Educação

PROFESSORES E A PRISÃO DE LULA

Prisão de Lula decretada: a Apeoesp deve organizar já os professores para a luta!

sexta-feira 6 de abril| Edição do dia

O Supremo Tribunal Federal negou anteontem o pedido de habeas corpus de Lula e ontem Moro já decretou sua prisão, consolidando assim cada vez mais o golpe institucional, ao negar o mínimo direito desta democracia dos ricos: de que o povo escolha em quem votar. Mas o golpe é mais do que isso. Ao passarem disso, querem consolidar também cada vez mais a arbitrariedade do judiciário, que só pode se voltar contra nós trabalhadores. Tudo para que o principal interesse seja garantido: o dos empresários nacionais e estrangeiros, de que se ataque cada vez mais os direitos dos trabalhadores e do povo. Em meio a tudo isso, como nós professores somos atingidos?

Os planos para a educação, viabilizados pelo golpe, são um grande salto para a desestruturação da educação pública, que atende em sua maioria os filhos da classe trabalhadora e do povo. Reforma do Ensino Médio, ampliação do ensino a distância, PEC de congelamento por 20 anos dos gastos públicos com educação, projeto “escola sem partido”, privatização de escolas inteiras, desoneração dos salários e das previdências dos professores e funcionários, desmonte de universidades públicas, abertura para terceirização de professores, enfim. Tantos ataques só estão sendo colocados em marcha agora pela abertura às arbitrariedades promovidas pelo golpe. É nesta esteira que vem também graves repressões a professores no último período, como o episódio com os professores municipais na Câmara dos Vereadores em última vitoriosa greve, e como também contra os professores de Minas Gerais também em greve sob comando de Pimentel, governo do próprio PT. Em meio a tudo isso, nós professores do estado de São Paulo estamos carregando todos os dias as cada vez piores condições de trabalho para que abram o caminho para privatização através do CIS (veja aqui sobre o CIS); e a Apeoesp, onde está?

Nosso sindicato, que é dirigido majoritariamente pelo PT, desde que o golpe começou a se instalar em 2016, não moveu uma palha para que os professores realmente se organizassem para ser sujeito de um combate decidido contra isso. Desde então, a Apeoesp nada fez para que se massificasse entre nós os debates sobre as consequências do golpe para a educação e nossas condições de vida, deixando-os confinados nas cúpulas de suas instâncias (Diretoria, Conselho Estadual, até reuniões de Representantes) cada vez mais distantes da base dos professores. Ainda assim, por mobilização própria, nós fomos uma das categorias linha de frente das duas greves gerais de 2017 contra a reforma da previdência nacional. Em todas as escolas escutamos os professores indignados com os rumos da política nacional e das arbitrariedades do judiciário, da polícia e dos governantes.

2018 e a Apeoesp continua na mesma toada. Após a morte da vereadora do Rio Marielle Franco, nem uma única palavra foi pronunciada pelo sindicato, enquanto nas escolas, a revolta imperou. Mas sem direção, o máximo que os professores puderam fazer foi se somar aos atos de rua convocados sem apoio e soma declarada do sindicato e expressar sua indignação nas redes sociais.

E agora, ocorre a decisão do STF com o decreto da prisão de Lula para que se realize até às 17h de hoje, 6/04. A Apeoesp continuava até o começo da noite de ontem (5/04) convocando para hoje uma paralisação com temática “bota-fora de Alckmin”. Parece até uma piada de extremíssimo mau gosto. Com seu já habitual método de confundir sobre quais pautas teríamos a defender nesta paralisação (abarrotando em seu cartaz de semanas atrás um sem número de demandas em letras minúsculas), mostra que não quer uma real paralisação. Inclusive nos meios mais rápidos de comunicação como SMSs, como um que recebemos ontem no fim da tarde, o que continuava aparecendo era o tal “bota-fora”. Como se um grande avanço contra nós não tivesse sido aprovado já na quarta-feira, tendo como alvo, ironicamente, a principal figura do partido que dirige a Apeoesp.

Após o decreto de Moro, a majoritária da Apeoesp decidiu, sem discutir nem mesmo com o conjunto da diretoria do sindicato, cancelar o Conselho Estadual e a assembleia dos professores e chamar a ir ao Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo; isso sem nem mesmo organizar ônibus suficientes, para além dos poucos do interior que viriam para a assembleia, para que os professores em massa pudessem avaliar de ir para lá. Eles poderiam até, frente a um fato urgente e preocupante como a iminente prisão de Lula, alterar local e horário da assembleia para que ações da categoria fossem colocadas em marcha ainda hoje. Mas não: se negam mais uma vez a organizar nossa categoria para combater o golpe, mais uma vez.

Tal inação da Apeoesp que perpetuou até o dia de hoje condiz com a trégua e paralisia programada da CUT e do PT, que chamaram na quarta, dia do julgamento, vergonhosas “vigílias pacíficas” que em nada tinham potencial de barrar a decisão do STF; isso depois de interromperem o processo de mobilizações que poderiam ter gerado outras e fortíssimas greves gerais no país. E já estava expressa desde o começo deste ano, quando em uma das primeiras reuniões de Diretoria ouvimos Bebel, presidenta do sindicato e quadro do PT, em tom melancólico e resignado, dizer que “Lula ia de fato ver o sol nascer quadrado”.

Até quando o PT vai continuar alimentando ilusão no judiciário, esperando mudanças nas decisões através somente dos recursos da defesa? Até quando a Apeoesp vai continuar amortecendo os professores em sua indignação, e alimentando ilusões de que reuniões com a Secretaria de Educação e processos contra um problema ali e outro aqui vão barrar os ataques dos golpistas, com Alckmin a frente, à educação?
O sindicato deveria estar convocando, desde que soube da data de votação no STF, uma fortíssima paralisação com manifestação para hoje contra isso. Inclusive como nós do Nossa Classe propusemos, desde a última reunião de Diretoria, que fizesse um chamado ao Sinpeem para fazermos uma manifestação junto com os professores do munícipio para somarmos forças e nos inebriarmos com sua moralização após a vitória contra Doria.

Em meio a essa paralisia, a oposição, que também faz parte minoritariamente da direção do sindicato, não foi alternativa. Ficou dividida entre um setor que capitula aos golpistas dizendo que não houve golpe, e outro setor que se acomodou totalmente a linha da majoritária.

É necessário que se mantenha a nossa assembleia, para que o conjunto da categoria debata profundamente como prosseguir, qual será nosso plano de luta contra a continuidade do golpe. Para isso, o microfone da assembleia precisa ser aberto aos professores para que a base também opine qual deve ser nosso plano e vote democraticamente; para que assim voltemos às nossas escolas para construir com todos os colegas tal resposta de forma muito contundente.

Basta de trégua do PT, da CUT, da Apeoesp com os golpistas. Precisamos agir imediatamente para combater esse avanço do golpe e defender nossos direitos e a educação.




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