Sociedade

OPERAÇÃO CARNE FRACA

Prisão de ex-presidente da BRF mostra a podridão da indústria alimentícia

Na manhã desta segunda-feira (05) a BRF, uma das maiores empresas alimentícias, foi alvo da 3ª fase da Operação Carne Fraca. Sob investigação de fraudes laboratoriais, o ex-presidente do grupo Pedro de Andrade Faria e o ex-vice-presidente Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior, entre outros, tiveram a prisão decretada.

segunda-feira 5 de março| Edição do dia

A BRF, uma das maiores empresas alimentícias, foi alvo da 3ª fase da Operação Carne Fraca. De acordo com as investigações, os setores de análises do grupo e cinco laboratórios credenciados junto ao Ministério da Agricultura fraudavam resultados de exames em amostras do processo industrial, informando dados falsos ao serviço de Inspeção Federal.

Os ex-presidente e ex-vice presidente do grupo tiveram as prisões temporárias decretadas pelo juiz André Wasilewski Dusziczak, da 1ª Vara Federal de Ponta Grossa (PR). Ao total foram emitidos 11 mandados de prisão temporária, 27 de condução coercitiva e 53 de busca e apreensão, nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo.

Segundo a investigação, o objetivo dos empresários era diminuir os níveis da bactéria salmonela para assim facilitar a exportação dos produtos ao mercado externo de controle mais rígido. O esquema teria ocorrido entre 2012 e 2015 e contava com o aval de executivos, corpo técnico e profissionais responsáveis pelo controle de qualidade da BRF.

Todos os investigados podem responder pelos crimes de falsidade documental, estelionato qualificado, formação de quadrilha e crimes contra a saúde pública.

Não é a primeira vez que encontra-se dados fraudulentos ou carnes podres que serviriam de almoço aos trabalhadores. No início de 2017 a Operação Carne Fraca ficou conhecida por investigar o escândalo das carnes da JBS que possuíam papelão em sua composição.

Esse novo escândalo mostra mais uma vez como essas grandes empresas da indústria alimentícia estão interessadas somente na obtenção de lucro ao final do mês, não se importando se para isso precisarão comercializar carne podre, com papelão e altos níveis de bactérias prejudiciais à saúde.

Mas não é também com essas operações e confiando no judiciário que veremos esses empresários punidos. O judiciário, que foi um grande suporte na consolidação do golpe e no último período sequestrou o direito ao voto da população, mostrou na primeira fase da Operação Carne Fraca que não tem interesse em punir as empresas envolvidas por fraudar dados e nos oferecer carne estragada. A casta judiciária, com seus juízes ostentando salários e auxílios milionários, está a serviço dos patrões e dos ricos. Por isso, é necessário que os corruptos e corruptores, que nos envenenam com seus produtos, sejam julgados por júri popular, e não por juízes que enriquecem cada vez mais e só aumentam seus privilégios.

Mais uma vez o que se vê são empresários lucrando em cima da saúde da população e jogando toda a crise nas nossas costas. Esse é o retrato do capitalismo. Não podemos permitir que paguemos a crise até mesmo com nossa saúde, enquanto empresários e juízes enriquecem. É essencial que os trabalhadores organizem-se, denunciando mais esse escândalo e exigindo das centrais sindicais um plano de lutas que revogue os ataques que o governo golpista vem nos fazendo e imponha que sejam os capitalistas quem paguem pela crise.

Casos como esse mostram a urgência de impor a taxação das grandes fortunas dessas empresas e empresário que lucram com a crise, assim como que os julgamentos sejam feitos através de juris populares e as grande empresas envolvidas nos escândalos, como a BRF agora, sejam estatizadas e colocados sob controle dos trabalhadores, pois somente assim haverá a garantia da qualidade da comida servida à mesa do trabalhador, que não estará sob a sede de lucro dos capitalistas.




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