Política

OPERAÇÃO CUSTO BRASIL

Prisões e condução coercitiva, marcam fase ’Custo Brasil’ da Lava Jato nesta quinta

sexta-feira 24 de junho de 2016| Edição do dia

No marco da 18’ fase da operação Lava Jato, denominada Custo Brasil, que apura o pagamento de cerca de R$ 100 milhões em proprina entre 2010 e 2015, foram emitidos 11 mandados de prisão, 14 mandados de condução coerciva e 40 de busca e apreensão em residências e empresas.

Desde às 06:00 agentes da Polícia Federal militarizaram a sede do PT na região central de SP e de Brasília, todas viaturas sem placa, cumpriram mandato de busca e apreensão a materiais no local.

Fruto da delação premiada do ex-vereador de Americana (SP) Alexandre Romano, preso em agosto de 2015, foram citados no esquema de receber propina de desvio em contratos do Ministério do planejamento com empresas do Grupo Consist Software:

Valter Correia da Silva (ex-Secretário de Gestão na prefeitura de São Paulo), como mostramos aqui, preso nesta quinta;
Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, que mostramos aqui, foi detido no apartamento funcional da mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-BR). Este, em prisão preventiva;
Carlos Gabas, ex-ministro da previdência do governo Dilma, alvo de condução coercitiva;
Leonardo Attuch, dono do blog 247, que de acordo com o blog apresentou espontaneamente e não sofreu condução coercitiva, mostrado aqui.

A lista de nomes segue.

Tamanha é a adaptação do PT aos métodos capitalistas, mesmos métodos dos governos anteriores, que o envolvimento de todos estes nomes com a cúpula do PT amplia a legitimidade social do golpe institucional.

A nova fase da Lava Jato e seus métodos

O nome ’Custo Brasil’ é em referência aos custos burocráticos que o capital estrangeiro encontra ao ser investido no Brasil. Uma manobra meticulosa, para encobrir com o véu da corrupção (marca registrada do sistema capitalista) o custo do Brasil no pagamento da dívida pública com bancos privados que realizam seus lucros sobre o dinheiro dos trabalhadores brasileiros.

Para além de uma simples manobra do STF contra os petistas, apontaram também para a base dos golpistas, abrindo investigações contra todos os partidos do regime político. O caso recente de avanço contra o PMDB e PSDB, longe de combater a corrupção, avança no sentido de limpar a cara do golpe e pintar um STF "herói do Brasil".

Para Janot, a fase em que a lava jato deve entrar passa por avançar as investigações à base golpista. Afirmou, inclusive, que "Temer montou ministério para barrar a Lava Jato", abrindo investigação sobre figuras públicas do golpe, como Aécio Neves - PSDB.

Por "outro" lado Teori Zavascki diz que a abertura das investigações estaria "usurpando a competência deste Tribunal". A disputa pelos rumos da Lava Jato, leva a quem consome a notícia, quase ao classico sentimento gerado por uma abordagem policial, o velho bom e mau, divido entre quem quer expandir a "todos" envolvidos ou quem quer manter o "foco".

O fato é que ambos apostam na manutenção e expensão de um órgão repressivo, onde ninguém é eleito diretamente e pode ser indicado por qualquer interesse. No caso, o mesmo STF que promoveu o golpe e agora tem um Janot "limpando" a cara e permitindo o avanço de um governo ilegítimo.

Na atual situação o atual governo Temer ganha uma certa força para manter-se via consolidação do golpe. Por mais que Janot aponte para processos inclusive sobre Temer e sua base, os fatos até agora não recaem sobre os golpistas. Entretanto, como apontamos aqui, não há nada consolidado, pois o número de senadores necessários para passar o golpe ainda não foi publicamente alcançado.

Ao mesmo tempo, a estratégia petista é evitar o desgaste através da ativação dos grandes bastiões da classe operária. Presentes nos principais sindicatos dirigidos pelo CUT, como os metalúrgicos do ABC, não fazem parte da agenda de mobilização contra o golpe. Para Lula, Dilma e o PT a via é vender a imagem do partido que pode conter mobilizações e aplicar ajustes através de negociações via sindicatos ligados à CUT, apostando nas eleições presidenciais de 2018 ou no já anunciado plano de eleições gerais via retorno de Dilma pelo senado ou por plebiscito.

Ambos cenários tiram de cena a força e importância da classe trabalhadora em transforma a realidade. Isso permite que o STF comande os próximos passos e da a Temer o tempo necessário para conquistar sua base. É necessário impor uma assembléia constituinte livre e soberana, pela luta dos trabalhadores, exigindo que todos os juízes sejam eleitos, revogáveis e que ganhem o mesmo salário de uma professora, como apontado aqui, expondo os limites dessa "democracia" comandada por bancadas ruralistas, da bala, da bíblia e pela FIESP.




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