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Privilégio Militar: Bolsonaro quer Ministério da Defesa com mais verbas que o MEC em 2021

Bolsonaro demonstra mais uma vez a quem seu governo serve e cede a pressão de militares e encaminha proposta ao congresso de um aumento R$ 5,8 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa segundo dados obtidos pelo O Estado de São Paulo.

segunda-feira 17 de agosto| Edição do dia

A divisão dos recursos entre as pastas está com o ministro Paulo Guedes (Economia) e deve ser enviada ao Congresso até o fim de agosto. Se aprovada essa proposta as despesas com militares será maior do que com a educação no País, será a 1º vez em 10 anos que o Ministério da Defesa receberá mais dinheiro que o Ministério da Educação. A previsão é que a Defesa tenha um acréscimo de 48,8% em relação ao orçamento de 2020, passando de R$ 73 bilhões para R$ 108,56 bilhões em 2021. Já a Educação deve ter uma queda, passando de R$ 103,1 bilhões para R$ 102,9 bilhões no ano que vem.

Essa proposta demonstra não somente como a educação, assim como outros direitos básicos não são prioridades no governo Bolsonaro, como o peso que os militares vem tendo no governo, pautando inclusive propostas orçamentárias.

Essa proposta é parte da pressão do apoio dos militares ao governo Bolsonaro, mas esse apoio não vem de graça. Não á toa vemos um fortalecimento dos militares que ocupam hoje cada vez mais ministérios tendo como ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, mas também no Ministério da saúde, Eduardo Pazuello, e o Vice Mourão, para citar apenas alguns.

Nos momentos de maior instabilidade do governo, pela crise do novo Corona vírus, onde vimos os panelaços acontecerem em várias cidades do país e pedidos de impeachment do Presidente Bolsonaro, os militares foram elo importante para manter Bolsonaro no poder.

Parte do apoio dos militares ao governo Bolsonaro se dá pelo papel cada vez mais privilegiado que o exército ocupa no governo. Como nós do Esquerda Diário viemos apontando os militares vem disputando com diversos setores como STF e o congresso para serem os grandes mediadores do regime sem esconder seu autoritarismo para tutelar cada vez mais Bolsonaro, e agora com a trégua entre esses atores percebemos que Bolsonaro segue fortalecendo essa ala não somente politicamente com a entrega de diversos ministérios aos militares também economicamente com esse aceno do aumento dos gastos para o ano que vem.

Isso demonstra a demagogia desse governo, que frente a crise econômica exacerbada pelo crise sanitária privilegia os empresários , os militares e seus apoiadores em detrimento dos trabalhadores. O país enfrenta um aumento vertiginoso do desemprego, vários trabalhadores tiveram seus contratos de trabalho congelado por conta da MP 396, e enquanto o governo corta o orçamento da educação, e queria acabar com o Fundeb (Fundo Nacional da Educação Básica). Ou seja enquanto garante que os militares mantenham seus salários e regalias, quer atacar um fundo de renda “complementar” ao Ensino Básico no país, destinado a investir na educação básica que serve em muitos estados para pagar os salários dos trabalhadores da educação, segundo o Instituto Educatores 80% dos municípios utilizam a totalidade dos recursos do Fundeb para o pagamento de salários e seis estados utilizam mais de 90%.

Mesmo com a aprovação do Fundeb, revogando essa proposta de Bolsonaro que não houvesse esse fundo para o próximo ano, ainda há muitos ataques em curso, como as outras propostas que já estão sendo aplicadas pelo governo de privatização do ensino junto com a falta de investimento causada pela PEC do teto de gastos que congela os gastos em saúde e educação por 20 anos.

Por isso, nós do Esquerda Diário levantamos o Fora Bolsonaro e Mourão, pois não temos nenhuma confiança que os militares, que mesmo neste momento de pandemia, privilegiam seus interesses, em contrapartida aos trabalhadores e povo pobre, vão respondem a nossas demandas. Atuam para fortalecer o regime e aprofundar a crise nas costas dos trabalhadores e setores oprimidos inclusive se aliando ao congresso e o STF se necessário. Só com Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela luta, para que a classe trabalhadora possa decidir os rumos da saúde, da educação e de todas as esferas da vida.




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