BOLSONARO E WALL STREET

Privatização da Petrobras atrai investidores de Wall Street para entreguismo de Bolsonaro

Isabela Santos

Estudante de Serviço Social da UERJ e coordenadora do Centro Acadêmico de Serviço Social da UERJ - CASS

quarta-feira 5 de setembro| Edição do dia

Parte de Wall Street torce pela vitória de Jair Bolsonaro. Isso é o que afirma a matéria de hoje na Folha. De acordo com esta matéria os investidores e donos dos títulos da dívida pública, que tem como único objetivo a garantia do pagamento destes independente dos custos aos trabalhadores, as mulheres, aos negros, e LGBTs, estão mudando de candidato diante da estagnação do direitista Geraldo Alckmin. Isso porque, como apontamos aqui, Bolsonaro não é apenas a cara da do machismo, racismo, repressão e da LGBTfobia, mas também a cara das privatizações, da venda do patrimônio público do nosso país para os ricos e poderosos de todo o mundo.

Seu discurso vai de encontro aos anseios dos empresários e da elite brasileira que querem continuar pagando a dívida pública e implementado medidas, como a reforma trabalhista, a terceirização irrestrita, a reforma da previdência, para que os trabalhadores, a juventude e o povo pobre pague pela crise. Enquanto se coloca cada vez mais como inimigo destes setores, Bolsonaro busca se afirmar a cada dia como um candidato amigo do mercado. Para isso, em seu plano de governo, afirma que privatizará empresas como a Petrobras, os Correios, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e até mesmo o BNDES. Desta forma, rifa o emprego de diversos trabalhadores e a riqueza do país enquanto demagogicamente fala de patriotismo e da defesa dos interesses dos brasileiros.

O candidato da extrema-direita ultrarreacionária tem como indicação para o cargo de Ministro da Fazenda ninguém menos que Paulo Guedes. Este foi escolhido a dedo para mostrar estabilidade na aplicação dos ataques e garantir que os lucros dos empresários sigam intactos enquanto a população sofre com os cortes como a PEC do teto de gasto que só oferecerá condições de vida mais precárias, falta de serviços de saúde, mais incêndios em museus como o que vimos aqui no Rio no último domingo.

Wall Street vê no Bolsonaro a possibilidade de um novo Trump, que usa de discurso e até de algumas medidas contra os setores oprimidos para dividir os trabalhadores e melhor aplicar os planos de ataques, cortes e aumento de impostos. Olham para ele, diante do fracasso de Alckmin, como aquele que pode implementar os objetivos e planos mais liberais garantindo as custas do nosso suor e sangue os lucros dos capitalistas e os privilégios de políticos e juízes.

Nós, do Esquerda Diário, não fazemos propaganda nem do PSDB, tampouco do PT. Alckmin e o PSDB já são reconhecidos nacionalmente pela trajetória privatista. Mas não podemos esquecer também o papel que os governos do PT cumpriram em precarizar várias empresas estatais, notadamente os Correios e os bancos públicos, pela via das terceirizações e das vendas de ações, bem como as inúmeras privatizações de portos e aeroportos que o governo Dilma levou a frente. Diante do aprofundamento da crise econômica internacional e seus impactos no Brasil, um eventual governo do PT, ou de qualquer outro que não vá romper radicalmente com os interesses da burguesia nacional e imperialista, também terá que aplicar ajustes e avançar na privatização como manda os bancos e a elite. Já vimos esse filme com o último governo de Dilma. Mas dessa vez qualquer governo que empossar, mesmo derrotando Jair nas urnas, terá que lidar com essa base forte dessa extrema-direita ultrarreacionária. Apenas os trabalhadores organizados podem vencer.




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