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Princípio de incêndio no prédio de Letras da USP escancara precarização do curso

quinta-feira 6 de setembro| Edição do dia

No dia 03 de setembro, foi detectado um princípio de incêndio no prédio da letras da Universidade de São Paulo, no andar de baixo ao lado da sala do centro acadêmico, onde há doações de xerox. Após ter sido detectado pelos vigias do prédio, o fogo foi controlado e o foco de incêndio foi apagado. O fato veio a conhecimento do conjunto dos estudantes no dia 04.

O fato aconteceu apenas um dia depois do absurdo caso de incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro, que, por falta de investimentos e negligência dos governos, o prédio acabou pegando fogo e destruindo 20 milhões de peças que o museu expunha.

Assim como o prédio do museu nacional do Rio de Janeiro necessitava restauração, o prédio da letras também está totalmente precário. É provisório a 40 anos, não tem rota de fuga em caso de incêndio, não tem brigada e tem um teto altamente inflamável. Há anos os estudantes reivindicam melhorias no prédio e denunciam a precarização pela qual passa a universidade, principalmente as humanidades, e a reitoria mantém seu total descaso.

A precarização do curso vem sendo sentida pelos estudantes há muito anos e em 2018, tem se tornado aguda. A falta de professores, a precariedade do prédio, as bolsas cortadas em praticamente de todos os departamentos, faz parte de um projeto de precarização do ensino público e de qualidade, cortando orçamentos das universidades com o objetivo de privatiza-la. Esses ataques já tinham começado no governo do PT, que cortou 30 milhões do orçamente do ministério da educação em 2015. Se aprofundando no golpe de 2016, onde o governo golpista de Temer, para aplicar os ajustes que a burguesia exigia, congelou por 20 anos investimentos para educação e saúde.

O governo do estado e a reitoria segue a receita de ajustes e ataques e, em 2017, aplicou a “PEC do fim da USP” que impõe um congelamento de gastos na universidade por 5 anos, ou seja, 5 anos sem contratação de professor, sem hospital universitário e sem contratação de funcionários.

Para combater a situação de desmonte que passa o curso da Letras e a USP, é necessário que os estudantes se organizem em espaços de debates e discussões. As entidades estudantis devem ser utilizadas como ferramentas de luta dos estudantes para lutar por mais verbas para a educação pública, para que tenhamos o direito de estudar com qualidade e segurança, assim como exigir a abertura do livro de contas da universidade para que possamos saber para onde vai o dinheiro que nela é investido.

O desmonte da universidade, que passa por um projeto nacional de desmonte da educação pública, se intensifica cada vez mais frente a profunda crise econômica que vivemos a nível internacional. E, enquanto os governos aprovam uma série de ataques contra a juventude e a classe trabalhadora, seguem entregando trilhões dos cofres públicos para a dívida pública. Um dívida ilegítima que é um verdadeiro mecanismo de saque do dinheiro público enquanto as escolas, hospitais e universidades seguem cada vez mais precários.

Por todos esses motivos, nós da Faísca defendemos que nossas entidades estudantis estejam a serviço dessa luta, para que possam ser um pólo de organização política dos estudantes, se aliando aos trabalhadores. Defendendo o não pagamento da dívida pública, mais verbas para a educação pública e uma universidade a serviço dos trabalhadores e do povo pobre.




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