Política

LAVA JATO E GOVERNO TEMER

Prisão de Cabral na Lava Jato e novas instabilidades afligem Temer

A prisão de Cabral e o avanço da Lava Jato sobre o PMDB põe em rico toda a classe política? Podemos avançar a uma Mãos Limpas brasileira que questione o governo golpista de Temer?

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

sexta-feira 18 de novembro| Edição do dia

A prisão do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral já era esperada pela cúpula da política brasiliense, porém mesmo assim gerou muita apreensão não só no PMDB como também em outros partidos governistas, deixando o Palácio do Planalto preocupado por causa do que pode vir pela frente e fragilizar a atual base aliada de Michel Temer. A avaliação de assessores presidenciais é que a Operação Lava Jato entrou em uma fase com a prisão de Cabral, que pode ser a primeira de outros ex-governadores e até de atuais chefes de Estado.

Nesta etapa, a equipe de Michel Temer avalia que o PT deixa de ser o principal alvo das investigações, que passa agora ser também partidos como o PMDB, PSDB, DEM, PSB, entre outros, podendo causar a médio prazo, estrago político nos partidos de base de apoio do governo Temer e gerar uma maior instabilidade para toda a "classe política". Sobre Temer, os assessores avaliam que o seu nome pode até ser citado em novas operações, mas nada que afete o atual mandato e, em relação ao período anterior, não haveria nenhuma informação que possa inviabilizar sua permanência no Planalto.

Em relação a operação realizada nesta quinta-feira (17), a cúpula do PMDB avalia como negativamente, por afetar um líder do partido, mas não vê grandes estragos em Brasília porque Sergio Cabral já estava afundando politicamente porque sabia que era alvo da Lava Jato. Ele não tinha mais influência em Brasília, mesmo com o PMDB comandando o Palácio do Planalto, como teve no período dos governos petistas Lula e Dilma.

O grande medo do governo Temer é o que pode vir depois, com o desdobramento de investigações em curso pela Lava Jato e pelas novas delações, como a da empreiteira Odebrecht. De acordo com Interlocutores de Michel Temer, esta nova fase, passa a ser de governadores e ex-governadores, além de parlamentares, depois de os investigadores terem mirado no PT, nos seus operadores e nas grandes empreiteiras.

Na definição de um interlocutor das empresas, chegou a vez dos políticos que tiraram alguma vantagens por esquemas de corrupção que estavam montados na Petrobras e no setor elétrico. Esta nova etapa das investigações, atingindo executivos estaduais, acabou também com a expectativa e até uma grande torcida do mundo da política para que a Operação Lava Jato estivesse no fim.

A a Lava Jato esta mostrando que pode ter fôlego para entrar em 2017 a todo vapor. Um cenário considerado péssimo pelos lideres políticos, porque cria mais incertezas sobre quem chegará vivo na disputa da eleição presidencial em 2018. E antes disto, gerando turbulências e fragilizando os principais partidos da base aliada de Temer. A ordem do Palácio do Planalto é tentar acelerar os principais ataques contra os trabalhadores e demais setores populares da sociedade.

De acordo com o site do Senado Federal, os senadores devem votar até o final do ano a Proposta de Emenda á Constituição (PEC) 55/2015 e o projeto que regulamenta a terceirização. Estes projetos irão ser votados até o final deste ano.

O fato é que a Operação Lava Jato deu mais um passo importante para fechar todos os cercos do governo de Michel Temer. A prisão do ex-governador carioca, Sérgio Cabral, mostra que a Lava Jato pode ter começado seu processo de transformação para ser uma Mãos Limpas Brasileira. O receio do governo é que o imperialismo troque os políticos atuais, por outros que consigam atacar os trabalhadores e demais setores populares da sociedade com maior legitimidade, diante da profunda crise de representatividade.

A articulação entre imperialismo, grandes empresários e partido judiciário colocou Michel Temer como uma das figuras do golpe institucional, mas o presidente vem demonstrando que não está completamente estável para atender todos os interesses das grandes aves rapina. Na entrevista de Temer no programa Roda Viva, fica claro que frente a crise econômica que se mantém com o atual governo, os grandes empresários e banqueiros não estão aceitando nem a existência de programas como Bolsa Familia, Minha Casa Minha Vida. Uma das criticas que foram feitas ao atual presidente é a de que não deveria ter aumentado o Bolsa Família e muito menos a Minha Casa, Minha Vida.

Se a PEC 241 é considerada um retrocesso histórico, os grandes empresários e banqueiros querem muito mais do que já está sendo feito. Além disso, os golpistas tem pressa e querem que as medidas impopulares contra os trabalhadores e demais setores populares sejam implementadas o mais rápido possível. Assim a Lava Jato pode ser ainda uma ferramenta que avance sentido mãos limpas.

Até o prazo que Michel Temer deu para implementar os ataques não está sendo suficiente para agradar os ’’senhores do mundo’’. Temer diz que até o final do ano, a PEC 241 e a regulamentação da terceirização vão ser votados, porém não consegue levar em votação medidas como a reforma da previdência e trabalhista. Precisa de apoio do arbitrário Judiciário para realizar ataques nestas duas áreas.

Se a prisão do ex-governador Sergio Cabral representa a fase que a Lava Jato pode se tornar a Mãos Limpas Brasileiras, quando Marcelo Odebrecht for fazer sua delação premiada vai ser a brecha para trocar os velhos políticos brasileiros, por outros que sejam capazes de implementar os ataques que o imperialismo tanto deseja. Tempo na política é fundamental, enquanto Temer enrola, a Lava Jato segue os trabalhos a mil por hora.

Esta nova fase da operação, pode fazer com que Temer sinta-se pressionado e dê uma guinada para poder implementar as medidas pelas quais o golpe foi aplicado. Apesar de toda balela da direita que quer distorcer o avanço superestrutural nas eleições em apoio ao governo Temer, apenas 13% da população apoia Michel Temer, 68% da população não confia em Temer.

Ou seja, números muito complicados para quem quer administrar um ’’remédio amargo’’ contra os trabalhadores e demais setores populares da sociedade. Os cenários ainda estão abertos e se por um lado a Lava Jato pode apontar à Mãos Limpas e empurra rumo aos ataques velozes e sedentos, a crise política impossibilita legitimidade e transborda descontentamento. Nada fechado, tudo num grande campo de disputa onde precisamos exigir das centrais sindicais plano de lutas sério contra os ataques e solidariedade ativa a juventude que luta, para assim poder ativar a força dos trabalhadores que podem realmente barrar os planos golpistas.




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