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"Privilegiados são os políticos" diz trabalhadora do Correios em carreata em Porto Alegre

Carreata de aproximadamente 1km tomou hoje ao meio dia a cidade de Porto Alegre. Os trabalhadores do Correios estão em greve desde o dia 17/8 por tempo indeterminado contra o corte de 70 cláusulas do acordo coletivo. O governo Bolsonaro chama de privilegiados trabalhadores que em sua maioria ganham menos de 2 mil reais.

Redação Rio Grande do Sul

Redação Rio Grande do Sul

quinta-feira 3 de setembro| Edição do dia

Seguindo o exemplo dos trabalhadores de outros estados como Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Amapá, Paraná, Paraíba, Espírito Santo e Piauí, os trabalhadores dos Correios no Rio Grande do Sul realizam uma carreata em Porto Alegre nesta quarta-feira (2), juntando-se à greve nacional por tempo indeterminado. A mobilização desses trabalhadores, que são essenciais, mas que sofrem ataques do governo e sucateamento para que haja a privatização do Correios, reivindica direitos trabalhistas após a suspensão de 70 cláusulas do Acordo Coletivo. Esta é a segunda carreata organizada pelo Sintect-RS desde o primeiro dia de greve.

Esses trabalhadores conquistaram, por meio de muita greve, luta e embate, direitos históricos e essenciais como auxílio-creche, vale-alimentação, anuênio, dentre outros benefícios. Agora, no entanto, a direção da empresa, como aval do STF, suspendeu o Acordo Coletivo que garantia esses direitos aos trabalhadores até, pelo menos, 2021.

Segundo o relato de uma trabalhadora presente hoje na carreata, os trabalhadores do Correios são os funcionários públicos pior pagos, sendo que não há concurso público há 9 anos, causando um desgaste para a categoria e abrindo espaço para a terceirização de alguns setores. Conforme o relato da trabalhadora, para expor a mentira de que os trabalhadores do Correios são privilegiados, ela revelou que seu próprio salário não chega a R$ 2.000, ainda que ela cumpra as 44 horas semanais e esteja há 16 anos na empresa.

Além disso, é um absurdo que o governo queira surrupiar ainda mais os direitos desses trabalhadores dando a desculpa do “corte de gastos”, porque, enquanto o dono da empresa, o general Floriano Peixoto, tem um salário anual de R$ 1.128 milhões, a folha de pagamento dos funcionários custa R$ 41 mil por ano, uma discrepante disparidade que mostra quem realmente são os privilegiados.

Fazemos eco à indignação dessa trabalhadora ela quando diz “ só no início desse ano, até o período de Agosto, a empresa já lucrou com 614 milhões de reais, um lucro recorde quando comparado ao período do ano passado, quando tinha lucrado 102 milhões. Então é um absurdo dizer que não tem dinheiro, principalmente em um período de pandemia, em que a empresa reclama de muitos gastos enquanto economiza com o afastamento de diversos funcionários devido à pandemia. Mesmo assim, os serviços seguem funcionando normalmente para a população. O Correios é uma estatal, não é para ter lucro, é para prestar serviços às pessoas. Então, não é para sobrar dinheiro dos correios, é para pagar seu quadro funcional. Não é possível que ninguém da nossa classe acredite nesse tipo de argumento de privilégio.”

Sabendo que a única forma de a classe trabalhadora conquistar ou mesmo manter seus direitos é somente através de greve e lutas fundamentadas em organizações de base, é imprescindível que apoiemos e fortaleçamos a greve dos trabalhadores do Correios para tomarem para si seus direitos das garras dos verdadeiros privilegiados, os burgueses que governam o país. Precisamos , ainda, ir além e questionar a raiz desses ataques, mostrando à população que devemos lutar por um Correios controlado não por militares e políticos privilegiados, mas pelos trabalhadores e para trabalhadores. Para isso, é preciso do apoio da população, das demais centrais sindicais e das demais entidades de base e entidades estudantis, a fim de fortalecer essa luta.

segue aqui o áudio relato da trabalhadora dos correios de Porto Alegre

Veja o vídeo da carreata em Porto Alegre




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