Sociedade

CHACINA DE MANAUS

Privatização penitenciaria: quanto mais negros presos maiores lucros

quinta-feira 5 de janeiro| Edição do dia

Conforme escrevemos neste artigo publicado ontem, a empresa Umanizzare Gestão recebeu em 2015 do Estado de Amazonas 199,9 milhões e em 2016 ganhou 326,3 milhões. De acordo com o Globo, esta empresa criou uma verdadeira rede de firmas, todas com o mesmo proprietário, que vem sendo subcontratada para poder atuar nos presídios do Estado.

Este levantamento apresentado pelo Globo, demonstra que a empresária Regina Celi Carvalhaes de Andrade, é dona da Umanizzare e de outras cincos empresas em áreas como alimentação e informática que prestam serviços nas cadeias, apesar de não terem contrato com a Secretária de Administração Penitenciária.

O Ministério Público de Contas do Amazonas entrou com um pedido no Tribunal de Contas do Estado para acabar com os contratos da Umanizzare e a Multi Serviço Administrativos, que também atua nos presídios. O MP afirma que a empresa superfaturou neste ultimo período e fez mal uso do dinheiro público

De acordo com o procurador de Contas Ruy Marcelo Alencar de Mendonça, o governo paga á Umanizzare R$ 4.709,78 por mês por preso que está no Compaj. Para se ter uma noção, o Ministério da Educação coloca que o gasto mínimo anual por aluno da educação pública básica é de R$ 2.545,31. Vale lembrar que com a implementação da PEC 55, o investimento por aluno vai ficar ainda mais restrito.

É importante ter em mente também que o valor investido em alunos do ensino médio em 16 Estados do País em 2015 é abaixo do que é estabelecido. Nas redes públicas do Estado de Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiros e entre outros, o investimento estimado pelo os governos ficará abaixo dos R$ 3.771, valor mínimo do Custo Aluno-Qualidade.

Além do presídio que ocorreu o massacre, a Umanizzare atua em cinco presídios no Amazonas. A empresa possui contratos para a administração de duas unidades penitenciárias no Tocantins, onde foi aberto no ano passado um procedimento pelo Ministério Público para investigar a atuação da firma.

É importante lembrar que estas empresas financiaram a campanha de políticos no Estado do Amazonas. De acordo com o Brasil 247, a das empresa Auxilio Agenciamento de Recurso Humanos e Serviços Ltda. que administra os presídios de Manaus realizou uma doação de R$ 300 mil á campanha á reeleição do governador do Amazonas, José Melo (PROS), em 2014. Já os acionistas da Umanizzare, doaram R$ 212 mil ao ex-deputado federal Carlos Souza, réu por tráfico de drogas.

Esta lógica nefasta da empresa Umanizzare que foi responsável por acontecer uma tragédia social não é um caso isolado. As empresas privadas que administram presídios como o de Manaus, tem o único interesse em aumentar a sua taxa de lucro, mesmo que isso leve a superlotação dentro das cadeias e, consequentemente, tragédias como ocorreu no presídio Anísio Jobim.

Em nome do seus respectivo lucro, empresas como a Umanizzare ajuda a aprofundar a miséria social que é responsável por milhares de pessoas a optarem como caminho mais fácil: o crime. Além disso, estas maquinas de fazer dinheiro lucram em cima de uma polícia e justiça que tem como principal vítima a juventude negra das periferias e que prende, pra depois (quem sabe o dia) realizar o julgamento.

O Estado também é responsável pela chacina de Manaus. O governador do Estado de Amazonas e seus respectivos aliados, mantém relações espúrias com estas empresas privadas do sistema do sistema prisional e está relação chega a um certo nível, que políticos da ordem dependem delas para poder se eleger. Estas negociatas fortaleceram empresas como a Umanizzare e também são um dos fatos que explicam a tragédia de Manaus.

O que ocorreu em Manaus e que ocorrem em outros presídios, mostra que o capitalismo é capaz de transformar a miséria humana em fonte de lucro. O mesmo sistema que tira qualquer perspectiva de vida de milhares de pessoas é o mesmo que é capaz de lucrar com a prisão delas.




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