos que o PT tomou nos seus anos de mandato.

sexta-feira 25 de maio| Edição do dia

A mudança que houve no governo golpista de Temer da revisão dos preços dos combustíveis é uma política explícita de entreguismo ao imperialismo que não se dissocia dos rumos que o PT tomou nos seus anos de mandato. Essa oscilação dos preços era uma exigência das grandes petroleiras estadunidenses, como a ExxonMobil e a Chevron, a britânica BP e a francesa Total, para poder entrar no Brasil. Hoje, ao invés dos preços terem períodos específicos para serem alterados, a Petrobrás avalia todo o mercado pra se adaptar a ele, se enfrentado com as concorrências das importadoras, o câmbio do dólar e cotações do barril de petróleo.

A partir de então foram praticados preços mais altos que viabilizaram a importação por concorrentes. A Petrobras perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada. A exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil. Importar os derivados de petróleo que deixou de fazer no Brasil, aumentando a ociosidade, aumentou os custos que a Petrobras precisa pagar para o capital estrangeiro a fim de obter produtos acabados.

Os grandes vencedores são as petroleiras internacionais e acionistas privados que sugam os recursos da Petrobras, impedindo que ela cumpra um serviço barato e eficaz para a população.

Essa nova política de oscilação diária, que tem muito mais rapidez para subir do que para abaixar os preços, só serve para preparar o terreno para privatizar as refinarias, como já fazia o PT, garantindo o lucro das empresas e agravando o ônus sobre a população trabalhadora e pobre.

Esta política do governo golpista é de venda agressiva da Petrobras aos grandes monopólios petroleiros estrangeiros. Mas teve seus antecedentes pré-golpe institucional. A relação dos governos do PT com a Petrobras mostraram em 13 anos que não são alternativa alguma frente à política de entrega praticada por Temer.

Nas gestões de Lula e Dilma, houve inúmeras indicações de burocratas sindicais para cargo administrativo da Petrobrás. Renato Duque, por exemplo, amigo de Lula, foi indicado pelo ex presidente para o cargo de diretor de serviços da empresa. Depois, foi comprovado o escândalo do esquema de corrupção com seu envolvimento. Dilma Rousseff assinou junto a José Serra a venda de poços de pré-sal a petroleiras como a anglo-holandesa Shell. A aliança com a direita nacional e a semelhança com seus métodos corruptos abriu espaço para que hoje Temer, junto ao Tucano Pedro Parente, avance com o plano de privatização da Petrobrás cobrando preços exorbitantes, dando o ponto de apoio que o capital estrangeiro precisa para avançar para substituir um esquema de corrupção pelo outro, fazendo com que a população pague pela crise colocada.

Com isso, hoje o preço da gasolina sobe de forma absurda, o que afeta diretamente a vida do povo. As patronais, no entanto, se encontram numa corrida para que exista uma diminuição do preço do óleo diesel e aumentar os subsídios públicos aos seus lucros. Eles não estão preocupados com o aumento da gasolina, do gás de cozinha, com as condições de trabalho dos caminhoneiros e nem com o agravamento do ônus sobre quem paga pelos derivados do petróleo: só querem negociar o subsídio e a fatia de lucro com o governo golpista.

A única forma para que os preços dos combustíveis sejam baratos e eficazes é com a Petrobrás 100% estatal sob administração operária e controle popular, sem interferência de acionistas privados, para que não exista influência dos lobistas e burocratas que fortalecem o capital estrangeiro.

A imprensa diz que se for completamente estatizada, "a Petrobras gerará prejuízos". Mentira. A chave da corrupção e dos prejuízos é de responsabilidade dos acionistas privados e dos burocratas indicados pelos governos do PSDB e do PT, sempre apoiados pelo PMDB. Mas não basta ser 100% estatizada, sem empresários e acionistas. A Petrobras precisa ser controlada pelos trabalhadores que a sustentam, com os interesses de toda a população à frente, não dos empresários, oferecendo serviços baratos e impedindo que o imperialismo sequestre nossas riquezas.

Para isso, é essencial que a CUT e a CTB convoquem imediatamente um plano de lutas que comece com uma forte paralisação nacional para que os trabalhadores se auto-organizem em seus locais de trabalho e entrem em cena com independência de classe e se mobilizem sem patrões.




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